Já estão à venda os novos cartões-postais Resende de ORo

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Nova Orleans, nota jazz

Trecho de matéria minha, publicada no Caderno de Turismo de O Globo, em 29/06/1989, muitos anos antes da chegada do furacão Katrina:

Louis Armstrong, Mahalia Jackson e Winton Marsalis nasceram lá. Truman Capote e Lillian Hellman, também. Foi fundada por franceses, mas pertenceu, durante algum tempo, aos espanhóis. Seu nome de batismo: Nouvelle Orleans, uma homenagem ao Duque de Orleans, regente do Rei Luís XV nos idos do século XVIII. Surpreso? Tem mais. Em 1805, Napoleão Bonaparte vendeu a cidade (e todo o estado de Louisiana) aos Estados Unidos por US$ 15 milhões. Um ótimo negócio para os americanos, que hoje podem se orgulhar de ter em seu território uma das mais alegres cidades do mundo, capital do jazz e da boa comida.

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Após romper os diques, o rio Mississipi invade Nova Orleans (Reuters)

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Sobre a cidade alagada, helicóptero resgata vítima do furacão Katrina

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O histórico French Quarter foi o menos atingido

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Rua do French Quarter ainda livre da inundação (Fotos AFP e NYT)

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Como reconstruir Nova Orleans

Trecho de matéria de Peter Applebome, do New York Times

Com ondas se quebrando na Rua Canal, a água fluindo através de diques rompidos e 80% da cidade sob as águas, a sobrevivência, e não a reconstrução, é agora a ordem do dia. Mas no fundo de suas mentes, as pessoas que amam Nova Orleans se perguntam o que restará física e psicologicamente daquela que talvez seja a cidade mais diferenciada dos Estados Unidos quando a água finalmente baixar e --daqui a dias, semanas, meses-- alguma aparência de vida normal se esforçar para ressurgir.

Assim, o ex-prefeito Marc Morial, atualmente diretor da Liga Urbana e morador de Nova York, interrompe a todo momento uma conversa telefônica e respira profundamente, sem poder acreditar nas imagens da inundação mostradas pela TV, para depois fazer o possível para se concentrar na tarefa que há pela frente.

"É claro que vamos reconstruir", afirma. "Mas o que faz de Nova Orleans uma cidade única é a sua natureza poliglota, a tapeçaria, o mosaico o gumbo. Por isso, o French Quarter é alvo da maior parte da atenção, mas o Quarter é alimentado pelas artérias dos bairros vizinhos".

Ele faz uma pausa e, novamente, respira profundamente, quando a tela mostra imagens da inundação do bairro pobre 9th Ward. "Ah, meu Deus. Ah, meu Deus. Estamos presenciando o pior desastre natural na história norte-americana".

Não ficou sem resposta a questão de como reconstruir o French Quarter. Mas não se sabe como reconstruir Stella, Blanche e Stanley, a cidade que, segundo William Faulkner, era "o labirinto maciço de oleandros e jasmins, lantanas e mimosas", um local que, segundo um admirador, "poderia destruir o seu fígado e envenenar o seu sangue", a cidade das mansões italianizadas do Distrito dos Jardins e dos abundantes projetos habitacionais, como aquele onde hoje em dia chega o bonde chamado Desejo.

Uma região que deu aos Estados Unidos a maior parte da sua música, grande parcela de sua literatura, uma visão de espelho quebrado da faceta exótica norte-americana e uma substancial porção da alma do país.

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Mais um coleguinha na rede

O empresário Marcos Valério disse a Ricardo Noblat que decidiu criar um blog. "Ele será atualizado durante 24 horas", prometeu. Com notícias apuradas por ele e principalmente comentários sobre a crise política e as investigações promovidas pelas CPIs instaladas no Congresso.

"Leio muita coisa absurda nos jornais e ouço outras tantas acompanhando os trabalhos das CPIs", diz Valério. "Quero começar a dizer o que penso a respeito da maioria delas, corrigir e acrescentar informações quando necessário".

Publicado no Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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O desabafo de Marcos Valério

* Cadê o Duda Mendonça? Cadê o José Genoino? E o Sílvio Pereira, cadê? Sumiram todos. Só eu que continuo debaixo de um cacete danado. O governo quer que sobre só pra mim...

* Fui útil ao PT. Eles me usaram no que foi possível. Quando não deu mais, me jogaram fora.

* Não sou amigo do deputado José Dirceu. Não morro de amores por ele. Não perderei uma noite de sono se ele for cassado.

* As agências de propaganda comemoram a minha desgraça. É um a menos no ramo. É um concorrente a menos. Perdi todas as contas com o governo.

* O Duda perdeu a conta da Secretaria de Comunicação da presidência da República, mas ficou com as do Ministério da Saúde e Petrobrás. Eu toparia trocar todas as que tinha só por essas duas.

* Entra na cabeça de alguém que o Duda abriu conta no exterior por que eu pedi para que abrisse, por que eu disse que só assim pagaria parte do que o PT devia a ele? É só investigar que vão descobrir que ele tem contas lá fora há muito tempo.

* Paguei exatos R$ 10.837.500,00 ao PL do Valdemar Costa Neto. Se ele diz que recebeu somente pouco mais de R$ 6 milhões, deve uma explicação a seus colegas de partido sobre o que fez com o resto.

* Não sei por que o PT ainda não procurou a Justiça para reconhecer que usou dinheiro de caixa 2 e regularizar suas prestações de conta de campanhas. Já poderia ter feito isso.

* O governo e o PT perderam o controle da crise. Mas não acho que tudo isso terminará em pizza. Não tem como terminar. A opinião pública não engoliria.

Publicado no Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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Gabeira diz que Severino é um desastre

De Cida Fontes, da Agência Estado:

"O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) advertiu, em plenário, o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), de que vai iniciar um movimento para derrubá-lo, caso continue fazendo afirmações que desonrem a Casa. Gabeira iniciou seu pronunciamento dizendo que Severino interferiu a favor de uma empresa que praticava trabalho escravo e não se estaria comportando de maneira digna como presidente da Câmara.

"V.Excia está em contradição com o Brasil, sua presença (na presidência da Câmara) é um desastre para o Brasil", disse Gabeira. "Ou V.Excia. fica calado, ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo".

O deputado disse que estava reclamando de Severino pois, sozinho, não poderia entrar com representação contra o presidente da Câmara no Conselho de Ética.

"Recolha-se à sua insignificância", respondeu Severino a Gabeira. "Eu não aceito", disse, referindo-se às críticas e cobranças do deputado.

Antes de Gabeira, o líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), fez um discurso também cobrando uma posição de Severino pelas declarações dele publicadas, ontem, pela Folha de São Paulo, de que não existe mensalão e defendendo pena branca para os beneficiários de recursos recebidos via contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Aleluia disse que a entrevista foi "infeliz, um desastre" e que Severino precisava separar a fala dele como cidadão da de presidente da Câmara.

"Nós todos estamos sendo execrados e colocados numa vala comum e passando para a sociedade a impressão de que não queremos punição", afirmou Aleluia.

Publicado no Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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Rumo a Brasília

A caminhada da e-indignação (cujo selinho está aí ao lado, na coluna de banners) já percorreu quase 287 quilômetros, e conta com mais de 143 mil participantes. O seu objetivo é ir de São Paulo a Brasília, protestar contra o festival de indignidade e corrupção que assola o país.

A cada nova inscrição, ela se move dois metros.

A caminhada virtual é uma iniciativa criativa e bem bolada. O fato de estar se espalhando tão rapidamente significa apenas uma coisa: que as pessoas estão indignadas, e gostaram da idéia. Ponto.

Para se juntar aos caminhantes, clique aqui.

Do blog InternETC (link nos Favoritos do RA).

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terça-feira, 30 de agosto de 2005


A capa do novo CD

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O segundo CD de Maria Rita

Já está à venda no site de músicas Gradiente i-Get uma das faixas do novo CD de Maria Rita, produzido por Lenine e com lançamento previsto para o mês de setembro. O download da música "Caminho das águas" (que, parece, dá nome ao CD) custa R$ 2,99 e pode ser feito aqui.

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O documentário em DVD

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Scorcese assina documentário sobre Bob Dylan

Dirigido por Martin Scorcese, o primeiro filme-biografia de Bob Dylan estréia em setembro nos Estados Unidos. O título do documentário - "No direction home", ainda sem tradução no Brasil e que significa algo como sem rumo de casa - foi retirado da letra de um dos maiores sucessos de Dylan, Like a rolling stone, eleita recentemente a música mais importante do rock, aquela que teve o poder de mudar o mundo.

O foco do filme é a vida e a música do genial cantor-compositor no curto e essencial período de 1961 a 1966, mostrado a partir de gravações inéditas de performances ao vivo e de entrevistas com artistas e músicos cujos caminhos se cruzaram com os de Dylan naqueles anos.

O CD duplo com a trilha sonora (recheada de gravações raras ou nunca ouvidas) já está à venda nos EUA, antecedendo o lançamento do filme em DVD, já marcado para o próximo dia 20 de setembro. Maiores detalhes podem ser conferidos no site oficial de Bob Dylan, um dos eternos Favoritos do RA.

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domingo, 28 de agosto de 2005

Para petistas roxos, cegos e surdos

Diante da desordem das CPIs, das declarações do pizzaiollo do planalto, Severino Cavalcanti, em favor de um número restrito de cassações, e dos discursos cada vez mais inflamados e absurdos do presidente Lula (que ainda jura estar sendo vítima de injustiças, oh meu Deus!!!), reproduzo abaixo dois posts destinados a operar os milagres de fazer cego ver e surdo ouvir. Infelizmente, para teimosia arraigada não existe milagre que dê jeito.

"Não é possível que o presidente não soubesse de nada"

Do Blog do Cesar Maia, o mais novo integrante dos Favoritos do RA.

Entre 5 de setembro de 1999 e 31 de março de 2002, o presidente Lula da Silva publicou 132 artigos dominicais no Zero Hora. O jornal gaúcho voltou aos artigos para montar uma hipotética entrevista com o presidente sobre a crise.

Zero Hora: Um presidente da República pode não saber do que ocorre nos gabinetes do Palácio do Planalto, principalmente em relação a acusações contra seus subordinados mais próximos?

Lula (em 30/07/2000, referindo-se ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao escândalo da violação do painel do Senado): "Não é possível que o presidente não soubesse de nada, que ele não tivesse idéia do que o seu homem de confiança fazia na sala ao lado da sua no Palácio do Planalto. Afinal, um presidente da República não pode ser tão desinformado. Aliás, o presidente (FHC) deveria ter se dirigido à opinião pública para, no mínimo, prestar esclarecimentos sobre esses escândalos".

Pirou

Do colunista Clóvis Rossi na Folha Online

Em que mundo de fantasia se refugia o presidente da República para reclamar de que há "denúncias e mais denúncias, insinuações e mais insinuações, e nenhuma prova até agora que possa condenar qualquer pessoa?"

Não só há abundantes provas como, pior, há confissões.

Confissão, por exemplo, de Delúbio Soares, o tesoureiro do partido de Lula, sobre a prática de caixa dois (ou caixa dois deixou de ser crime?).

Confissão, por exemplo, de Duda Mendonça, o marqueteiro do presidente, de desvio de recursos para o exterior, além de, outra vez, uso do caixa dois (ou desviar recursos para o exterior deixou de ser crime?).

Há, ainda, uma lista comprovadíssima de deputados pagos com dinheiro do PT, manejado por Delúbio Soares e Marcos Valério.

Se não há condenações ainda, não é por falta de provas, mas pela demora natural do devido processo legal no âmbito do Legislativo e porque o partido do presidente, o próprio presidente e membros de seu governo embaçam as investigações.

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Lambe-lambe afegão fotografa uma família de refugiados compatriotas

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Muito distante da era digital

Utilizando uma câmera ancestral, um fotógrafo afegão retrata uma família no campo de refugiados de Peshawar, no Paquistão, antes da partida deles para o Afeganistão. O governo paquistanês pediu aos afegãos - que fugiram de seu país por causa da guerra civil - que deixem o Paquistão até o dia 15 de setembro.

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As capas que vão decorar as bancas durante a semana

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A crise ainda domina as manchetes

O Globo: "Auditorias acham 525 tipos de irregularidades na ECT" - Quatro órgãos federais vasculham contratos dos Correios que somam R$ 7 bilhões.

Jornal do Brasil: "Com o PT à deriva, procura-se partido ético" :

* Duas dezenas de petistas estão prontos para recolher a ficha partidária. Esmiuçam o P-SOL, uma legenda que, mesmo sem registro, já abriga sete tendências e ensaia um discurso ranzinza.

* O PT verga ao peso das denúncias que levaram à aposentadoria forçada de dirigentes, das revelações de prática de caixa dois, da disputa interna pelo poder. Sairá das urnas quase inexpressivo, prevêem estudiosos.

* A Comissão de Ética da Câmara, que avalia pedidos de cassação de quatro deputados até agora, pisa em ovos. Indicados por políticos poderosos, os 15 integrantes temem ter de decidir o futuro dos padrinhos.

Folha de São Paulo: "Buratti diz que é fácil provar propina" - Rogério Buratti, ex-secretário do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, afirma que não é impossível obter provas de que a Leão Leão pagava propina de R$ 50 mil mensais a Palocci quando ele era prefeito de Ribeirão Preto (SP) pela segunda vez, entre 2001 e 2002.

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O músico Thiago Zaidan, em foto histórica, posa no saudoso Armazém

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Nosso Thiago Zaidan no Jô

Sintonizei o Jô anteontem meio atrasado e, mais entretido com o novo Ponte Velha do que com o programa, levei um susto quando um dos entrevistados falou em Penedo. Deixei a leitura do jornal para depois e tentei entender o que estava acontecendo na telinha. Outro susto, maior do que o primeiro: sentado bem no meio do famoso sofá, o nosso grande violonista Thiago Zaidan, um dos integrantes da trupe do André Whately no espetáculo "Vinicius de Moraes... É Demais!"

Fiquei sabendo, então, que os principais convidados da noite (apareceram na entrevista e no final do programa) eram os rapazes da Cia de Humor, liderados pelo sensacional Valério Wiz, músico e humorista de primeiríssima linha (que, parece, tem casa ou mora em Penedo). Só para se ter uma idéia do quanto eles são bons, esta foi a sétima vez que estiveram no Programa do Jô! Como o Thiago é novo na turma, deve ter sido a primeira dele e, com certeza, não será a última, graças ao seu enorme talento.

Entusiasmado com a apresentação do Thiago e sua trupe (não custa nada valorizar a prata da casa, né?), resolvi dar uma olhada no site da Cia de Humor e levei o terceiro grande susto da noite: é, sinceramente, um dos mais belos trabalhos que já vi em toda a infinita rede, de emocionar os amantes do teatro e de todas as artes. Por isso, não pense duas vezes para clicar aqui. Demora um pouquinho para carregar a página inicial, mas vale a pena esperar.

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sábado, 27 de agosto de 2005


Um camisa 10 nos ares (Foto AFP)

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Robinho aterrisa no Real Madrid

Do UOL Esporte

O técnico Vanderlei Luxemburgo decidiu inscrever o atacante Robinho para a estréia do Real Madrid no Campeonato Espanhol, neste domingo, contra o Cadiz. O jogador se apresentou à equipe na sexta-feira e neste sábado já treinou com os novos companheiros.

Luxemburgo afirmou que Robinho não irá começar a partida como titular. Mas o ex-atacante santista pode entrar no decorrer do jogo.

"Ele vai ficar no banco, mas se nós tivermos a chance de utilizá-lo, vamos usá-lo. Eu o conheço e sei que ele está bem fisicamente. Ele é um jogador e vai se adaptar", disse Luxemburgo.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Sexta de música no Calçadão

Há alguns anos eu penso fotografar a Banda Sinfônica da AMAN tocando no Calçadão de Campos Elíseos. Acontece que essas esporádicas apresentações musicais acontecem sempre sem aviso prévio, nos fins de tarde e, diante do fato consumado, nunca dá tempo de correr atrás das câmeras. Mas hoje foi diferente: surpreendi os músicos ainda afinando os instrumentos e, finalmente, o desejo realizou-se. O resultado (ou parte dele) está aí embaixo, exclusivamente para vocês, amáveis e fiéis freqüentadores do RA.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Velhinha de Taubaté (1915-2005)

Crônica de Luís Fernando Veríssimo

Morreu no último dia 19, aos 90 anos de idade, de causa ignorada, a paulista conhecida como "a Velhinha de Taubaté", que se tornou uma celebridade nacional há alguns anos por ser a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo. O fenômeno, que veio a público durante o governo Figueiredo, o último do ciclo dos generais, levou multidões a Taubaté e transformou a Velhinha numa das maiores atrações turísticas do estado.

Além de estandes de tiro ao alvo e de venda de estatuetas da Velhinha e de uma roda-gigante, ergueram-se tendas para vender caldo de cana e pamonha em volta da pequena casa de madeira onde a Velhinha morava sozinha com seu gato, e não era raro a própria Velhinha sair de casa e oferecer seus bolinhos de polvilho a curiosos que chegavam em ônibus de excursão para serem fotografados com ela e pedirem seu autógrafo.

A Velhinha sempre acompanhou a política e acreditou em todos os governos desde o de Getúlio Vargas, inclusive em todos os colaboradores dos governos militares, "até", como costumavam dizer muitos na época, com espanto, "no Delfim Netto!" O presidente Sarney telefonava freqüentemente para Taubaté para saber se a Velhinha, pelo menos, ainda acreditava nele, e Collor foi visitá-la mais de uma vez para pedir que ela não o deixasse só.

As circunstâncias da morte da Velhinha de Taubaté ainda não estão esclarecidas. Sua sobrinha Suzette, que tem uma agência de acompanhantes de congressistas em Brasília embora a Velhinha acreditasse que ela fazia trabalho social com religiosas, informou que a Velhinha já tivera um pequeno acidente vascular ao saber da compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique Cardoso, em quem ela acreditava muito, mas ficara satisfeita com as explicações e se recuperara.

Segundo Suzette, ela estava acompanhando as CPIs, comentara a sinceridade e o espírito público de todos os componentes das comissões, nenhum dos quais estava fazendo política, e de todos os depoentes, e acreditava que como todos estavam dizendo a verdade a crise acabaria logo, mas ultimamente começara a dar sinais de desânimo e, para grande surpresa da sobrinha, descrença.

A Velhinha acreditara em Lula desde o começo e até rebatizara o seu gato, que agora se chamava Zé. Acreditava principalmente no Palocci. Ela morreu na frente da televisão, talvez com o choque de alguma notícia. Mas a polícia mandou os restos do chá que a Velhinha estava tomando com bolinhos de polvilho para exame de laboratório. Pode ter sido suicídio. O ambiente no parque de diversão em torno da casa da Velhinha de Taubaté é de grande consternação.

Publicado hoje no Globo Online

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Olha o Millôr de novo aí, gente!

Contrato de Risco

Ninguém até hoje provou que vale a pena matar um ditador ou chefe de estado autoritário. Ou mesmo "democrático". Desde Júlio César (valeu substituí-lo por Otávio?). Kennedy (não piorou com Johnson?). Até a tentativa de liquidar De Gaule deu em nada... O mundo continuou girando da mesma maneira e a Lusitana, pois é. Nisso o Brasil é um país sábio. Só matamos Pinheiro Machado, que era ditatorial mas não chegou a ditador. Os professores doutores operaram Tancredo 7 (sete) vezes seguidas, até acabar com ele. Deu num Sarney. Caso típico de iatrogenia (efeito colateral do ato de curar, que os que não sabem grego chamam de mancada). Aqui não houve atentado nem contra nossos ditadores-rodízio. E quando tiramos Collor trocamos por FhC, vocês me digam se valeu a pena. E esse foi substituído pelo que está aí que ninguém quer que vá embora. O povo brasileiro sabe que o estoque de salvadores é inesgotável. E sempre vem um pior.

Reescrevendo a história

Se Lula realmente não sabe nada, precisamos reescrever pelo menos uma história das Mil e Uma Noites. Que passa a se chamar "Ali Babaca e os Quatrocentos Ladrões".

Poemeu Glorial

Eu canto esses heróis
Que governam o Brasil
E quero que vão todos
Para o céu de anil.

Millôr é o primeiro dos Favoritos do RA.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Um dia na vida da CPI

Escrito por Dalila Góes*, da Revista TPM

São dez da manhã e o seu Delúbio já chegou. Está numa salinha de sofá marrom vigiada por um moço que, tenho certeza, herdou o paletó do avô mais gordo e muito mais baixo. Sobra pano, a calça é quase "santro-queixo", e o cabelo… Bem, CPI é coisa de carecas, semicarecas ou despenteados. Ali, o único no grau é Aceemezinho, o neto baixinho do Aceemezão, que não masca chicletes desde que a colunista Danuza Leão questionou onde ele guarda os bubbaloos enquanto fala.

Hoje é quarta, 20, Delubio’s day, o cara que tinha a chave do cofre do PT, o ex-tesoureiro. Entro no anexo 1 do Senado às 7h da madrugada e, acreditem, o lugar já está fervendo. A tia do café avisa que vai servir a segunda garrafa do dia enquanto a senadora Heloísa Helena brinca de encher buraco nos jornais da manhã. É assim: ela passa, o colega chama, combinam uma pergunta e Heloísa fala, fala, fala e fala. É conhecida nos corredores do Senado como a Aracy de Almeida da CPI. Esculhamba com Deus e o mundo, mas tudo no maior respeito, claro, e o povo corre só para vê-la apontar o dedo na cara do interrogado. A probabilidade de ela gritar "Vossa Excelência me respeite", com o sotaquezão alagoano, é de 95%. Show!

Onyx Lorenzoni também é campeão de audiência. Sabendo disso capricha no gel para maquiar a careca. Na opinião da Carla, 9 anos, filha da faxineira do terceiro andar, é o tio mais bonito e legal porque sempre deseja bom-dia, boa-tarde, boa-noite e não se importa se as crianças bagunçam a CPI alheia. "Mas sempre fico quietinha na porta. Só trouxe uma amiga uma vez, porque a comadre da minha mãe ia fazer entrevista no Carrefour e a Maryanne não podia ficar sozinha ..."

De longe vejo o Severino. Não o presidente da Câmara, mas o garçom, clone do presidente, e figura tão importante quanto. Se Severino garçom está na área é porque o show já vai começar. É ele quem serve a água, a Coca light e o café do povo da mesa. Gente muito fina. Importantíssimo. Osmar Serraglio, o relator, escreve qualquer coisa em um folhinha de caderno. Conversa ao pé do ouvido com Romeu Tuma. Os dois riem. Chega Delcídio Amaral, entra ainda se arrumando, penteando o cabelo e faz o sinal-da-cruz. Tuma levanta, estava sentado justamente na cadeira da autoridade. Ainda no meio de gente falando alto, parlamentar de pé e gritando no celular, assessores flanando, o senador inicia os trabalhos com a questão de ordem.

As câmeras ainda não estão ligadas e deputados e senadores reclamam de tudo. Reclamam porque chegaram muito cedo, reclamam porque um suplente falou no lugar de um titular, reclamam porque souberam de tal assunto pelo jornal, reclamam porque muitos colegas não prestam atenção e fazem perguntas repetidas. A pendenga dura 15 minutos e ninguém resolve nada. Silêncio. Agora é pra valer. Não, não é. Antes de começar, a mesa agradece a presença de alguns promotores, procuradores, advogados e fulanos de tal. Só faltou mandar beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

Agora sim, de câmeras ligadas e no meio de flashes, entra Delúbio. Osmar Serraglio finalmente revela ao mundo o que tanto escrevia no papel de caderno. Em um surto de inspiração cita Raul Seixas, o filósofo Cícero, padre Zezinho (aquele do um dia uma criança me parou, olhou-me nos meus olhos a sorrir… lá lá lá lá ) e ainda invoca John Lennon. Em pausas cansadas, quase chora: "Senhor Delúbio, não vamos perder tempo. Diga a verdade. Será que o sonho acabou?". Será?

20 de julho, 21h31. Já fui e voltei do Congresso Nacional duas vezes e Delúbio Soares ainda presta depoimento na sala lotada da CPI. O ex-tesoureiro do PT já confirmou o caixa dois e tenta isentar dirigentes do governo. Das 10h31 até agora já foram servidos 42 sanduíches mistos, 70 litros de café e 150 de água e 30 garrafas de Coca-Cola. Cinco deputados ainda esperam para falar.

* Dalila Góes é jornalista, tem 30 anos, acha que Brasília é o melhor lugar do mundo - sim, ela conhece outras cidades - e em dias de CPI recomenda o banheiro do segundo andar e o restaurante do décimo. Não, ela não está levando uma mala de dinheiro para fazer propaganda disso.

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terça-feira, 23 de agosto de 2005

Lula perderia para Serra no segundo turno

Da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perderia hoje a eleição para o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), num eventual segundo turno, de acordo com pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira pelo Jornal Nacional. Na pesquisa Ibope, Serra aparece com 44% das intenções de voto, enquanto Lula teria apenas 35% (brancos e nulos somam 17%; não souberam ou não opinaram, 4%).

O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 143 municípios entre 18 e 22 de agosto. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

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O RA na mira dos hackers

Neste exato momento, o RA acusa nove visitantes, número bastante alto para as nossas acanhadas instalações. Da última vez que isso aconteceu (anteontem), sofremos o nosso primeiro ataque de hackers, na forma de comentários (oito) postados sob os carros da fórmula um. Todos eles em inglês e com mensagens bem parecidas, do tipo "olá, gostei muito do seu blog e já o coloquei nos meus favoritos; por favor, visite o meu clicando aqui". Deletei os suspeitos umas quatro vezes seguidas e eles sempre retornavam na mesma seqüência. Finalmente, desistiram e foram amolar outro.

Agora, acabo de deletar um comentário idêntico postado na primeira foto da Luana, o que pode ser o prenúncio de um novo ataque. Já dei uma checada no Nedstat (nosso medidor de visitas) e encontrei o seguinte panorama: dos dez últimos visitantes, quatro são dos Estados Unidos, um do Canadá, um da Bélgica e um da Dinamarca. Os outros três são os meus grandes amigos do Comitê Gestor da Internet, os mais assíduos freqüentadores do RA:

1. 23 August 20:31 Skynet Belgacom, Belgium
2. 23 August 20:36 Covad Communications, United States
3. 23 August 20:37 Verizon Online, United States
4. 23 August 20:38 @Home, United States
5. 23 August 20:42 Rogers Communications Inc., Canada
6. 23 August 20:43 Tele Danmark, Denmark
7. 23 August 20:44 Comite Gestor da Internet, Brazil
8. 23 August 20:45 Comite Gestor da Internet, Brazil
9. 23 August 20:46 Road Runner, United States
10. 23 August 20:48 Comite Gestor da Internet, Brazil

Só me resta esperar que esses desocupados se cansem logo deste humilde blog que só quer ficar quietinho no seu canto, espiando as musas, sacaneando os políticos safados e, de vez em quando, postando alguma coisa que presta.

PS: Acabo de deletar outro comentário suspeito!

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Manchete do Jornal Nacional agora há pouco

Índio cinta-larga foi pego com 70 diamantes dentro da cueca. Faz sentido.

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Luana Piovani pronta para gravar na fábrica da Peugeot

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... últimos retoques na maquiagem (e precisa?)

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... luz, câmera, ação

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... cena mais que perfeita

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... para matar as amigas de inveja

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Uma musa leva à outra

Aproveitando a iluminada presença da musa Sharapova aí embaixo, devo informar que nesse amplo quesito (beleza, sensualidade, competência e - last but not least - inteligência), o RA cultua vários outros mitos, alguns bem mais próximos e acessíveis do que a estonteante beldade russa. Luana Piovani, também musa, é um ótimo exemplo de mulher brasileira, linda e famosa, que você pode encontrar a qualquer momento na praia, no cinema ou no teatro (nesse caso, sobre o palco, sua maior paixão). Poucos anos atrás, por sinal, ela passou um dia inteiro na fábrica da Peugeot gravando o comercial de lançamento do primeiro modelo brasileiro da montadora localizada em Porto Real. Quem a viu (louríssima e de vestido vermelho), não esquece jamais. Para quem não viu, alguns momentos do making of do filme publicitário veiculado nas tevês. Essas fotos foram feitas, se não me engano, por uma funcionária da fábrica. E se você, blogueiro insaciável, quiser ver mais Luana (o que é perfeitamente compreensível), visite o sensacional site da musa, que já faz parte dos Favoritos do RA.

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segunda-feira, 22 de agosto de 2005


A musa na pré-estréia do filme Wimbledon

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Sharapova chega ao topo do ranking

Maria Sharapova, a musa nº 1 do RA, é também agora a melhor tenista do mundo. Com apenas 18 anos de idade, a bela arrasa corações nas quadras e fora delas, atuando, principalmente, como modelo de grandes marcas, uma atividade que deve lhe render este ano cerca de US$ 20 milhões em acordos publicitários.

A imagem de Sharapova é explorada por nove empresas. Entre elas destaca-se a Motorola, que paga à tenista russa aproximadamente US$ 6 milhões. Também fazem parte da lista de patrocinadores da musa a Colgate-Palmolive, com US$ 2 milhões anuais, e a Tag-Heuer, marca de relógios luxuosos, com US$ 1 milhão.

Dados da Folha Online.

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Bela em momento de fera (Foto Reuters)

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Quem é a musa do RA

Nome: Maria Sharapova
Nascimento: 19/4/1987
Local: Nyagan (Rússia)
Residência: Bradenton (EUA)
Altura: 1,83 m
Peso: 59 kg
Títulos: 9
Premiação: US$ 3.557.595
Vitórias/derrotas: 145/38
Ranking 2004: 4º
Ranking 2003: 32º
Ranking 2002: 186º

Fonte: Folha Online

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Militares mostram apreensão com crise

Eliane Catanhêde, colunista da Folha

As Forças Armadas acompanham a crise política com muita preocupação e com a avaliação de que é importante para a democracia manter o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fim do mandato, mas falar em reeleição é considerado quase uma afronta.

Motivo: ele não teria mais apoio da opinião pública qualificada e teria de mobilizar perigosamente as massas. O governo, como teme a cúpula militar, poderia ficar "refém do MST" (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Conforme a Folha apurou, os comandos e os órgãos de inteligência de Exército, Marinha e Aeronáutica mantêm contatos assíduos, às vezes até diários, para acompanhar a crise. Os comandantes têm, inclusive, um telefone exclusivo para uso entre os três, com misturador de voz.

As críticas ao PT e ao governo são cada vez mais abertas, mas a intenção não é intervir de nenhuma forma e, sim, monitorar principalmente as intenções de dois personagens centrais: o ex-ministro José Dirceu e o MST. O temor é que, fragilizado politicamente, Dirceu aja com a "alma guerrilheira", da qual os militares acham que ele nunca se libertou. Ou seja, articule uma reação de massas para segurar Lula e o governo, provocando confrontos de proporções incertas.

Quanto ao MST, a inteligência militar vê com desconfiança seus principais líderes, como João Pedro Stedile, estarem reclusos e articulando apenas nos bastidores. Há uma convicção, inclusive no Gabinete de Segurança Institucional, que assessora o presidente, de que, para onde o MST pender, os demais movimentos tradicionalmente vinculados ao PT também penderão. Esses movimentos, considerados "radicais" pelos militares, estão se descolando do governo Lula, mas, ao mesmo tempo, não têm alternativa a ele.

Por mais que rejeitem a política econômica ortodoxa e estejam tão indignados com as denúncias como os próprios militares, esses movimentos não se animariam a defender o impeachment, até porque está claro que Lula arrastaria o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar. O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, segundo na linha de sucessão, é considerado uma "não-opção".

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Fora Blair!


Tony? Sir Ian? Ou ambos?

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Caso Jean Charles pode virar disputa diplomática

Do site da BBC Brasil

A investigação do caso Jean Charles de Menezes pode levar uma a "grande disputa diplomática" entre o Brasil e a Grã-Bretanha, afirma nesta segunda-feira o jornal britânico The Guardian. Em reportagem de capa, o diário afirma que a Scotland Yard e a polícia de Londres irão enfrentar "duros questionamentos" dos dois enviados especiais do governo brasileiro que vão investigar o caso.

"O crescente interesse do governo brasileiro e a revolta da família De Menezes por terem sido oferecidas 15 mil libras para o pagamento de despesas podem fazer a situação virar uma grande disputa diplomática", diz o jornal.

Sobre o mesmo caso, o The Times diz que, no sábado em que foi revelada a identidade de Jean Charles, policiais demoraram várias horas para informar o chefe da polícia, Ian Blair, que um inocente havia sido morto por engano.

"O que ninguém sabe é por que ninguém o tirou da cama", disse um agente ao jornal.

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domingo, 21 de agosto de 2005


Na Turquia, as Renault fazem um sanduíche de McLaren
Foto EFE

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Kimi Raikkonen vence mais uma vez

Com a vitória do finlandês Kimi Raikkonen hoje no GP da Turquia, o campeonato mundial de Fórmula Um, ficou assim:

Fernando Alonso (Renault): 95 pontos
Kimi Raikkonen (McLaren): 71 pontos
Michael Schumacher (Ferrari): 55 pontos
Juan Pablo Montoya (McLaren): 40 pontos
Jarno Trulli (Toyota): 39 pontos
Giancarlo Fisichella (Renault): 35 pontos
Ralf Schumacher (Toyota): 32 pontos
Rubens Barrichello (Ferrari): 31 pontos

Faltam apenas cinco provas para o final da temporada: os GPs da Itália, da Bélgica, do Brasil, do Japão e da China.

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Robinho feliz na Vila (Foto EFE)

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Adeus Brasil

Robinho - a mais nova estrela do Real Madrid - se despede dos torcedores santistas e de todo o Brasil marcando dois gols na partida contra o Figueirense, que terminou com o placar de 4 a 3 para o Santos.

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Polícia sabia que brasileiro não era risco

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Família de Jean Charles recusa oferta de 15 mil libras

O jornal The Independent afirma em sua edição de domingo que o chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, será questionado pela Comissão Independente sobre Queixas contra a Polícia (IPCC) a respeito da série de erros cometidos na operação que resultou na morte de Jean Charles de Menezes e seu papel nos eventos seguintes.

E, apesar de citar as tensões entre o IPCC e a polícia e revelar que menos de 90 minutos depois do brasileiro ser baleado, Blair escreveu ao Ministério do Interior pedindo o atraso do inquérito do IPCC, em seu editorial deste domingo, o The Independent afirma que Blair deve permanecer no cargo, por enquanto.

O The Independent também traz a informação de que a família de Jean Charles de Menezes rejeitou "enojada" a oferta da polícia de Londres, de 15 mil libras para pagamento de despesas, além de trazer a comparação entre a versão dos fatos inicialmente divulgada e o que os documentos vazados nesta semana afirmam sobre a morte do brasileiro.

Do site da BBC Brasil

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O comissário Ian Blair e Jean Charles

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"Houston, temos um problema"

O tablóide inglês News of the World traz na capa deste domingo a entrevista exclusiva com o chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair. Falando sobre o momento em que foi comunicado do erro na morte de Jean Charles de Menezes, Blair afirmou: "Alguém veio por volta das 10h30 da manhã e disse o equivalente à 'Houston, temos um problema'. E eu pensei que era terrível".

Do site da BBC Brasil

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O ministro Antônio Palocci visto por Diogo Salles

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Palocci dá explicações

Neste momento, o ministro Antônio Palocci está na TV esclarecendo as questões do seu suposto envolvimento com a chamada Máfia do Lixo. Depois de um pronunciamento de quase meia hora de duração (transmitido por algumas emissoras de canal aberto), Palocci agora responde a perguntas de jornalistas, passando, a meu ver, uma imagem bastante positiva, de segurança e serenidade.

Para o bem da economia brasileira (e de nós mesmos), é melhor que o ministro saia dessa sem nenhum arranhão. Sem ele, o Governo Lula - que precisa chegar ao seu final - simplesmente não existe.

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Avião da FAB levou caravana da UNE à Venezuela

Jailton de Carvalho, do Globo Online

Na última terça-feira, caras-pintadas ligados à União Nacional dos Estudantes (UNE) fizeram uma manifestação na Esplanada dos Ministérios a favor do governo. A cortesia tem sido recíproca. No dia 6, após uma longa costura política, um Boeing 707 da Força Aérea Brasileira foi usado para transportar 140 estudantes de São Paulo para Caracas, na Venezuela, onde participaram do 16º Festival Mundial da Juventude, uma jornada de palestras, debates e recitais de poesia. De acordo com o presidente da UNE, Gustavo Petta, quem conseguiu o avião foi o Comitê Nacional Preparatório para o Festival, com a interlocução do vice-presidente José Alencar.

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Bem-Te-Vi derruba o mensalão


A revista Istoé investe agora em um novo escândalo

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O Globo: "Buratti usou o nome de Palocci com empresários" - Gravações mostram tentativa de envolver ministro.

Jornal do Brasil: "Voto nulo ameaça política" - O pesadelo dos escândalos.

* Desencanto - Pesquisa mostra eleitores dispostos a protestar nas urnas.

* Reação - Ex-intocável, Palocci marca entrevista para rebater denúncias.

* Devassa - Tribunal de Contas investiga saques com cartões de crédito do Governo.

* Divã - Lula vive processo de negação da realidade, avaliam psicanalistas.

Folha de São Paulo: "Planalto se arma para blindar Palocci" - Estratégia inclui apoio político de Lula, entrevista do ministro, negociação com a oposição e retirada das investigações do MP paulista.

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sábado, 20 de agosto de 2005

Mudanças no RA

Pois é, companheiros navegantes: não sei se vocês repararam, mas ontem (sexta-feira, 19) não postei nada no RA, e o motivo foi absoluta falta de tempo! Depois de um longo e tenebroso inverno (leia-se também verão, outono e primavera), os trabalhos estão agora inundando a minha horta, o que, convenhamos, é uma excelente notícia. O problema é que a atividade blogueira acaba ficando em segundo plano diante das inadiáveis obrigações profissionais. Isso porque, como todo internauta está cansado de saber, os blogs ainda não ajudam ninguém a pagar as contas, os juros, as taxas bancárias, os impostos e, por tabela, o sagrado mensalão dos deputados da base aliada! O jeito é tentar conciliar as duas coisas e, para isso, já estou tomando algumas providências.

A primeira delas é deixar o RA menos verborrágico, ou seja, encurtar ao máximo os posts (grandes matérias e entrevistas quilométricas vão para o Guardaletras, outra filial do RA que deve estreiar amanhã); a segunda é deixar as páginas sempre coloridas, cheias de fotos e ilustrações; a terceira e última providência é falar mais da cidade que dá nome ao blog. Afinal, Tolstói estava coberto de razão quando disse que nos tornamos universais quando cantamos a própria aldeia.

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quinta-feira, 18 de agosto de 2005


Duran reproduz a luz do filme Summer of 42 em uma praia de Trancoso

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Houve uma vez um verão

J.R. Duran

O filme "Summer of 42" (1971) dirigido por Robert Mulligan contava, poeticamente, a história de um jovem que, durante umas férias de verão, se apaixona por uma mulher, mais adulta, que está à espera da volta de seu marido, que luta em algum front da Segunda Guerra Mundial.

Para a matéria publicada na revista Daslu #23, com o título de "Antes do anoitecer", a luz do filme (não a relação), que nunca se apagou de minha memória, esteve sempre presente em minha mente enquanto fotografava a bela Marcelle Bittar e o intenso Gabriel Mattar, em um lânguido fim de tarde baiano, em uma praia de Trancoso.

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Chapa branca

Marcelo Tas

Os dias andam realmente estranhos. Estudantes da UNE, fazem manifestação à favor do governo em Brasília. Tinha pouca gente, mas mesmo assim, confesso minha preocupação. Pra mim, estudante universitário é um ser com todo o direito à rebeldia, ser do contra, questionar a ordem do mundo... e até cometer asneiras. Mas nunca ser chapa branca. Nunca vi isso. Nem o pessoal de direita da Poli fazia isso para apoiar o governo da ditadura.

Agora surgem esses neo-cara pintadas a favor de Lula. E contra a corrupção... Hummmm... Sei não. Aí tem. No mínimo muita gente mal intencionada ou simplesmente medíocre mesmo.

Publicado no Blog do Tas (link nos Favoritos do RA).

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Como o governo colabora com a CPI dos Correios

Ricardo Noblat

De Lula, ontem, em discurso no interior da Bahia:

- Não haverá, da nossa parte, nada que não possa favorecer nenhuma investigação.

Do comportamento, hoje, da bancada do governo na CPI dos Correios:

* barrou a aprovação de requerimento para que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fosse ouvido sobre remessas irregulares de dinheiro para o exterior;

* barrou a aprovação de requerimento para que o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, fosse ouvido sobre o pagamento que fez de empréstimo concedido pelo PT a Lula antes da eleição dele;

* barrou a aprovação de requerimento do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) para que o DAC informe quantas viagens Fábio Lula da Silva, filho de Lula, fez ao Japão desde que o pai se tornou presidente da República;

* barrou a aprovação de requerimento para que fosse ouvido o doleiro Toninho da Barcelona sobre a remessa para o exterior de dinheiro do PT.

Publicado hoje no Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Vida de bacana

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Lula despenca em pesquisa do Ibope

Se as eleições presidenciais fossem hoje, Lula perderia não apenas para o prefeito José Serra, mas também para o governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os três aspirantes a candidato pelo PSDB em 2006.

Foi o que acabou de revelar no Jornal da Band o jornalista Ricardo Boechat com base em dados da mais recente pesquisa do IBOPE que chegararam, hoje, ao conhecimento de Lula e de assessores dele. Boechat disse que não se sabe se a pesquisa será divulgada.

Serra abre 20 pontos percentuais de vantagem sobre Lula.

Publicado hoje no Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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A morte de Jean Charles de Menezes

* Ele não fez nenhuma menção de correr
* Ele foi seguro antes de ser atingido
* Ele foi baleado ao se sentar


Manchete de hoje do jornal britânico The Guardian

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Caminhada virtual rumo a Brasília

Junte-se a nós! Não é preciso tênis, cantil, mochila e, muito menos, fôlego. Basta clicar no link localizado abaixo das Últimas Notícias.

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Cara-pintada grita seu apoio a Lula (Reuters)

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Adeus às ilusões

Cora Rónai

Em menos de dois anos, e por menos de dois milhões, o PT conseguiu fazer o que a ditadura militar jamais conseguiu, apesar do empenho de décadas: desmoralizar a UNE.

Estudante pelego.

Taí, isso é novidade pra mim.

Publicado no InternETC (link nos Favoritos do RA).

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Aí o Marcos Valério me perguntou: Jacinto o quê?
(Folha Imagem)

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terça-feira, 16 de agosto de 2005

Embaixadora compara moçambicanos a seu cachorro

Do blog do Ruy Nogueira

A embaixadora do Brasil em Moçambique, Leda Lúcia Martins Camargo, insultou dois seguranças de um dos maiores complexos comerciais da capital moçambicana, o Shoprite, depois que eles a impediram de entrar no estabelecimento com seu cachorro, relata o semanário Zambeze em sua última edição. A embaixadora comparou os moçambicanos ao seu cão e os chamou de porcos, segundo informam jornais do país.

De acordo com os trabalhadores do complexo que funciona no coração de Maputo, ao ser impedida de entrar no Shoprite, a embaixadora do Brasil disse que seu cachorro "era mais limpo que Maputo (capital do país) e que seu animal de estimação era mais limpo que os moçambicanos". "Não há razões que me impeçam de entrar no centro comercial porque meu cachorro é limpo", diz o jornal citando a embaixadora.

O jornal Zambeze ouviu Leda Lúcia com relação ao assunto, e ela confirmou ter participado deste "incidente". Segundo consta, é proibida a entrada de animais no centro comercial em que o episódio ocorreu. "Chegamos perto da embaixadora, e ela disse que o cão era mais limpo que a cidade de Maputo e que os próprios moçambicanos", afirmou um funcionário do local ao jornal.

O diário levanta outros problemas de relacionamento entre a diplomata e os trabalhadores da missão diplomática brasileira em Maputo. Os funcionários da missão diplomática fizeram um abaixo-assinado na própria embaixada e o levaram ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e de Cooperação e ao Ministério do Trabalho, em que fazem denúncias de supostas arbitrariedades cometidas pela diplomata. No abaixo-assinado, os trabalhadores pedem para ser "respeitados e tratados como seres humanos". "Pedimos para ser tratados com cordialidade", escrevem em carta dirigida a essas instituições.

Os funcionários da missão diplomática dizem que esta embaixadora "é a pior que passou por aqui". "Passaram bons embaixadores por aqui e nunca houve problemas. Hoje somos maltratados e obrigados a conviver com os animais da senhora embaixadora", relatam.

Quando contatada pelos jornais locais, a embaixadora disse: "agi porque não admito ser ferida por pessoas inferiores". "Confirmo o incidente com os dois trabalhadores daquele centro que queriam chutar meu cachorro", disse a diplomata brasileira. "Sei que em Moçambique e no Brasil não se aceita a circulação de animais em restaurantes, mas este chiuaua era da minha falecida mãe e hoje dorme comigo no meu travesseiro", afirmou a diplomata. A diplomata acusa os trabalhadores de tentarem "estragar as relações diplomáticas entre Moçambique e Brasil".

Publicado no Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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Lista dos ameaçados de perder o mandato

O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), divulgou a lista oficial de deputados citados durante as investigações e que podem ter os mandatos cassados por quebra de decoro:

* Carlos Rodrigues (PL-RJ)
* João Magno (PT-MG)
* João Paulo Cunha (PT-SP)
* José Borba (PMDB-PR)
* José Dirceu (PT-SP)
* José Janene (PP-PR)
* José Mentor (PT-SP)
* Josias Gomes (PT-BA)
* Paulo Rocha (PT-PA)
* Pedro Corrêa (PP-PE)
* Pedro Henry (PP-MT)
* Professor Luizinho (PT-SP)
* Roberto Brant (PFL-MG)
* Roberto Jefferson (PTB-RJ)
* Romeu Queiroz (PTB-MG)
* Vadão Gomes (PP-SP)
* Wanderval Santos (PL-SP)
* Sandro Mabel (PL-GO)

Publicado no Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Diálogos Republicanos

Crônica de Nelson Motta

Enquanto foi ministro, José Dirceu recebeu Delúbio Soares 14 vezes em seu gabinete, oficialmente, em audiências que duraram entre 30 e 90 minutos. Como Dirceu jura que se afastou do comando do PT quando assumiu a Casa Civíl e como Delúbio não integrava o governo, a pergunta que não quer calar é: sobre o que tanto conversavam Dirceu e Delúbio no Palácio do Planalto?

Algumas hipóteses:

Delúbio – Tenho um esquema infalível, absolutamente seguro, para resolver as nossas dívidas da campanha. Mas nem vou te contar nada para não estragar a surpresa.

Dirceu – Vamos comprar o PL, o PP e o PTB e garantir nossa maioria parlamentar – você sabe, a única maioria confiável é a comprada, eles pensam que são nossos aliados mas são nossos empregados. Assim não precisamos nos misturar com essa gentalha do Jefferson e do Valdemar. Somos revolucionários puros, a causa é nobre e a História nos fará justiça.

Delúbio - Vamos expropriar o dinheiro que a burguesia rouba do povo, comprar esses 300 picaretas e fazer a revolução do proletariado!

Dirceu – O que fazer já sabemos, companheiro, mas como fazer?

Delúbio – ‘xacomigo, chefe. Conheci em Belo Horizonte um grande companheiro que tem idéias geniais e ótimos contatos. Você vai adorar o Marcos Valério. É a sua cara.

O diálogo é absurdo, claro, porque todo mundo sabe que nunca, nem no gabinete nem fora dele, nem pelo telefone ou por e-mail, Dirceu e Delúbio jamais discutiram dívidas de campanha do PT e muito menos comprar partidos e deputados bandoleiros para compor maioria parlamentar. E, claro, embora Delúbio fosse o tesoureiro do PT, jamais falaram em dinheiro. Só em honra e dignidade.

Dirceu tem certeza que somos todos idiotas. Mas o mais humilhante é ter que acreditar em Roberto Jefferson.

Publicada no Sintonia Fina (link nos Favoritos do RA).

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A ressurreição do imortal Ibrahim

Caro amigo internéptico: já leu a grande entrevista do grandessíssimo Millôr? Não? Então vá, corra, antes que essa autêntica pérola e dezenas de outras preciosidades espalhadas pelo RA sejam devidamente trancafiadas no Guardaletras (éééé garoto, vem mais novidade por aí...). Quem espera sempre cansa, cavalo não desce escada e ademã que eu vou em frente (sorry periferia)!

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domingo, 14 de agosto de 2005

Presente do Dia dos Pais: entrevista novinha com Millôr

E assim publicitários, políticos, homens da mala e secretárias assaltam o País e vão dando razão à máxima de Millôr: o ser humano é inviável.

Por Laura Greenhalgh e Sérgio Augusto*

Enquanto a crise política continua provocando estados de comoção e desapontamento, Millôr Fernandes, 82 anos, afirma de boca cheia: "Sou indecentemente feliz". Alienado? Jamais. Está de olhos e ouvidos atentos a tudo - em particular aos tropeços e contradições dos que freqüentam as salas das CPIs ou o púlpito dos comunicados oficiais. Entre delcídios e delúbios, o "guru do Méier" se esbalda. "Lula não tem consciência da própria ignorância", analisa. "Chávez é um patife", assume sem medo de ser atrevido. "Jefferson ainda vai entrar para a História", avisa. "A esculhambação no País é geraaaal", diz expandindo a vogal, num exagero calculado.

O olhar fixo na CPI começa cedo, ou melhor, começa assim que um amigo do peito faz soar o lembrete pelo telefone: "Já começou o depoimento da Zilmar. Vai lá, liga a tevê". No ateliê em Ipanema, onde Millôr trabalha todos os dias, as questões de ordem de Brasília começam a provocar o mestre. A cada uma daquelas afirmações que não passariam pelo detector de mentiras, Millôr rebate que a canalhice é imensa, a ignorância não tem limites e o ser humano é inviável. Dispara palavrões com sua balística demolidora e confirma-se no posto de temível observador (ou seria dissecador?) da cena política nacional.

Por que se sente "indecentemente feliz"? "Porque não vivo para comprar iate e tenho dinheiro para pagar minhas contas", explica o jornalista, escritor, dramaturgo, ilustrador e requintado tradutor dos clássicos, que não gosta de ser chamado de erudito. "Sou um oligofrênico topográfico. Me perco até em porta giratória", caçoa. Ateu confesso, carrega na alma amuletos contra o politicamente correto. Odeia certinhos ("e o ACM Neto com aquelas roupinhas, hein?") e amaldiçoa a publicidade ("ela vende mentiras").

Entre os cacoetes que cultiva, sente um prazer incomensurável de dizer que "Hitler era viado". Tiradas assim recheiam a coletânea Todo Homem é Minha Caça, que a Editora Record acaba de relançar. É livro de 1981, que não perdeu nem o viço nem a verve do autor.

Nesta entrevista exclusiva para o Aliás, Millôr pede que seus palavrões não sejam substituídos pelo "eufemismo dos três pontinhos". E a primeira pergunta, leitores, é do entrevistado: "Vamos começar a entrevista assim: Freud era um gênio ou um bobalhão?".

Tudo bem, Millôr, podemos começar por aí. Gênio ou bobalhão?

Nem uma coisa nem outra. Lembra as brigas que Freud tinha com o Jung? No fundo, era briga de duas bichas-loucas. Uma historiadora italiana conta uma passagem ótima com o neto do Freud. O neto pergunta: "Vovô, mulher tem perna?". Faz sentido. Freud nunca viu perna de mulher e fez sua obra girar em torno do sexo. Na época dele, as pessoas iam para a cama e nem tiravam a roupa, a relação era um extra. Em compensação hoje chegamos a um ponto que, se você quiser viver um pouco mais calmo, tem de evitar o sexo, porque a transa é fácil, é imediata. Quando Freud foi para os Estados Unidos com Jung, o reitor de uma universidade quis homenageá-lo, afinal, os americanos se curvavam à psicanálise como ciência. Como sempre, Freud "medrou" e não foi à cerimônia. Jung foi. O reitor fez as apresentações e no final errou. Pediu uma salva de palmas para o doutor Sigmund Freud. É assim que se faz: as pessoas jogam sua crença numa coisa científica e depois votam no Lula.

Pronto, entramos na política. Você tem acompanhado as CPIs?

Acompanho tudo. E alguém consegue deixar de ver? Que país maravilhoso é esse Brasil, que acontece essa esculhambação homérica e até agora não tem ninguém preso... Os contestados, os ameaçados, todos falam de dedo em riste!

Tempos atrás você teria dito que o Brasil é ingovernável. É mesmo?

Não disse que o Brasil é ingovernável. Não diria isso até porque o problema não é o Brasil. Veja o que aconteceu na Espanha pós-Franco. Era uma roubalheira desenfreada com o González. Aquela gente roubava dinheiro em parceria com o ETA! Era dinheiro para dar armas, dinheiro para tirar armas... Na Inglaterra, o filho da senhora Thatcher meteu a mão. O filho do Kofi Annan também, e o pai se faz de distraído.

Ou seja, roubalheira não é coisa nossa?

O que eu acho é que roubalheira, no Brasil, é algo desumano. A corrupção na época de Henrique VIII era briga de foice. O papado, aquela coisa sórdida de tirar dinheiro de todo mundo. Você tinha os pecadores, os pecaminosos e os puros. O negócio das indulgências prosperou porque as pessoas queriam morrer em pureza. Acabaram por descobrir a pureza absoluta, que é a do Cristo, e assim inauguraram o Banco Central das indulgências. O sujeito era considerado louco, tísico ou leproso se não desse a grana. Já no século 18, quando a burocracia foi criada, aí despejaram veneno no mundo. O burocrata é o fim de linha. É o cara que fica na ante-sala e não deixa você falar com quem decide. A mala é o símbolo dessa crise. Mala para caixa dois, para recolher dízimo dos fiéis, para empréstimo... Reedita-se a antiga figura do "homem da mala", o sujeito que paga tudo, que arca com as despesas... Um momento. Quando eu vi a mala com que os agentes da Abin grampearam aquele cara, não acreditei. Eles compraram aquela coisa de um contrabandista do Paraguai, só pode ser. Hoje você filma o sujeito com uma microcâmera instalada no relógio de pulso, e a imagem é digital, o som, perfeito... O que era aquela mala da Abin?!

Pois o presidente jura que não tem nada a ver com isso tudo.

As pessoas não gostam quando falo isso, mas 95% da humanidade é absolutamente idiota, e os outros 5% são discutíveis. O Lula veio de baixo, é um homem de origem humilde, mas o partido dele tem 25 anos. Se não foi no primeiro, no segundo ou no terceiro ano, em algum momento ele passou a receber dinheiro, até como forma de salário do PT. Ora, Lula tem 59 anos. Há 25 anos, tinha 34. Com essa idade ainda se pode ir para o colégio. Passei mais fome do que ele, a diferença é que eu era carioca. Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano, minha mãe, quando eu tinha 10, nós descemos de classe média para proletariado e depois para lumpesinato. Não havia literalmente o que comer, e nem por isso fiquei me queixando. Quando passei de 100 para 300 réis de salário, ia para o curso do Liceu de Artes e Ofícios e pagava para estudar. Não fiquei esperando o Estado bancar.

Você acha que o presidente tem essa mágoa não resolvida, a mágoa da miséria?

Hitler também veio de baixo. Era um filho da puta no meio daquela Áustria cheia de milionários. Agora fica essa conversa de que a elite não engole o Lula. Acabei de escrever uma nota para a Veja com a relação de lucros dos seis ou sete maiores bancos do País. A lista da elite. O que menos lucrou declarou ganhos da ordem de R$ 1,5 bilhão! Daí escrevi: enquanto isso, um bando de vagabundos vai ao Banco Central de Fortaleza e rouba R$ 160 milhões. Mas já se disse: "O que é um assalto ao banco diante de um banco?".

Não há mesmo jeito de acabar com a corrupção?

Corrupção é câncer que não se extirpa. O pessoal se recolhe por um tempo, mas depois volta a meter a mão. Tenho uma idéia: o Brasil deveria instituir o voto contra. Não tem o voto a favor? Então, quero votar contra o Maluf, por exemplo. Duvido que o Garotinho se eleja para alguma coisa.

O que você diz das promessas de faxina ética, das manifestações populares, das convocações pela internet? Vem aí uma onda patriótica?

Tem esse movimento pedindo paz, que coisa linda, e os caras lá do morro vendo tudo e dando risada. Conhece aquela frase? "O patriotismo é o último refúgio do canalha." E eu acrescentaria: no Brasil, é o primeiro. Agora tem a denúncia de que pagaram despesas do presidente no valor de R$ 29 mil. Não é nada na escala da roubalheira. mas, como o salário mínimo é R$ 300, R$ 29 mil equivalem a oito anos de trabalho de uma pessoa que vive com essa mixaria!

Você teve problemas com o ex-ministro Aldo Rebelo?

Escrevi alguma coisa quando ele fez a tal lei proibindo estrangeirismos. Ora, quando os portugueses chegaram a este país trouxeram a língua deles, e pronto. Se não, até hoje estaríamos falando nhangatu, na base do "nós não sabe falar português".

Mas de onde veio a bronca do ministro?

Ele baixou a tal lei e eu escrevi que aquilo era idioletice (sistema lingüístico de um indivíduo). O homem se sentiu ofendido e me processou. As pessoas não têm obrigação de saber o que é idioletice, mas o ministro tem. Ele pediu uma indenização de R$ 30.200, já quantificando o que queria receber! Não disse que ele é um idiota, mas pergunto: no politicamente correto não se pode dizer que um sujeito é idiota? Esse pessoal do governo não sabe que existe poesia, prosa e língua falada. Você escreve poesia. Você escreve prosa. Mas você fala a língua. Fala e vai modificando a língua.

O ministro foi mexer justo com você, um tremendo frasista.

Gosto da precisão da frase. Sartre diz: "O inferno são os outros". Certo, mas eu completo: "E o céu também". Há o dito popular: "Cão que ladra não morde". Eu acrescento: "Enquanto ladra". A igreja prega que "o dinheiro não é tudo". Não é mesmo, dinheiro não compra a juventude, o vigor físico, a inteligência, a felicidade, etc., etc. Então eu diria assim: "Tudo é a falta de dinheiro".

Como ficou o processo?

Respondi com um arrazoado para o ministro, queria ver advogado fazer algo parecido. Mostrei o que é idioletice, fiz um histórico da palavra em várias línguas, fui chamando o sujeito de ignorante de alto a baixo. Entreguei o arrazoado para o departamento jurídico do jornal e esqueci o caso. Mas veja a truculência do método: se eu escrevi um artigo e fui processado, o que dizer da imprensa? Ela pode ser intimidada por esses caras. Eles não sabem que sou uma pessoa honesta por imposição do mercado.

Como assim?

Toda vez que me disponho a ser corrompido, não chegam no meu preço. Quando me dão 5 mil, pode ter certeza que eu tinha pensado em 10 mil. Daí vem um sujeito e me oferece 20 mil, eu que não estou acostumado já vou logo perguntando: o que é que você está pensando de mim?! Vou contar uma piada. O camarada embarca num avião e vai para Nova York com uma mulher linda na poltrona ao lado. Viaja horas entusiasmado, louco para puxar conversa com aquele mulherão. Faltando uma hora para terminar o vôo, toma coragem e diz: "Olha, estamos chegando, você é linda, maravilhosa, se eu lhe oferecer US$ 100 mil, você passa uma noite comigo?". A mulher olha para ele, pensa e acaba aceitando, afinal, são US$ 100 mil. Passa meia hora e o sujeito abre o jogo: "Estou perdido de encanto por você, mas na verdade eu só posso oferecer US$ 10 mil". A mulher pensa, pensa, vá lá, está bem. Quase na hora da chegada, o sujeito diz que está em dificuldades financeiras, que pode apenas oferecer US$ 1.000 dólares pela noite. A mulher reage: "O quê?! Está pensando que eu sou uma prostituta?". Ao que o sujeito responde: "Isso ficou estabelecido na primeira conversa. Agora estamos apenas discutindo o preço".

Millôr, você que é tradutor de mão cheia, que tem interesse pelas palavras, como se sente assistindo às CPIs? A língua tem sido maltratada?

Completamente. Não só pelos depoentes como pelos interrogadores. Eles não batem "lé" com "cré", não há preposição no lugar certo, não tem plural, não tem verbo no tempo adequado... Sabe o que escrevi sobre essa turma? "Estão convencidos de que a regência acabou com a proclamação da República". Este país é incrível... Daí vêm os gays e começam a bancar apostas para saber quem é o mais gostosão da CPI. Parece que o Delcídio está ganhando, com algo em torno de 53% dos votos, contra Antonio Carlos Magalhães Neto, que teria 38%. Ah, o ACM Neto, com aquelas roupinhas... Deve estar furioso.

O que você acha das metáforas do presidente?

Futebolísticas. Antes mesmo que ele chegasse ao poder supremo, eu disse do Lula: "A ignorância subiu-lhe à cabeça". Isso não é piada! O homem popular é "endeusável" enquanto está no popular. Quando está, por exemplo, no botequim. Mas não se deve tirá-lo do botequim para discutir na Academia Brasileira de Letras, porque um mínimo de coisas esse sujeito tem de saber. Tem de saber que houve gregos, romanos, a Renascença. Tem de saber!

O que é cultura, Millôr?

Vou lhe dizer. Estou lendo o novo livro do Stephen Hawking, aquele cientista todo aleijadinho. Só um idiota vai achar que se pode ler esse livro de ponta a ponta. Então leio cinco páginas hoje, dez amanhã e, quando terminar, se tiver compreendido 20%, será muito. Cultura é isso: entender a extensão da própria ignorância. Lula não tem consciência da sua ignorância.

Seria o "endeusamento" do homem popular?

É o que estou dizendo. Quando ele começou a falar para platéias estrangeiras percebendo que não precisaria saber inglês, francês ou alemão, porque contava com a tradução simultânea, quando se deu conta de que Bush só fala bushismos e que o Chirac só está a fim de falar francês, daí relaxou. Sentiu-se bem entre os monoglotas do poder. O que o Lula não sabe é que todo império é monoglota - sempre. Os portugueses chegaram dominando pela língua. Lula é fronteiriço.

O que é ser fronteiriço?

Quando está no meio dele, usando metáforas futebolísticas, ele se sai bem. Quando o meio é outro, ele se perturba. Pelos discursos que faz, o que se nota é a falta de coerência. Por exemplo: o caso do filho dele, acusado de ter montado uma empresa com favorecimentos. Numa hora, Lula discursa e diz que é preciso apurar tudo. Meia hora depois, reaparece dizendo que a família está sendo atacada. E fala, fala, interruptamente! É fronteiriço, não sabe o que está lhe acontecendo.

Como uma derrocada do Lula vai bater no povão? O self-made man à brasileira é um projeto que não deu certo?

Espera aí, self-made man é outra coisa, não é o sujeito que chega no topo de qualquer maneira. Você pode me dizer: Millôr, você é um preconceituoso. Não sou. A vida é normativa, como a própria Presidência. Por exemplo, o sujeito não pode ser presidente com menos de 35 anos. Isso é um critério. Você não operaria seu cérebro com um médico sem diploma. Nem voaria num avião conduzido por um sujeito que não é piloto. Imagina só: o piloto não aparece e a companhia aérea recruta um faxineiro do PT que estava ali, dando sopa. Você embarcaria? O povão tem o direito de eleger quem quiser e pode fazer burrada. No caso do Lula, não foi só o povão, não. Fomos todos nós.

Você está dizendo que o "povão" vota mal?

Vota por questões sensoriais. Não é só aqui. Na Alemanha de hoje, um candidato neonazista pode não ganhar, mas vai ter uma boa votação. O cara não precisa nem ter aquele bigodinho, aquele cabelinho de viado que o Hitler tinha. Aliás, abre parêntese: Berlim tem 3 milhões de habitantes. Sabe quantos são os gays confessos? Uns 300 mil, fora os que estão no armário, os que não saíram do bunker. Hoje, em certas partes da Europa, como já não se estigmatiza ninguém, o sujeito deve declarar sua opção preferencial ao ocupar um cargo público. Pergunto: se o camarada diz que é, mas não é, seria falsidade ideológica? Fecha parêntese.

A crise política pode dar margem ao aparecimento de um novo Collor?

Não tem dúvida. Aqui no Brasil, quando se passa por um período de esculhambação generalizada, a sociedade cobra lei e ordem. Daí pode pintar um tipo desses, sim. É o perigo. Até hoje na Itália fala-se com saudade que, na época do Mussolini, os trens chegavam na hora. A verdade é que o mundo sempre fez acordo com a hipocrisia e a canalhice é imensa. Se não tivessem tirado o pão da boca do Pedro Collor, ele não teria falado. E o Roberto Jefferson? Quando percebeu que a bomba ia explodir em cima dele, resolveu falar. E se converteu numa figura histórica.

Você acredita que Jefferson passará para a História?

Claro, ele derrubou a República e acabou com o PT!

O que você achou do pronunciamento que o presidente fez à Nação, na sexta-feira?

Resultado da ignorância dele e dos "intelectuais" que o assessoram. Como é que ele fala no "partido que eu fiz"? Isso não se diz assim, na primeira pessoa. O uso do "nós" é um aprendizado cultural que Lula não teve. E aquele grupo de ministros que assistia ao pronunciamento? Lamentável. Eu até fiz uns versinhos. Chama-se "Poema em ão". É assim: Se ele sabe do mensalão/é charlatão./Se ele não sabe/é um boçalão. Eu me senti ofendido com o pronunciamento.

Por que ofendido?

Porque é muita ignorância. Não adianta, livro é livro e essa gente não leu nada, não escreveu nada. Até a bicha-louca do Hitler escreveu um livro na cadeia, que, convenhamos, até fez certo sucesso. "Vão ter de me engolir", diz Lula parodiando Zagallo, que não é lá o meu filósofo predileto. Daí avisei: ele agora vai aprofundar mais e citar o Chacrinha. Prefiro ficar com a minha filósofa, Dercy Gonçalves, que aos 98 anos anda dizendo o seguinte: "Hoje puta é status". Fernanda Karina, a secretária, acusou e já foi se preparando para sair nua na Playboy. Ao que parece, o material não foi aprovado. Uma coisa que humilha a gente é ouvir "não quero posar nua, quero ser reconhecida pelo meu trabalho". Eu não quero ser reconhecido pelo meu talento, quero sair nu na Playboy!!

Certa vez Paulo Francis atribuiu a seguinte frase a você: "Se o Lula for eleito, o Brasil vai virar uma Romênia". Você de fato disse isso?

Não me recordo. Disse alguma coisa parecida em relação ao João Amazonas, o velho comunista. Escrevi o seguinte: "Revelado. João Amazonas tem uma conta na Albânia". E vou adiante. "José Dirceu tem uma conta em Cuba. Marcos Valério tem uma conta em Las Vegas." E o jantar que o Lula teve com o Chávez, sem avisar o Itamaraty? É ou não é a prova de que é fronteiriço? Este Chávez, que é um patife um pouco mais esperto, vem aqui para tirar uma castanha qualquer da brasa. A esculhambação geral vai dar num ridículo atroz.

É o fim do sonho socialista?

Olha aqui, a idéia do socialismo é maravilhosa. Como a idéia do cristianismo. Mas, na minha vida toda, eu nunca encontrei um cristão e um comunista de verdade. Sou um humanista ateu. No entanto, sou mais comunista e mais cristão que muita gente. Eu me responsabilizo pelas empregadas que me atendem. Não vou abandoná-las jamais. A idéia do socialismo é incrível, mas está fadada a não dar certo. Porque o ser humano não é isso. Ele é capitalista na essência. Quando desabou a União Soviética, fiquei surpreso com o tamanho do rombo econômico, mas a máfia já estava lá. Já tinha milionário, já tinha carrão na porta do restaurante. Tudo bem, sempre se pode colocar todas as contas na internet, fazer pressão, protestar na rua, mas, quando o "partido da pureza" chega ao poder imitando o modelo mexicano, daí não dá! Olha aqui, não vejo como o mundo possa se salvar.

Hoje dois publicitários estão no epicentro do escândalo - Marcos Valério e Duda Mendonça.

Não é por acaso. O jornalismo é uma profissão cujo objetivo "filosófico" é trazer à tona certas coisas que as pessoas não sabem. Tem um compromisso com a verdade. Agora, qual é o objetivo "filosófico" da publicidade? A mentira. É mentir sobre o sabonete, a maionese, a margarina, o político. Fazer anúncio sobre seguro médico é uma ofensa. Fico envergonhado ao ver que os bancos estão tomando dinheiro dos velhinhos e os atores da Globo anunciam isso. Os velhinhos pegam o dinheiro e pagam juro antecipado! É uma indecência. E por que o Estado tem de fazer publicidade? O que o Ministério da Saúde precisa é divulgar o calendário das vacinas, coisas assim. Não tenho respeito pela publicidade. Os caras ficam aí se gabando de que sabem fazer slogans e passam anos para criar coisas como "Coca-cola. É isso aí". De quantos slogans precisam? Faço dez agora.

Você poderia fazer algumas das suas "definições apertadinhas"?

Vamos lá. Deixa pegar meus óculos. Não sei fazer definição sem eles.

Cueca - Banco de dados. Afinal, todo o dinheiro que o sujeito levava era dado.

Mensalão - Estupro econômico-social que não ousa dizer seu nome.

Repilo - Poderia ser marca de repelente.

Campo Majoritário - Maracanã.

Sujeito vertical - Indivíduo que se curva ao menor vento contrário.

Opportunity - A melhor tradução seria: Daniel Dantas.

Banco Rural - Como diz a publicidade, nem parece um banco.

Lobista - Praga para matar com "repilente".

Salário mínimo - Salário máximo pago a um pobre diabo.

Comissão de Ética - Ética que já vem com preço.

*Entrevista publicada hoje no caderno Aliás, do Estado de São Paulo.

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Continua o Domingão do Mensalão

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O Globo: "Valério pagou ao PT mais do que tomou emprestado" - CPI dos Correios agora vai investigar verdadeira origem do dinheiro.

Jornal do Brasil: "Lula enfrenta os fantasmas de agosto" - O pesadelo dos escândalos.

Folha de São Paulo: "PF investiga contas de Duda no exterior" - Registro associa nome de publicitário a US$ 2 mi depositados de 98 a 2000; advogado diz que seu cliente, exceto em 2003, só recebe dinheiro legal.

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sábado, 13 de agosto de 2005


Sem legenda

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sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Lula sabia

Entrevista publicada na Revista Época (domingo nas bancas):

Primeiro deputado a renunciar no caso do valerioduto conta como o PT pagou com malas de dinheiro pelo apoio do PL a Lula.

Por Thomas Traumann e Gustavo Krieger

Às 13h42 da quinta-feira 11, o ex-deputado e presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, recebeu uma ligação de feliz aniversário do vice-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL). "Ninguém vai sair bonito desta crise, mas a gente vai sair menos feio", disse Valdemar ao telefone. Pouco mais tarde, atendeu um telefonema do ministro Alfredo Nascimento, cheio de preocupações: "Vai dar tudo certo no final", disse. Minutos depois, Valdemar iniciou sua primeira entrevista desde que renunciou ao mandato, no dia 1º, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB) de receber mensalão para defender o governo Lula.

"Recebi dinheiro, sim, mas não os R$ 10,8 milhões que diz o Marcos Valério. Foram R$ 6,5 milhões do caixa dois da campanha de Lula", revelou Valdemar a ÉPOCA. O dinheiro viria de um acordo, fechado em junho de 2002, em que José Dirceu e Delúbio Soares prometeram R$ 10 milhões em troca do apoio do PL. "O Lula estava na sala ao lado. Ele sabia que estávamos negociando números", contou ele. A versão de Valdemar tem algumas contradições, vários pontos obscuros, mas lança luzes sobre como Marcos Valério operava o caixa dois do PT.

"O Lula, o José Dirceu e o Delúbio faziam parte da mesma família. Não dá para crucificar só um", disse Valdemar, na sala da presidência do PL em Brasília, decorada com uma reprodução do Cristo Crucificado de Salvador Dalí. Na noite anterior à entrevista, ele falou com o vice-presidente, José Alencar. Segundo ele, Alencar o aconselhou: "Fala a verdade, Valdemar. Confessa". A seguir trechos da entrevista:

ÉPOCA - Por que o senhor renunciou?

Valdemar Costa Neto - Eu cometi um erro fiscal. Não declarei o dinheiro que recebi do PT. Não tinha motivo para duvidar da origem do dinheiro do PT. Para mim, o PT sempre foi um partido sério, de gente decente. Mas cometi um erro e renunciei para continuar sendo respeitado por meus colegas do partido. A história do PL é ruim, mas é a menos pior.

ÉPOCA - Qual é a história do dinheiro que o senhor recebeu do PT?

Valdemar - Tudo começou nas negociações para fechar o apoio a Lula em 2002, com José Alencar, do PL, como vice. Tivemos muitas reuniões, em Brasília, na casa do José Dirceu. Sempre participavam o (deputado) João Paulo (PT), quase sempre o (ex-secretário-geral do PT) Silvio Pereira, sempre o (ex-tesoureiro do PT) Delúbio Soares, além do José Alencar. Estava tudo indo bem, até que a Justiça aprovou a verticalização (permitindo apenas as coligações com os aliados nacionais). Daí fui ao Zé Dirceu e avisei: "Tudo mudou".

ÉPOCA - Foi aí que o PL pediu dinheiro ao PT?

Valdemar - A questão é que o PL precisava ter 5% dos votos para ter as verbas do fundo partidário. Com a verticalização, as nossas chances de chegar a 5% eram pequenas, porque só poderíamos nos coligar com o PT. Falei para o Zé: "Para isso, preciso de uma estrutura muito maior para segurar meu pessoal". Ele falou: "Mas quanto?". Eu falei: "R$ 15 milhões, R$ 20 milhões".

ÉPOCA - Como se chegou ao acordo?

Valdemar - Foi uma discussão muito grande. No dia 18 de junho de 2002, tive uma reunião com o Dirceu. Ele disse que não tinha jeito de fazer o aporte de dinheiro. Eu respondi: "Então me libera (para fazer outra coligação)". Ele respondeu: "Está liberado". Já estávamos fazendo uma nota conjunta dizendo que a coligação PT-PL não ia sair quando me liga o Zé Alencar. Eu contei a ele que não conseguimos chegar a um número. "Não vou prejudicar nosso pessoal todo em troca de uma aliança", falei. O Zé Alencar disse para eu não assinar a nota conjunta. Daí a 15 minutos, ele ligou e disse que o Lula viria no dia seguinte a Brasília resolver o assunto.

ÉPOCA - Resolveu?

Valdemar - A reunião foi no apartamento do deputado Paulo Rocha (PT). Estavam lá o Lula, o José Alencar, o Dirceu e o Delúbio. O Lula chegou para mim e disse: "Quer dizer então que você é o nosso problema?". "Não posso matar o nosso pessoal", respondi. O Zé Dirceu não queria falar de dinheiro, queria negociar a participação no governo: "Valdemar, vamos governar juntos?". Respondi: "Mas, desse jeito, não vai sobrar ninguém na Câmara para governar junto com vocês". Depois o Lula até falou para o Zé Alencar: Vamos sair porque esta conversa é entre partidos, não entre candidatos". Daí o Delúbio chegou perto de mim e disse: "Vamos conversar".

ÉPOCA - E vocês falaram de números...

Valdemar - O Lula e o Alencar ficaram na sala e fomos para o quarto eu, o Delúbio e o Dirceu. Eu comecei pedindo R$ 20 milhões para levar uns R$ 15 milhões. Daí, ficou aquela discussão. Uma hora, o Zé Alencar entrou e falou: "E aí, já resolveram?". Eles (o PT) achavam que iam arrecadar R$ 40 milhões. Eu falei: "Tira R$ 15 milhões para a gente. É justo". Eles ameaçaram ir embora. O Lula mandou ligar para o (hoje ministro) Patrus Ananias e avisou que, se a conversa não desse certo, ele seria o candidato a vice na chapa. Uma hora, o Dirceu chegou a dizer "acabou". Eles batiam tanto o pé comigo que eu pensei "ô povo firme. Esses vão me pagar rigorosamente em dia". Daí chamei o Zé Dirceu de volta para o quarto. O Zé Alencar veio junto. Falei: "Vamos acertar por R$ 10 milhões". Voltamos para a sala e avisamos: "Está fechado". Lembro ainda que o Zé Alencar falou "peça tudo por dentro" (doação legal).

ÉPOCA - Lula sabia que a conversa no quarto era sobre dinheiro?

Valdemar - Ele sabia. O presidente sabia o que a gente estava negociando. Olha, ele e o Zé Dirceu construíram o PT juntos. O Lula sabia o que o Dirceu estava fazendo. O Lula foi lá para bater o martelo. Tudo que o Zé Dirceu fez foi para construir o partido.

ÉPOCA - O vice-presidente José Alencar falava "tudo por dentro". E o presidente Lula dizia o quê?

Valdemar - Nunca falou. Quando saí, ele me falou: "Então está liquidado o assunto". O Lula foi lá para autorizar a operação. E não vejo nada demais. O que ninguém esperava é que desse essa lambança.

ÉPOCA - Quando vocês receberam?

Valdemar - Na campanha, nem um centavo. Vi que a coisa estava ruim quando um dia fui a uma reunião no comitê de campanha e vi o Duda Mendonça cabisbaixo (conta rindo). Ele reclamava: "Eles não pagam meu pessoal. E eu não consigo criar sem dinheiro". Imagine se eu ia receber, quando atrasavam até para o Duda? Eu ia para as reuniões, reclamava com o Zé Dirceu, com o Delúbio. O Delúbio dizia: "Valdemar, eu vou pagar, você pode assumir com os deputados, eu vou atrasar, mas pago". Eu não acreditei. Eu ia para o Delúbio, ia para o Zé Dirceu, e dizia: "A gente não está vencendo pagar as contas". Eles receberam R$ 40 milhões. Foram R$ 20 milhões do Lula e R$ 20 milhões do PT, mas misturaram as contas dos Estados com a nacional. Fizeram uma bagunça.

ÉPOCA - Como o PL reagiu?

Valdemar - Os deputados me pressionavam. Então, veio a eleição e o PL teve só 4,7% dos votos. Isso me arrebentou. Só conseguimos entrar no Fundo Partidário porque fiz a fusão com o PGT e o PST. Porque não tive a estrutura que me prometeram. Eu procurava o Delúbio e o Zé Dirceu. Falei com o Zé Alencar e ele me disse que estava fazendo uma doação oficial, de R$ 2 milhões. Quando fui tentar esse dinheiro para o PL, o Delúbio falou: "Xii, já gastei por conta". Achei que eles podiam ter facilidade. Iam ganhar a eleição. Decidi ficar quieto. E nunca pensei que eles iam ter dificuldade em conseguir o dinheiro.

ÉPOCA - E depois da eleição, o dinheiro veio?

Valdemar - Eu fiquei cobrando. Eles tiveram uma mudança grande comigo. Houve um boato de que "o PL já estava acertado". E a bancada me pressionava pensando que eu tinha embolsado algum. Tive de colocar uns dois deputados no pau.

ÉPOCA - Quando o Delúbio lhe disse que pagaria essas dívidas de campanha?

Valdemar - O Delúbio chegou a falar para mim que ia fazer um empréstimo. Eu perguntei: "Mas emprestar como, Delúbio?" Aí foi que eu fiquei mais apavorado. Ele disse: "Eu vou dar um jeito. Você fique sossegado". Isso era no começo do governo Lula. Não demorou muito. Em fevereiro de 2003, ele falou que ia me dar a primeira parcela. Falou para eu mandar meu pessoal até a SMP&B, em Belo Horizonte, para pegar o dinheiro. Perguntei quanto era. Ele disse: "Eu não sei, vai lá". Mandei o Jacinto (Lamas, tesoureiro do PL). Chegou lá, o Jacinto me liga: "Não é dinheiro, me deram um envelope". Eu falei: "Nem abre" e liguei para o Delúbio. Falei: "Delúbio, é um envelope!". Ele falou: "Não tem problema, pode trazer". Mandei o Jacinto levar o envelope fechado para São Paulo, até o flat onde eu morava. Quando abri o envelope, eram cheques. O total era de R$ 800 mil. Todos cheques da SMP&B, para uma empresa chamada Garanhuns. Eu liguei de novo para o Delúbio. Ele falou: "Fica tranqüilo, que eu vou mandar buscar o cheque aí". Passa uma hora, vem um segurança, desse pessoal que mexe com dinheiro, e falou assim: "Vim resgatar". E me deixou o dinheiro. Dinheiro vivo, cash. Estava numa daquelas malinhas com rodinhas, de levar no aeroporto. Chamei alguns fornecedores de campanha e eles pegaram todo o dinheiro.

ÉPOCA - Esse procedimento, de pegar cheques na SMP&B e trocar por dinheiro em São Paulo, se repetiu?

Valdemar - Duas ou três vezes. O sujeito chegava, colocava o dinheiro na mesa e pedia que eu conferisse. Separava direitinho nos pacotes.

ÉPOCA - E esse dinheiro não ia para os deputados do PL?

Valdemar - Nunca. Apenas para os fornecedores de campanha.

ÉPOCA - O senhor diz que pagava as contas. Mas não pedia nenhum recibo ou prova? Ele contava o dinheiro e ia embora?

Valdemar - Não. O camarada falava: "Vou tirar nota fiscal". Eu dizia: "Não tira, não". Eles me perguntavam o motivo, se o dinheiro era do PT. Eu achava que o dinheiro era do PT, mas não estava oficializado.

ÉPOCA - Um esquema de pagamentos como esse não lhe causou nenhuma desconfiança?

Valdemar - Eu não gostei, e fiquei preocupado. Mas só repetimos esse procedimento de mandar o Jacinto para Minas Gerais umas poucas vezes. Totalizou R$ 3,2 milhões, sempre em nome da Garanhuns. Depois, fui falar com o Delúbio. Porque eu esperava que o cheque fosse nominal ao PL e era para a Garanhuns.

ÉPOCA - Mas o senhor não pensou em checar que empresa era essa que lhe repassava tanto dinheiro?

Valdemar - Não. Agora que eu vi, no depoimento do Valério na Polícia Federal, que havia um contrato entre a Garanhuns e a SMP&B. Mas eu procurei o Delúbio e falei: "Eu preciso oficializar este dinheiro. Senão, vou ficar na mão dos meus fornecedores. E deixa eu te pedir uma coisa. Me dá em dinheiro. Não me dá mais cheque não".

ÉPOCA - O Delúbio perguntou por que o senhor não queria cheques?

Valdemar - Não. Quando você está no governo, você é dono do mundo. Você não tem preocupação com nada. Eu disse para ele: "Você está me mandando em cheque e eu tenho em dinheiro. Pára com isto. Me tira desse negócio lá de Minas Gerais, que está ficando ruim para mim". Aí, eles inventaram aquele negócio do Banco Rural. Mas foi só em setembro. De abril a setembro de 2003, não recebi nada.

ÉPOCA - O dinheiro era sempre entregue na SMP&B ou no Banco Rural?

Valdemar - Não, teve dinheiro que eles entregaram para mim. Entregaram para o Jacinto em Brasília... O Jacinto chegou a receber em hotéis. Uma vez, em São Paulo, mandaram ele pegar o dinheiro num restaurante. Era sempre o Delúbio quem me avisava que o dinheiro estava liberado.

ÉPOCA - Em cheque ou dinheiro, o senhor não achou no mínimo esquisito que os pagamentos do PT viessem de uma empresa privada?

Valdemar - Não achei esquisito. Palavra de honra. Porque o cheque era de uma empresa grande, a SMP&B. Se fosse uma empresa da qual eu nunca tivesse ouvido falar, eu ia até ter preocupação de pegar. Como era da SMP&B, não vi problema. Até porque o Delúbio tinha me apresentado o Marcos Valério.

ÉPOCA - Como foi isso?

Valdemar - O Delúbio trouxe o Marcos Valério, mas não falou nada desse dinheiro. Disse: "Este aqui é o Marcos, trabalha para a gente e quer fazer um trabalho para o PL". Isso aconteceu logo depois de o Delúbio me pagar aquela primeira parcela. O Valério queria um contrato em torno de R$ 250 mil por mês para cuidar de todo o marketing do PL. Eu contratei um estudo para mudar a marca do PL. Paguei, mas não pedi mais nenhum trabalho para ele. Achei o serviço muito ruim.

ÉPOCA - Quanto o senhor recebeu por esse esquema do Marcos Valério?

Valdemar - Foram R$ 6,5 milhões. Não chegou aos R$ 10,8 milhões que estão falando. Estão botando R$ 4 milhões a mais na minha conta. Dinheiro que foi repassado para a Garanhuns e um outro cheque, que não é nosso.

ÉPOCA - E para quem foi o dinheiro?

Valdemar - Aí é que está. Da Garanhuns, não vai ser difícil descobrir. A CPI já pediu para abrir as contas da Garanhuns. Vai aparecer alguma coisa. Eles podem ter dado outra direção ao dinheiro.

ÉPOCA - Quando os pagamentos passaram a ser feitos no Banco Rural?

Valdemar - O Delúbio falou: "Vou mandar o dinheiro para Brasília. Pega no Banco Rural". Isso me atrapalhava, porque os credores do PL estão em São Paulo. O Jacinto Lamas deixava o dinheiro comigo, e os credores iam receber lá em casa. Primeiro no hotel Academia de Tênis, onde eu morava. Depois, na minha casa, em Brasília.

ÉPOCA - Mesmo com todas as denúncias sobre o mensalão, o senhor insiste em que nunca repassou o dinheiro aos deputados do PL.

Valdemar - Nunca. Foi só para pagar as dívidas da campanha de 2002. E o pagamento acabou em janeiro de 2004, quando o PT quitou a dívida que fizemos na campanha. Não cometi a irresponsabilidade de envolver os deputados do PL.

ÉPOCA - Esse dinheiro não pagou a campanha dos deputados do PL?

Valdemar - Não. Foi tudo gasto na campanha presidencial de 2002.

ÉPOCA - Como o senhor espera provar isso sem ter nenhuma nota fiscal dos fornecedores?

Valdemar - Estou procurando o pessoal. Acho que eu consigo comprovar tudo isso. Os fornecedores não têm como não me atender. Se não me atenderem, na próxima campanha não faço mais material com eles. Estou enfrentando uma confusão, porque ninguém pagou imposto quando recebeu.

ÉPOCA - O senhor ficou com parte do dinheiro?

Valdemar - Nenhum centavo. Só fiquei com as reclamações.

ÉPOCA - Suas contas eram pagas pelo PL, como denunciou sua ex-mulher Maria Cristina Mendes Caldeira?

Valdemar - Não. Tanto é que pedi ao TCU que investigasse. Nós nunca fizemos nada com verba pública, e sim com a contribuição dos deputados do PL, que dá R$ 700 mil por ano, que eu uso para fazer as reuniões, para pagar aluguel da casa. Tenho tudo regularizado e documentado. A Maria Cristina precisa de cuidados médicos. Eu não quero falar porque ela já falou tanta coisa de mim que eu não quero nem reproduzir. Não falo de mulher. É mal.

ÉPOCA - Delúbio Soares diz ter montado o caixa dois sozinho. É possível que o ex-ministro José Dirceu não soubesse do que estava acontecendo?

Valdemar - O Zé Dirceu sempre comandou o PT. O Zé e o Lula. Eu cheguei a cobrar o Zé diversas vezes no Planalto. Falei: "Zé, meu dinheiro está vindo pingado, em conta-gotas". Falei que eu queria receber tudo de uma vez. O Zé disse: "Calma que o Delúbio está providenciando o dinheiro para te pagar. Ele vai arrumar o dinheiro e resolver tudo".

ÉPOCA - Ele sabia o que o Delúbio estava fazendo?

Valdemar - É gente deles. Esse pessoal construiu o PT junto. Delúbio, Lula e José Dirceu são a mesma família. Por que, agora, na desgraça, só um vai pagar?. Tenho certeza de que o Dirceu nunca fez nada que o presidente não aprovasse.

ÉPOCA - Como era seu relacionamento com o Planalto?

Valdemar - Tive um problema político. Quando o governo começou, a imprensa pressionava muito, dizendo que o governo não estava fazendo nada. Aí, resolveram fazer a reforma da Previdência. Numa reunião de líderes eu falei para o Zé Dirceu: "Eu tenho um problema. Eu sou contra o subteto para os juízes". E apresentei um destaque em plenário contra a proposta do governo. O Zé Dirceu me falou: "Você vai comprar uma briga com o governo". Mas eu agüentei firme e o governo teve de me atender. O Zé Dirceu me deu uma geladeira de um ano. E começou a empurrar deputados para o PTB e o PP. Eu não quis comprar a briga. Passei um ano no sal, quieto. O Zé Dirceu escolheu operar com o Roberto Jefferson. O Jefferson era o cara que estava sempre com eles, que andava com o Lula. Eles entraram nesta porque quiseram. Jefferson é um sujeito conhecido na praça.

ÉPOCA - Conhecido como?

Valdemar - Conhecido. Como um camarada mal-intencionado, perigoso. Para indicar diretor de estatal... Ele diz que indicava diretores de estatais para arrecadar dinheiro para o PTB. Em dois anos de governo Lula, o PTB arrecadou oficialmente R$ 200 mil. Ele diz que arrecadava R$ 400 mil por mês em uma estatal. Onde ele punha esse dinheiro? Ia para o bolso dele. Eles (o governo Lula) acabaram como tinham de acabar. Em Brasília, você é obrigado a conviver com pessoas de que você não gosta. Mas não precisa colocar dentro de sua casa. Eles escolheram conviver com um cidadão assim. Eles indicavam aos deputados para ir para o PTB. Tem de perguntar para eles por que esta preferência.

ÉPOCA - O líder de sua bancada, Sandro Mabel, enfrenta um processo de cassação, acusado de tentar comprar a filiação da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO). Este não é um sinal do mensalão?

Valdemar - Esse episódio foi uma maldade, uma questão pessoal. É a palavra da deputada contra a dele. O Sandro jamais oferecia dinheiro a qualquer pessoa. Ele é um camarada miserável, pão-duro. E ninguém ia oferecer R$ 1 milhão para ganhar uma deputada. Foi um desentendimento entre eles. E a Raquel, que se disse chocada com a oferta, três meses depois foi pedir um emprego na Mabel (empresa do deputado). E, pior, o Sandro deu.

ÉPOCA - O senhor continua negando que o PL tenha tentado um "acordão" para livrar o partido e o deputado Roberto Jefferson da cassação?

Valdemar - O Roberto Jefferson deu a entrevista para a Folha de S.Paulo falando no mensalão numa segunda-feira. Na terça, eu entrei com o processo de cassação contra ele. E ele foi covarde. No mesmo dia, mandou um deputado procurar o Sandro Mabel. Ele se ofereceu para assinar um documento desmentindo as acusações contra o PL, se eu retirasse o pedido de cassação. Eu recusei. Agora, uma semana antes de eu renunciar, houve uma pressão violenta de muitos deputados para que eu retirasse o processo.

ÉPOCA - Como foi seu acordo para apoiar Marta Suplicy (PT) em São Paulo, em 2004? O presidente Lula entrou pessoalmente nisso?

Valdemar - O Lula fez um jantar. Porque ele sabia que não íamos apoiar a Marta. Nós não conseguíamos tocar nosso ministério (Transportes). Nosso ministério estava muito ruim, a estrutura não era nossa. Eu falei com o Lula que a gente não tinha liberdade. Mudamos alguns cargos e a coisa melhorou. Eu bati o pé até o final para liberar o nosso ministério. O PT queria dizer em que estradas era para colocar dinheiro.

ÉPOCA - Na campanha para a prefeitura de São Paulo, também houve oferta de dinheiro?

Valdemar - Deram material para a gente em São Paulo. Nosso pessoal recebeu material. E, mesmo assim, não pagavam tudo. Eu pedi ao Delúbio um show do Zezé Di Camargo e Luciano em apoio a meu candidato em Mogi das Cruzes. O Delúbio chamou os dois e, na hora do show, queria que eu pagasse a conta! Eu falei: "Nem morto", e até hoje não paguei.

ÉPOCA - O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, mantinha uma relação muito próxima com Valério.

Valdemar - Ele andava por todo lugar. Uma vez, Valério me fez um pedido. Um amigo dele tinha perdido uma concorrência para reformar uma estrada. Ele queria que o cara que ganhou cedesse uma parte para ele. Falou comigo umas três vezes. Mas não deu para ajudar.

ÉPOCA - No governo, todo mundo sabia que Valério era tão forte?

Valdemar - Quem era o tesoureiro do PT? Delúbio. O camarada que estava com ele tem força.

ÉPOCA - O senhor acha que os eleitores vão acreditar que esse dinheiro todo era para caixa dois de campanha?

Valdemar - Cada um explica o seu. No meu caso, vou ter como provar.

ÉPOCA - Esta crise pode derrubar o presidente Lula?

Valdemar - Não quero que o Lula se dê mal. Mas tem de ver como as coisas vão estar em outubro, novembro. Esta crise só piora. Tem de ver as explicações que eles vão dar."

Do Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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quinta-feira, 11 de agosto de 2005


Os Dois Irmãos são um ícone do arquipélago de Fernando de Noronha

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quarta-feira, 10 de agosto de 2005

Final feliz

Neste exato momento (20h16m), declaro vencida a batalha contra os vírus que infectaram o meu inocente e desprotegido computador. Ufa! Ufa! Sinceramente, achei que, dessa vez, só chamando o técnico!

Mas como na Internet tem resposta pra tudo (e o Google acha todas elas), fui juntando um quebra-cabeças de sugestões e dicas de internautas (postadas em diversos fóruns especializados no combate a pragas virtuais) até chegar à vitória final.

Consegui reinstalar a indispensável Barra Uol (que o malvado vírus tinha substituído por uma outra cheia de más intenções) e posso dizer a vocês, amigos do RA - agora que tudo está funcionando como antes (e quando acabo de ver a lua em quarto-crescente pela janela) -, que esta é uma noite verdadeiramente especial.

E vejam se não tenho razão: em busca de ânimo para enfrentar a dura batalha contra os vírus, desenterrei um antigo CD do Creedence Clearwater Revival que não ouvia há um bom tempo. E a lua no céu e o rock básico do Creedence acabaram me transportando para o distante paraíso de Fernando de Noronha.

Corria o ano da graça de 1985, quando fui convidado por um querido amigo de adolescência - naquela época, 2º Tenente da Aeronáutica e único dentista do arquipélago - a passar 15 dias de férias naquele que viria a ser, anos mais tarde, um dos mais badalados destinos turísticos do país.

Depois de uma semana de muito forró no Pau do Meio (o clube popular dos noronhenses), resolvemos dar uma festa em casa. Cézar (o amigo dentista) convidou os conhecidos, abrimos portas e janelas, e o som do Creedence se espalhou pela ilha iluminada apenas pela luz da lua. Impossível esquecer de "Travelin' Band" tocada e repetida inúmeras vezes no volume máximo do potente (para a época) "aparelho de som" doméstico...

Momentos especialíssimos como este sempre nos dão força pra seguir em frente quando parece que não há mais nada a fazer. Por isso, caríssimos internautas, acabo de chegar à conclusão que o melhor antídoto contra vírus (e pragas de qualquer espécie) é um coquetel formado por amigos inesquecíveis, boa música, belas lembranças e a visão da lua no céu.

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