Já estão à venda os novos cartões-postais Resende de ORo

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Copa no Brasil poderá ser um 'caos'

Brasil vai sediar a Copa de 2014 (Foto AFP)

Da BBC Brasil

Uma reportagem do jornal britânico Financial Times, publicada ontem, diz que a realização da Copa do Mundo no Brasil poderia ser um "caos", por conta da corrupção e da falta de infra-estrutura do país.

Em texto intitulado "Futebol poderia voltar para casa e para o caos" (tradução livre), o FT levanta ressalvas ao desejo do Brasil de receber novamente, depois de 64 anos, o maior evento mundial do esporte.

"Dezoito cidades em todo o Brasil se esforçam para estar entre as 12 que sediarão os jogos", diz a reportagem de meia-página, em um trecho destacado. "Nenhuma delas tem um estádio que faça jus à tarefa." Sob uma foto em que o meia Kaká e o atacante Robinho comemoram um gol, lê-se a legenda: "Má combinação: Reputação do Brasil para jogadores estelares é corroída por infra-estrutura precária e corrupção".

O jornal levanta dúvidas sobre a capacidade brasileira de garantir a segurança em todo o país. Durante os Jogos Panamericanos, isto só foi possível no Rio de Janeiro "graças ao policiamento ostensivo e à presença de policiais nas ruas", afirma o texto.

Além disso, a análise das contas de algumas obras do Pan revelou superfaturamento de até dez vezes o valor da construção, e os jogos não geraram as prometidas melhorias no sistema de transporte e limpeza públicos, apontou o FT.

Outro fator preocupante seria a infra-estrutura de transporte aéreo no Brasil, que poderia complicar as viagens internas de visitantes que quiserem assistir aos jogos em diversas partes do país.

"Entretanto, a Copa do Mundo ainda está longe. Até 2014, pode ser que o Brasil tenha resolvido alguns de seus problemas mais graves", diz o jornal.

Ouvido pelo Financial Times, o comentarista Juca Kfouri disse que "se a África do Sul pode sediar a próxima Copa, o Brasil também pode".

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domingo, 28 de outubro de 2007

Quem lucra com a venda da gasolina

Enviado pelo vereador Fernando Menandro

O estudo abaixo foi feito levando-se em consideração o valor médio da gasolina vendida nos postos brasileiros. É sempre bom lembrar que em Resende ela é ainda mais cara.

Composição do preço gasolina (em reais):

Gasolina ("A") 800ml (pura, vendida pela Petrobrás) = R$ 0,80
Álcool Anidro 200 ml (20% misturado à gasolina) = R$ 0,24
TOTAL = R$ 1,04 /litro
+
CIDE - PIS/COFINS (Imposto Federal) = R$ 0,44
ICMS (Imposto Estadual) = R$ 0,64
TOTAL DE IMPOSTOS (104% do Preço Bruto) = R$ 1,08
TOTAL (CUSTO + IMPOSTOS) = R$ 2,12
+
LUCRO DA DISTRIBUIDORA (Média por Litro) = R$ 0,08
FRETE (Média por Litro) = R$ 0,02
LUCRO DO POSTO (Média por Litro) = R$ 0,25

Finalizando:

VALOR NA BOMBA COM IMPOSTOS = R$ 2,47
VALOR NA BOMBA SEM IMPOSTOS = R$ 1,39

Portanto, se você consome 200 litros de gasolina por mês (50 lts./semana), o bolo fica dividido assim:

Dono do carro gasta: R$ 494,00
Dono do posto ganha: R$ 50,00
Dono do caminhão ganha: R$ 4,00
Petrobras ganha: R$ 16,00
Governo ganha: R$ 216,00

Isso, depois do Lula anunciar a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo. É difícil imaginar quanto custaria a gasolina se dependêssemos unicamente da sua importação.

Comentário do RA: Prefiro não comentar...

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sábado, 27 de outubro de 2007

Juliette Lewis no Tim Festival Rio






Fotos UOL

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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

1.730 guitarristas tocam música de Bob Dylan



Do UOL Últimas Notícias

Um grupo de 1.730 músicos se reuniu hoje na região indiana de Meghalaya, no nordeste do país, para tocar o clássico de Bob Dylan "Knocking on Heaven's Door" e bater um novo recorde, informou a agência indiana "PTI".

Quando dois juízes anunciaram que o recorde anterior havia sido batido, os guitarristas, entre os quais havia um menino de 4 anos e até um legislador, levantaram suas guitarras para celebrar a proeza.

"Conseguimos de novo. Shillong (capital de Meghalaya) voltou a aparecer no mapa-múndi", disse o diretor-geral da Polícia regional, B.D.Sawian, nomeado juiz do evento.

Meghalaya bateu um recorde parecido em outubro do ano passado, quando 7.951 pessoas se reuniram para tocar tambores em perfeita sincronia. Com sua nova façanha, os guitarristas indianos tiraram o recorde da cidade americana do Kansas.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Deslizamento de terra fecha túnel Rebouças








Fotos Reuters e Folha Imagem

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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Polícia fecha site mundial de músicas piratas

Do UOL Música

As polícias britânica e holandesa desmantelaram o site OiNK, considerado a principal fonte mundial de download de álbuns pirateados antes mesmo de seus lançamentos, anunciou nesta terça-feira a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

Desde o início de 2007, o site - que conta com 180.000 sócios - botou na internet mais de 60 álbuns, às vezes semanas antes dos lançamentos oficiais no mercado. A investigação, coordenada pela Interpol levou à prisão, nesta terça-feira, do responsável pelo site, um homem de 24 anos que vive perto de Middlesbrough, no norte da Inglaterra.

Os servidores do OiNK, baseados em Amsterdã, foram confiscados durante as operações policiais. O anúncio, feito em Londres pela IFPI, acontece depois de dois anos de investigação.

"Não se tratava de um site onde amigos compartilham música por diversão", explicou Jeremy Banks, chefe da seção de "pirataria on-line" da Federação da Indústria Fonográfica Britânica (BPI).

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Paralamas abrem show do Police no Rio



Do UOL Música

Os ingressos para o show do grupo The Police, que acontece no dia 8 de dezembro no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, começam a ser vendidos no próximo dia 26 e custarão entre R$ 160 e R$ 500. Os Paralamas do Sucesso vão fazer o show de abertura.

Portadores do cartão de crédito HSBC Mastercard poderão comprar as entradas a partir do dia 25. Um limite de 20 mil ingressos estará disponível neste dia. Cada pessoa poderá comprar até seis bilhetes pelo telefone 4003-2330 ou por meio do site www.ingresso.com.br. O pagamento deverá ser feito com o cartão de crédito do banco.

No dia 26, os ingressos estarão disponíveis para o restante do público pelo mesmo telefone e site na Internet e também na bilheteria do estádio do Maracanã, das 10h às 17h, exceto em dias de jogos. Haverá um limite de quatro ingressos por pessoa.

De acordo com a organização do evento, serão colocados à venda 80 mil ingressos para a única apresentação do grupo no Brasil. Os bilhetes para arquibancada lateral custam R$ 160, arquibancada frontal, R$ 270, cadeiras azuis, R$ 270, gramado, R$ 190 e área premium, R$ 500. Haverá ingressos para estudantes disponíveis para todos os setores do estádio mediante a apresentação de documento de identidade e da instituição de ensino.

A noite será aberta pelo Paralamas do Sucesso, que sobe ao palco a partir das 20h. A apresentação de Sting, Stewart Copeland e Andy Summers está programada para começar às 21h30. A entrada no estádio será aberta a partir das 17h do dia 8.

O palco usado no show será o mesmo montado nos shows do restante da turnê mundial de retorno do Police.

A passagem do grupo pela América Latina começa dia 24 de novembro no México, segue por Argentina, Chile e finalmente chega ao Rio de Janeiro para uma única apresentação. Depois, a banda segue para Austrália e Nova Zelândia.

The Police live in Rio

Quando: dia 8 de dezembro
Onde: Estádio do Maracanã
Quanto: arquibancada lateral: R$ 160,00; arquibancada frontal: R$ 270,00; cadeiras azuis: R$ 270,00; gramado: R$ 190,00; área premium: R$ 500,00
Venda de ingressos: dia 26 de outubro (dia 25 para portadores do cartão HSBC Mastercard).
Vendas por telefone: 4003-2330
Vendas pela internet: www.ingresso.com.br
Bilheterias do Maracanã: das 10h às 17h, exceto em dias de jogos
Site do evento: www.thepoliceliveinrio.com.br

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'O Senado é um loteamento familiar'

Da Folha Online

O Senado abriga em sua burocracia verdadeiros clãs encabeçados por funcionários que entraram na Casa por meio do "trem da alegria" que existia até 1988, ascenderam a postos-chaves e agora empregam mulheres, maridos, filhos, irmãos e agregados com salários que podem chegar a até R$ 10 mil em cargos de confiança - sem a necessidade de concurso público.

Há casos de famílias inteiras acomodadas no Senado, como a da secretária-geral da Mesa, Claudia Lyra, que tem duas filhas, duas irmãs e o cunhado empregados ali. Quando assumiu a presidência do Senado, em 1985, José Fragelli (MS), já morto, espantou-se com o que encontrou. "O Senado é um loteamento familiar", disse ele.

Até 1988, não havia a obrigatoriedade do concurso. Com a Constituição, os funcionários já existentes foram efetivados. Ao assumir a presidência da Casa pela primeira vez, em 1995, José Sarney (PMDB-AP) suspendeu concursos e aumentou o quadro de comissionados. Só houve novos concursos em 1998 e outro em 2000.

Os servidores alegam que as contratações foram feitas dentro das normas, negam que tenham beneficiado parente e que muitos se conheceram no próprio trabalho e se casaram.

Padrinho

O nome Sarney está ligado à maioria dos clãs, sendo o senador o padrinho da indicação da maioria de seus chefes. Sua filha, a hoje senadora Roseana (PMDB-MA), também é funcionária da Casa - foi indicada em 1982, está licenciada desde 1990 e, ao se aposentar, terá direito a R$ 5.000 mensais.

Na lista de agraciados pelo apadrinhamento político estão ainda o ex-secretário-geral do Senado e hoje ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Raimundo Carreiro, o diretor de recursos humanos, João Carlos Zoghbi, e o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia.

A mulher de Agaciel, Sanzia Maia, é coordenadora de estágios. Ele e Claudia Lyra ingressaram no Senado sem prestar concurso e hoje estão nos cargos mais importantes da Casa. As filhas de Claudia trabalham meio período com salários de cerca de R$ 4.000 brutos. Marina, na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo. Carla está na liderança do PMDB desde 2003.

A irmã de Claudia, Martha Lyra, é chefe-de-gabinete da Presidência do Senado, com salário superior a R$ 10 mil. O marido de Martha, Carlos Eduardo Bicalho, atua no gabinete do senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA). Também foi Sarney quem indicou Martha a essa função. Márcia, a outra irmã, é lotada na Secretaria Geral da Mesa, subordinada à irmã. A Folha não conseguiu esclarecer se ela foi concursada ou não.

Nomeada por Renan Calheiros (PMDB-AL) para comandar a secretaria-geral da Mesa, Cláudia Lyra foi acusada pela oposição de atuar para ajudar o senador a manobrar os processos contra o senador no conselho. Agaciel Maia foi acusado de mandar seus subordinados separar material que pudessem ser usados por Renan para pressionar seus adversários. Ambos negam favorecimento a Renan.

Raimundo Carreiro construiu sua trajetória no Senado, e empregou mulher, os três filhos e uma sobrinha - nenhum deles passou por concurso. A mulher do ministro, Maria José Carreiro, é lotada na Diretoria Geral do Senado. Dois dos filhos trabalham meio período no serviço médico da Casa.

O diretor de RH João Carlos Zoghbi tem mulher, um filho, a nora e a cunhada na área administrativa. A mulher de Zoghbi, Denise, que dirige o Instituto Legislativo Brasileiro, tem salário de cerca de R$ 10 mil. Ex-chefe-de-gabinete de Sarney, João Roberto Baére atua na Consultoria do Senado. A irmã, Denise de Ortega Baére, é diretora da Secretaria de Taquigrafia.

Segundo a assessoria do Senado, os cargos comissionados na área técnica são 120 - 54 na Presidência e Secretaria Geral da Mesa, 14 nas comissões temáticas, um no serviço médico, um nas relações públicas, seis no órgão central, 43 no órgão de assessoramento superior e um na coordenação de projeto.

Os números se chocam com a realidade do Senado. Presidentes das dez comissões, por exemplo, podem contratar até oito funcionários sem concurso. O Senado afirma que há só 14. Dois filhos de Carreiro estão no serviço médico, e o Senado disse que só tem um funcionário sem concurso na área.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

E o Rock in Rio, quem diria, chega à Espanha


Chamada televisiva para o festival

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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Ninguém vê a TV do Chávez

Matéria do El País

Quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decidiu no último dia 27 de maio não renovar a licença do canal Radio Caracas Televisión (RCTV), o antichavismo perdeu sua voz mais potente, uma emissora com mais de 30% de audiência que chegava a todos os cantos do país. Uma parte dos estudantes realizou mobilizações e a popularidade de Chávez conheceu seus momentos mais baixos nas pesquisas. A RCTV passou a emitir por cabo, com o qual continua atacando o governo, mas só chega à população que pode pagar por esse serviço.

O governo substituiu a RCTV por um canal que seria do povo e para o povo, uma emissora com vocação de serviço público, sem espírito lucrativo, um veículo que não ferisse a sensibilidade das crianças, onde a população se visse refletida e que primasse pela independência. Esse veículo se chama Teves (Fundación Televisora Venezolana Social). Transmite 24 horas por dia e chega a cada canto da Venezuela, como antes fazia a RCTV com suas telenovelas e sua informação antichavista.

Mas a televisão revolucionária quase não é vista. É de serviço público, mas sem público. E isso apesar de nos meses de junho e julho ter-se beneficiado dos direitos de transmissão da Copa América de futebol. Nesses meses a audiência foi de 8,9% e 8,3%, respectivamente, segundo a AGB Panamericana, única empresa de aferição da Venezuela. Mas em agosto a audiência baixou para 6%, em setembro para 4,6% e em outubro está em 3,6%.

"A Teves é puro enlatado, é como uma colcha fabricada com muitos retalhos que pegaram de diversos lugares e colaram", afirma Enrique Alvarado, vice-presidente do canal privado Televen. Alvarado reconhece que seu canal e a outra grande emissora privada, Venevisión, captaram a enxurrada de espectadores que a RCTV deixou.

Na Teves podem-se ver reportagens sobre escolas comunitárias, programas sobre artesanato, um espaço de saúde em que uma mulher, num canto da tela, traduz para surdos-mudos as palavras do médico, programas sobre música caribenha (a diretora da Teves é especialista nessa área). Os intervalos publicitários são aproveitados pelo governo para anunciar seu programa de troca da moeda, do bolívar para o bolívar forte. E ultimamente se aproveita para homenagear Che Guevara, com frases dele entre os programas... Mas nada disso teve eco na sociedade. Não há nenhum programa realmente popular.

O pesquisador grego Dimitris Pantoulas, professor de ciências políticas na Universidade de Bath, na Grã-Bretanha, e atualmente residente na Venezuela, escreveu na época a favor da "não-renovação da RCTV porque acreditava que qualquer país tem direito a regular seu espaço radioelétrico". Mas agora está um pouco decepcionado.

"A Teves se apresentou como um canal que ia elevar a cultura da população, ser um bom exemplo para o resto dos canais, respeitar a pluralidade, seria congestionado pelo público; a população decidiria o que quer ver. O canal não imporia como a população devia ser informada. Mas depois de cinco meses ele está abaixo das expectativas de muitos. Ainda não tem uma orientação clara. Está em fase de improvisação e o resultado, bom ou mau, vai demorar para aparecer."

Publicado no UOL Mídia Global.

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terça-feira, 16 de outubro de 2007

Um close nas celebridades














Da BBC Brasil

Atores e atrizes célebres como Angelina Jolie, Brad Pitt e Robert De Niro foram capturados de perto pelas lentes do fotógrafo alemão Martin Schoeller nos últimos nove anos.

O resultado desses close-ups extremos, próximos o suficiente para se identificar rugas e fios de cabelo nas narinas, está sendo agora exibido em uma galeria em Beverly Hills, Califórnia.

Entre as cerca de 70 fotografias, estão retratos de outros artistas como Meryl Streep, Jack Nicholson, Cate Blanchett, Jim Carrey e Will Ferrell.

Músicos, esportistas e políticos também estão retratados na mostra, entre eles Jon Bon Jovi, Eminem, Marilyn Manson, Sting, Britney Spears, Kelly Slater, John McEnroe, Barack Obama, Al Gore e Arnold Schwarzenegger.

Índios

Os rostos dos famosos aqui são registrados sem nenhuma expressão, causando um contraste com a imagem que costuma ser veiculada das celebridades em revistas.

Segundo os curadores da Ace Gallery, onde ocorre a mostra, as imagens revelam "uma combinação irresistível de urgência e humanidade".

"Mesmo as pessoas que parecem ter tudo expressam os mesmos medos, desejos, anseios e, às vezes, um certo senso de melancolia", descreveu Schoeller.

Para o crítico de arte Ken Johnson, do jornal The New York Times, apesar da falta de expressão, as celebridades ainda parecem manter "auras super-humanas". "Isso pode dizer algo sobre nós, assim como sobre eles", escreveu o crítico.

No meio das celebridades, no entanto, o artista também expôs fotografias de pessoas desconhecidas. Perto do close-up da Meryl Streep estão, por exemplo, as imagens de índios da tribo Pirahã, que vive às margens do rio Maici, em Rondônia.

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domingo, 14 de outubro de 2007

Rolex nascem no luxo e 'morrem' no asfalto

Daniel Bergamasco, da Folha Online

Em seu único mês no pulso da dona, o Rolex Oyster Perpetual da joalheira Natasha Pinheiro (ele, R$ 10 mil; ela, 26 anos) foi testemunha do lado mais doce do Brasil. Comprado na butique Daslu "em oito prestações", banhou-se no mar de Angra dos Reis - "biquíni com relógio é chique", informa Natasha -, passeou pelas vitrines grifadas dos Jardins e refletiu em seu vidro à prova d'água algumas das melhores festas da cidade.

As aventuras pelo mundo do luxo tiveram fim em um semáforo, como acontece com a maioria dos relógios de grifes roubados na cidade, segundo o Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado). Também foi assim com o Rolex do apresentador Luciano Huck, que, após ter sido assaltado, contou a história em artigo sobre violência publicado na Folha, há duas semanas.

Projetado em Genebra, na Suíça, feito com pulseira de aço, o relógio de Natasha era do mesmo modelo usado pelo James Bond de Sean Connery, mas com fundo de ouro rosa. Está desaparecido. O roubo aconteceu em uma esquina próxima ao shopping Iguatemi, de onde Natasha havia saído com a irmã após uma tarde de compras. Ela havia escondido o acessório. "Eu sei que "tá" no bolso, me dá o relógio!", gritou o assaltante, na garupa de uma moto, de capacete, com uma pistola na mão.

Vida na periferia

E lá se foi o Rolex de Natasha. Mas para onde? Segundo o Deic, o fim mais comum é o pulso de receptadores também endinheirados, que pagam alguns milhares de reais pela máquina roubada.

"Se custou R$ 10 mil na loja, sai por R$ 2.000, bem mais caro que meu Citizen", brinca o delegado Edson Santi.

E quem rouba? "São ladrões que vêm de moto da periferia e de cidades como Francisco Morato", ele diz. Para Santi, a ousadia dos ladrões aumentou. "Como os relógios têm um número de registro que permite o reconhecimento, era comum, até há cinco anos, que fossem vendidos longe dos donos, em países como Argentina e Uruguai. Hoje em dia estão ficando em São Paulo mesmo." Entre os motivos, ladrões apreenderam a adulterar esse "chassi".

"Na capital paulista - diz Santi - são revendidos em 'bocas de ouro', em escritoriozinhos da periferia. Ou então entregues aos compradores em locais públicos, como em lanchonetes de shopping center."

"Peguei trauma de Rolex. Prefiro usar um Cartier de ouro, que também é legal e passa mais despercebido. Qualquer bandido, hoje, reconhece um Rolex", diz Natasha, que ainda combina os relógios com biquíni quando vai a Angra.

Rolex de sobremesa

O roubo do relógio de Natasha é típico, segundo as informações do Deic. Os ladrões caça-Rolex costumam agir perto de lojas e restaurantes de luxo e ficam à espera das presas no semáforo. Muitas vezes, têm funcionários como informantes.

Há cerca de um ano, o restaurante "A Figueira Rubayat", um dos mais chiques e caros de São Paulo, detectou o problema: seus clientes acabavam de almoçar ou jantar e eram abordados alguns quarteirões à frente. Não houve indícios da participação de nenhum empregado, mas, segundo o Deic, o problema só acabou depois que o restaurante vetou o uso de celular por funcionários.

Belarmino Iglesias, o proprietário, diz que não foi bem assim: "Desde a abertura do Figueira, nunca permitimos durante o serviço e nas dependências do restaurante o uso de celulares pelos funcionários. Acho que o que realmente resolveu essa questão foi que a polícia na região dos Jardins passou a atuar diferentemente, abordando e revistando motos, colocando mais carros em ronda nessa região." Ele - que diz saber de apenas dois roubos - também conta que reforçou a vigilância no local.

Lá fora, tudo bem

O piloto de Stock Car Luciano Burti teve um Rolex roubado, segundo ele, pelo filho da faxineira. Em São Paulo? "Não, foi na Inglaterra. A empregada era de confiança, mas o filho dela era viciado (em droga)."

Apesar de ter levado o prejuízo na Europa, Burti só costuma circular com sua coleção de relógios (Chopard, Bulgari, IWC, entre outros) por lá. No Brasil, se sente "inseguro".

"Em São Paulo acabo usando um modelo simples ou vejo horas no celular. Olha, cara, a gente sabe que o perigo existe, não dá para ficar na neura pensando no relógio", diz o piloto.

E o Rolex Oyster Perpetual de Natasha? Voltará, um dia, a enfeitar o pulso da dona? "Tem gente que recupera o relógio. Acontece de o receptador levar na assistência técnica e o roubo ser descoberto, por exemplo. Mas não é muito provável", conclui o delegado do Deic.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Adeus




















Fotos Divulgação e Folha Imagem

Publicado no UOL Últimas Notícias

Morreu às 16h de hoje, aos 85 anos, em São Paulo, o ator Paulo Autran. Ele estava internado desde a tarde de ontem no Hospital Sírio Libanês. Paulo Autran sofria de câncer de pulmão e enfisema pulmonar há cerca de um ano, e já havia sido internado recentemente em diversas ocasiões, a última ocorrida no sábado passado (5), com alta recebida na terça-feira (9). Há poucos meses, o ator passou mal durante apresentação do espetáculo "O Avarento", sua 90ª peça, e foi internado com suspeitas de problemas cardíacos.

Paulo Autran nasceu no Rio de Janeiro em 1922, e mudou-se ainda jovem para São Paulo, onde formou-se em Direito na Faculdade do Largo São Francisco, em 1945. Nessa época, passou a participar de peças amadoras, dando início a uma das mais expressivas carreiras de artes cênicas do Brasil.

A estréia como ator ocorreu em 1949, no TBC (São Paulo), na peça "Um Deus Dormiu Lá em Casa", em que contracenou com a atriz Tonia Carrero, uma de suas melhores amigas. Desde então, Paulo Autran participou de outras 89 peças, entre elas "Otelo", "Antígona", "My Fair Lady" e "Visitando o Sr. Green", sendo a última delas "O Avarento", texto de Molière escrito em 1668.

Além do teatro, a carreira de Paulo Autran também teve grandes momentos no cinema e na televisão. Entre eles, destaca-se sua interpretação do político Porfírio Diaz no filme "Terra em Transe" (1967), marco do cinema nacional do diretor Gláuber Rocha, e a participação em "Destino em Apuros" (1953), primeiro filme colorido produzido no Brasil. Na televisão, Autran participou de novelas como "Pai Herói" (1979), "Sassaricando" (1987) e "Guerra dos Sexos" (1983), além de minisséries, como "Hilda Furacão" (1998).

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Marilyn em sua última sessão de fotos
















Publicado na Revista da Folha

Em descompasso com o mito, lentes de Bert Stern, fotógrafo da revista Vogue, revelam, no último ensaio produzido, uma Marilyn menos diva e mais Norma. As imagens foram feitas há 45 anos, um mês antes de Marilyn Monroe, uma das mulheres mais desejadas do mundo, morrer de overdose de barbitúricos.

Bert Stern não pensou duas vezes. Com o "sim" de Marilyn Monroe ao convite para um ensaio de fotos e carta-branca da "Vogue" americana para clicar o que quisesse, o fotógrafo de moda desejou colocar a musa na capa da revista.

Não precisou de muito. Levou somente lenços e jóias para a suíte do hotel Bel-Air, em Los Angeles, no dia 23 de junho de 1962. Foi ela quem perguntou: "Você quer fazer nus?". Como se em nenhum momento tivesse pensado nisso, ele pareceu ceder: "Essa é uma boa idéia".

Marilyn Monroe não passava por um bom momento, contou à Revista da Folha por telefone, de Nova York, o fotógrafo Bert Stern, perto dos 80 (também vaidoso, ele não revela a idade). "Ela havia acabado de ser despedida de um filme, estava divorciada do último marido (o dramaturgo Arthur Miller), tinha alguns homens diferentes. E estava envelhecendo."

Bingo. Aquele seria o momento ideal para dar uma levantada na carreira - e na auto-estima - da loira platinada. "Achei que colocá-la na capa da Vogue seria uma boa idéia, original. Como uma revista de moda, eles nunca haviam dado uma capa com uma personalidade. Ela foi a primeira."

Aos 36 anos, depois do sucesso em "Os Desajustados" e começando a receber olhares mais interessados da crítica, Norma Jean carregava uma beleza madura, algumas ruguinhas e uma acentuada cicatriz na barriga, resultado da cirurgia na vesícula pouco mais de um mês antes do ensaio. "Era uma grande cicatriz, mas não me incomodou. Uma mulher também pode ser bonita por sua cicatriz", diz o fotógrafo.

De nudez e champanhe

Além de sedutora e fatal, nesse ensaio Marilyn também confirmou a fama de atrasada que conquistou nos sets de filmagem. Deixou Stern esperando por cinco horas. Para honrar também a reputação de insegura, pediu três garrafas de champanhe Dom Pérignon - só para ela. Com a loira relaxada, enfim, o ensaio durou quase 12 horas. "Era fácil trabalhar com ela", lembra Stern. "Quis saber sobre os filmes que eu fiz, era muito curiosa. Muito divertida. Engraçada, sexy, bonita."

Mas a beleza nua de Marilyn não interessou à "Vogue". "Quando eles viram como ela estava linda, quiseram fazer um ensaio de moda, com um vestido preto."

De 2.571 cliques feitos por Stern em três dias, foram as imagens com o vestido que a revista escolheu e que publicou um dia após a morte da atriz.

As outras fotografias, as que revelam uma Marilyn ao mesmo tempo deusa e mortal, com caras, bocas, pinta e uma vesícula extraída - e visivelmente mais magra depois da cirurgia -, foram publicadas em livros estrangeiros a partir de 1982 e integraram uma exposição sobre a diva em Nova York, em 2004. No ano passado, o material ganhou mostra exclusiva em Paris e agora chega ao Brasil.

MAM consegue liberação de fotos

O MAM-Rio (Museu de Arte Moderna do Rio) conseguiu a liberação das 62 imagens históricas de Marilyn Monroe que formam a exposição "Marilyn Monroe - O Mito". As fotos ficaram retidas anteontem no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo), após a fiscalização questionar se o material era ou não obra de arte.

A liberação foi obtida por meio de uma liminar na Justiça. As fotos chegaram ontem ao Rio. A abertura da exposição em homenagem à atriz, só para convidados, foi remarcada para esta quinta-feira (11), às 19h. Para o público, a mostra começa amanhã, sexta-feira (12).

A montagem da exposição deve ser feita até o meio-dia desta quinta-feira, segundo a assessoria do MAM-Rio. Inicialmente, a mostra deveria ter sido inaugurada anteontem, terça-feira.

Em São Paulo, a exposição está marcada para começar em 25 de janeiro de 2008, na galeria de arte Estação São Paulo (rua Ferreira de Araújo, 625), em Pinheiros (zona sul).

Exposição Marilyn Monroe - O Mito

Onde: Museu de Arte Moderna do Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo, tel. : (21) 2240-4944
Quando: dia 11, às 19h (só convidados)
Quanto: R$ 5 (estudantes, maiores de 60 anos e crianças de até 12 anos em grupos: R$ 2)

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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Playboy tem venda recorde no Congresso


Da Folha Online

Pouco mais de duas horas depois de receber a "Playboy", que traz na capa a jornalista Mônica Veloso, a banca de jornal do Congresso Nacional já vendeu 40 exemplares da revista nesta terça-feira.

Mônica ganhou destaque na mídia após o escândalo político que atingiu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pai de uma das duas filhas da jornalista.

Segundo um funcionário da banca, José Irinaldo, que há 13 anos trabalha no local, o número de vendas está acima da média. "Para vender a Playboy, sempre depende de quem está na capa. Desta vez, a venda é bem maior, surpreendente."

Irinaldo decorou a banca com vários exemplares da revista para chamar a atenção dos parlamentares que chegam à chapelaria do Congresso, onde a banca está localizada.

O funcionário afirmou, no entanto, que os deputados e senadores evitam comparecer pessoalmente à banca e preferem enviar assessores para não serem flagrados comprando a revista.



O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), esperava seu carro para deixar o Congresso próximo à banca quando foi questionado por jornalistas se estaria disposto a comprar um exemplar. "Não comprei ainda, mas se alguém me emprestar... Se não, não."

O dono da banca do Congresso solicitou 100 exemplares da revista. Nos últimos dias, a jornalista fez uma maratona de visitas a programas de TV para divulgar sua revista. Ela espera terminar um livro sobre suas peripécias em Brasília até o dia 15 de novembro, data da proclamação da República, a ser lançado pela editora Novo Conceito.

No entanto, Mônica já descartou revelações que comprometessem políticos. Atualmente, a jornalista diz estar sem namorado.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Felicidade é um casaco de lã de camelo



Da BBC Brasil

Uma fotografia de John Lennon adolescente veio a público depois de passar quase 50 anos desaparecida.

Na foto de 1958, recebida pelo programa de televisão da BBC "Inside Out", o beatle aparece aos 17 anos, vestindo um casaco de lã de camelo e usando um topete. Ele estava ao lado do amigo Nigel Walley, na Lime Street, em Liverpool.

A relíquia foi enviada à BBC por um colecionador anônimo, que a comprou em um leilão. Nigel Walley - que era o empresário da primeira banda de Lennon, The Quarrymen, a precursora dos Beatles - disse que havia dado a foto a seu irmão, que acredita que ela foi roubada de sua carteira escolar.

'Lapelas incríveis'

"Só Deus sabe onde ela (a foto) foi parar desde então", disse Walley à BBC. "É muito emocionante, para mim, ver essa foto de novo depois de tantos anos. John era um grande amigo meu. Tenho certeza de que ele adoraria ver essa foto. É algo que vou guardar com carinho agora."

Walley também lembra que o fotógrafo se interessou por eles por causa das "lapelas incríveis" de seus casacos de camelo.

"Eu reconheço a minha letra atrás da foto. Eu escrevi 5 de maio de 1958, Lime Street. Não tenho idéia do que estávamos fazendo naquele dia. Provavelmente só dois rapazes se divertindo na cidade. Nós parecemos felizes", disse Walley.

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sábado, 6 de outubro de 2007

A vida numa 'cidade lenta'



Da Der Spiegel

Stefano Cimicchi foi prefeito de Orvieto - pequena cidade da Úmbria, na Itália - de 1991 a 2004 e durante vários anos foi presidente do movimento "Cidade Lenta" (slow city), uma ramificação do bem-sucedido conceito de "alimentação lenta" (slow food). O movimento afirma que as cidades pequenas devem preservar suas estruturas tradicionais, observando regras estritas: os carros devem ser proibidos nos centros; as pessoas devem comer somente produtos locais e usar energia sustentável. Nessas cidades não adianta muito procurar uma rede de supermercados ou um McDonald's.

"Nosso objetivo é criar cidades habitáveis", diz o animado Cimicchi, 51 anos, que tem um bigode branco e marcas de riso ao redor dos olhos. "Estamos trabalhando, digamos assim, com o conceito da cidade utópica, da mesma maneira que fizeram o escritor Italo Calvino e o arquiteto Renzo Piano."

A minúscula cidade de Greve, na Toscana (norte da Itália), tornou-se a primeira "città slow" em 1999, seguida por Bra, Positano e Orvieto. Com o tempo, a onda da lentidão se espalhou. Hoje há 42 cidades lentas na Itália e um número cada vez maior - na Grã-Bretanha, Espanha, Portugal, Áustria, Polônia e Noruega - adere à rígida lista de exigências do movimento. Na Alemanha, várias cidades, como Hersbruck, Lüdinghausen, Schwarzenbruck, Waldkirch e Überlingen, entraram para o círculo seleto, que só admite cidades com menos de 50 mil habitantes.

Em certa medida, uma cidade lenta tenta preservar as estruturas cívicas da época medieval ou renascentista e ao mesmo tempo incorporar as mais recentes descobertas científicas da ecologia e da sustentabilidade. Até a tecnologia moderna é permitida se ajudar a atingir as metas da cidade. Por exemplo, Cimicchi pretende instalar portões eletrônicos para controlar o acesso a Orvieto, permitindo a entrada exclusivamente aos moradores da cidade.

O próximo projeto da lista de Cimicchi é um programa para educar as crianças sobre bom gosto. "Algumas crianças hoje não sabem mais de onde vem um peito de frango, a que animal pertence, ou que as batatas fritas não crescem em árvores", diz. Ele também quer ensinar às pessoas bons métodos de produção e que ferver é melhor que fritar.

Ainda há trabalho a fazer em Orvieto. Mesmo com seu encanto medieval, a cidade numa colina ainda tem um bom caminho a andar para atingir o ideal de cidade utópica de Cimicchi. O medo dos comerciantes de terem lucros menores causou uma constante oposição à proibição total dos automóveis no centro da cidade. E a Coca-Cola ainda é servida nos cafés, a pedido.

Publicado no UOL Mídia Global e editado pelo RA.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

'Ninguém agüenta mais Caetano opinando'



Do jornal La Vanguardia

No Brasil o chamam de "o homem". É o artista mais respeitado, o mais venerado. Uma espécie de deus musical que transcende a arte: Caetano é tudo no Brasil. E fora dele representa o país, assim como Bob Marley fez com a Jamaica, Fela Kuti com a Nigéria ou Lennon e McCartney com a Inglaterra.

Aos 65 anos, Caetano Veloso vive uma segunda, terceira ou quarta juventude. Veste-se de modo mais informal que nunca (jeans rasgados, tênis). Fala sem rodeios de sexo. E dá uma volta de parafuso em seu trabalho, aterrissando em um rock rebelde e fresco.

"Cê" (Universal), seu último trabalho, é uma bofetada sonora cheia de matizes. Para o compor, gravar e interpretar, Caetano cercou-se de um "dream team" de músicos jovens, da idade de seu filho Moreno.

"Tenho muito a aprender com eles", sussurra entre risos.

O camaleão brasileiro (cada álbum é um mundo, um estilo, uma aposta de vanguarda) fala com afabilidade. Pensa nas respostas. Mede suas palavras, mas não tem papas na língua. No final deste mês dará três concertos na Espanha: Madri (dia 19), Donosti (dia 21) e La Coruña (dia 23). Além de "Cê", a Universal lança a coletânea "Língua", com canções de Caetano em vários idiomas (castelhano, inglês, italiano, francês).

Abaixo, a entrevista com o compositor e cantor.

La Vanguardia - Na idade em que a maioria dos artistas se assenta ou elabora trabalhos mais tranqüilos, você dá um giro roqueiro. Por quê?

Caetano Veloso - Bem, estou no rock desde 1966. Tenho inclusive discos dos anos 80 com algo de rock. Mas este é o meu disco mais roqueiro porque é um disco de banda. Montei um grupo que participou da criação. E isso lhe dá uma atmosfera de rock, um som mais duro. Por isso é melhor ouvir "Cê" ao vivo.

LV - Pedro Sá, Ricardo Dias, Marcelo Callado, os membros de sua banda, têm entre 26 e 36 anos. Aposta nos jovens?

Caetano - São muito bons e nos entendemos muito bem. Eles têm uma cultura musical muito grande, e não só da música de sua geração. E têm uma posição crítica muito boa. Aprendo muito com as gerações jovens.

LV - "Cê" fala de sexo, separação, dor. Nos últimos anos você se separou de Paula Lavigne e isso se reflete em algumas canções. O disco parece bastante autobiográfico.

Caetano - Como sempre, algumas coisas. Mas nem tanto. "Não me arrependo" é totalmente autobiográfica. Outras canções, como a do orgasmo múltiplo, são pessoais. É algo que eu sempre disse: das mulheres só invejo a capacidade dos orgasmos múltiplos. Bem, já disse aqui. O sexo sempre foi muito importante para mim. Em troca, "Odeio" é uma canção mais oblíqua. Me separei. Esse assunto voltava à cabeça. Ruptura, dor, amor, o outro lado da moeda. Que vem a ser o mesmo. Gosto de excitar a imaginação para abordar esses temas pessoais.

LV - Quando você pronuncia "odeio" na canção, o faz com suavidade. Parece dizer "te amo"...

Caetano - Sim, a canção fica mais suave. Essa é a idéia, desfazer a fronteira do amor e do ódio, que é uma película muito fina.

LV - Completam-se 40 anos do tropicalismo, movimento do qual você foi fundador. Voltaria a afirmar "sou eternamente tropicalista"?

Caetano - É o que sinto. O que me levou até lá me trouxe aonde estou.

LV - Qual foi a grande contribuição do tropicalismo? O que o mantém vivo, de certa forma?

Caetano - É difícil dizer. Foi um movimento multifacetado. Um comentário, feito com colagens, sobre o estado em que se encontrava a criação da música popular e a cultura de massas, no Brasil e no mundo.

LV - Qual foi sua principal conseqüência?

Caetano - Pode-se ver até hoje em dia. Significou uma ruptura de tabus, uma abertura de portas. E desrespeitamos os preconceitos!

LV - O Brasil tem maior facilidade para romper tabus, para misturar-se, para a abertura?

Caetano - Creio que sim. É muito misturado racialmente e é o único país da América que fala português e que em vez de se desmembrar em vários países se transformou em um país-continente. Além disso, tem a maior população negra fora da África, a segunda do mundo depois da Nigéria. Muitas desvantagens criaram uma vantagem, uma espécie de bênção.

LV - O Brasil tem facilidade para popularizar a música? Até a bossa nova, criada pela elite cultural, teve enorme popularidade.

Caetano - Exatamente. Os discos mais radicais de João Gilberto foram os que mais venderam. Creio que isso acontece porque o Brasil tem algumas peculiaridades e alguns defeitos.

LV - Como quais?

Caetano - O Brasil tem um grande déficit em cultura erudita e em escolaridade, a pior distribuição de renda da América e uma das três piores do mundo, só melhor que Haiti e Serra Leoa. Um país péssimo.

LV - O que você acha da gestão de Gilberto Gil como ministro da Cultura?

Caetano - Quando ele recebeu o convite, eu fui contra. Agora se transformou no Lula de Lula, no símbolo de seu mandato. Ajuda a consolidar a simpatia que o mundo tem por Lula, sobretudo na Europa. Como ministro tem poucos recursos e uma boa atuação. Tem interesse pelas coisas mais modernas, distribuição, era digital, internet. Ele criou os pontos de cultura, que prestam atenção a expressões culturais minoritárias. Não é um ministério inócuo, inoperante.

LV - O que você acha de ele defender a Creative Commons como alternativa para o copyright?

Caetano - Acho bom que ele diga isso como ministro. Até que abra seus direitos como músico. Mas parece que, como autoridade musical, está obrigando outras pessoas a fazê-lo. Deveriam proteger quem criou a obra de arte. Mesmo que seja por um período, um tempo. A arte não é um automóvel, uma geladeira. Não se pode distribuir gratuitamente uma geladeira.

LV - No concerto no Rio você criticou Lula, mas também a oposição. O Brasil leva demasiado a sério tudo o que Caetano diz?

Caetano - Não creio. Não estou muito perto dos artistas da minha geração que dão opinião política sempre. Hoje já não se faz muito isso porque os artistas não têm tanta vinculação com a política. Em compensação, os políticos estão mais parecidos com os artistas pop, a forma como se faz política é pop. Mantenho-me à margem. Alguém disse em um blog que já não agüentava mais Caetano opinando sobre qualquer coisa. Ninguém agüenta mais Caetano opinando. Adoro que digam isso.

LV - Sua mãe completou 100 anos há poucos dias e comemorou em grande estilo na Bahia. Foi à inauguração da Casa do Samba de Roda do Recôncavo Baiano, em Santo Amaro. E passa parte do ano em sua casa em Salvador. Que influência a Bahia ainda tem em sua vida?

Caetano - Muito grande. Minha mãe vive lá, meus irmãos mais velhos. Meus filhos, netos. Tenho uma casa lá. Adoro Salvador, adoro a axé music, adoro toda a história dessa música, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Timbalada, Olodum, Illê Aiyê, idolatro aquilo. Gosto mais daquilo que de rock. A Bahia é onde eu cresci e vivo lá parte do tempo. Embora na realidade eu não seja de lugar nenhum; ninguém é de lugar nenhum.

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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Brasil tem iPod mais caro do mundo



Da BBC Brasil

O Brasil é o país que vende o iPod mais caro do mundo, de acordo com um novo índice do Banco Commonwealth da Austrália que compara moedas globais e poder de compra em 55 países, informou a agência de notícias Reuters.

Nos mesmos moldes do índice Big Mac, lançado há 20 anos pela revista The Economist, o banco compara o preço do iPod vídeo nano de 4GB e conclui que, no Brasil, o aparelho custa US$ 369,61 (cerca de R$ 675).

O iPod mais barato, segundo a lista, é vendido em Hong Kong a US$ 148,12 (cerca de R$ 270).

O segundo país mais caro é a Bulgária, onde o aparelho é vendido a US$ 318,60 (cerca de R$ 582).

Dentro da zona do euro o iPod também é vendido a preços diferentes, com o mais barato encontrado na Grécia, a US$ 196,51 (cerca de R$ 359).

Pesquisas de poder de compra comparam o preço de algum produto em diferentes países e podem ajudar a mostrar o quanto uma moeda é valorizada em relação à outra.

Segundo disse à Reuters o economista Craig James, do Banco Commonwealth, os resultados mostram que o dólar está caindo em comparação às moedas de todos os países.

"Eles também ressaltam os efeitos de tarifas e impostos nos países. Os brasileiros e argentinos, provavelmente, vão ao exterior para fazer compras", explicou ele.

A Argentina é o país com o terceiro mais alto preço de iPod. Lá, o aparelho nano de 4GB custa US$ 317,45 (cerca de R$ 580).

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quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Lissões do Congreço Nassional


Folha Imagem

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terça-feira, 2 de outubro de 2007

OceanAir monta loja na Rocinha

Da Folha Online

A empresa aérea OceanAir decidiu abrir um loja exclusiva na favela da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, para vender passagens financiadas em até 36 parcelas. O principal público da companhia são os nordestinos que moram no local.

O vice-presidente de Marketing da OceanAir, Omar Perez, afirmou que a loja será aberta em até 45 dias e já estará operando para as festas de final de ano. A empresa calcula em 30 mil os potenciais passageiros entre os meses de dezembro deste ano e fevereiro do ano que vem.

"Nós consideramos a Rocinha um bairro importante do Rio, com 250 mil habitantes, sendo metade de nordestinos. Esse público utiliza o ônibus como meio de transporte, nas férias e para visitar os seus parentes. Vamos mostrar que viajar de avião é mais rápido, barato e confortável", afirmou.

As passagens serão oferecidas para todo o Brasil com pagamento facilitado em até 36 parcelas. Uma financeira vai analisar o perfil do cliente de determinar o valor do crédito que ele terá, numa espécie de cartão fidelidade. Com esse crédito pré-aprovado, ele escolherá o destino e o número de parcelas.

Perez afirmou que não há receio de inadimplência. "Os que melhor pagam no Brasil são os pobres. Além disso uma financeira vai analisar a capacidade do cliente."

Perez também ressaltou que a baixa renda é o público alvo das empresas aéreas e que a OceanAir deve estender o projeto de criar lojas em locais como a Rocinha em outras cidades - a próxima deve ser São Paulo, segundo ele.

"O mercado se move a crédito, tanto que os financiamentos de veículos e casa própria estão ampliados. Isso vai ocorrer em todos os setores da economia, inclusive no setor aéreo", afirmou.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Para executivos, baixaria na TV vai piorar

Da coluna Outro Canal, na Folha Online

Pesquisa feita pelo Ibope revela que a elite empresarial brasileira perdeu confiança na televisão e não acredita numa melhora dos níveis de violência e sexo na programação.

A pesquisa foi feita em julho com 537 executivos de 381 grandes empresas nacionais. Representa dois terços do "top management" do país. Seu principal objetivo era saber o que eles pensam sobre sustentabilidade e responsabilidade social. A margem de erro é de cinco pontos percentuais.

Sexo e violência na TV foram incluídos em lista dos "problemas crônicos do país", ao lado de moradia, pobreza e drogas.

Para 48% dos entrevistados, a violência e o sexo na televisão vão piorar - em 2005, esses percentuais eram, respectivamente, de 51% e 52%. Os que acreditam que os níveis vão se manter iguais, que eram de 35%, passaram a 45%. Em contrapartida, os que acham que a violência (14%) e o sexo (13%) vão melhorar agora são só 7%.

A confiabilidade plena na TV aberta, que era de 61% em 2005, foi reduzida para 52%. A TV também perdeu "eficiência". Com ela, há dois anos alcançava-se o que se buscava para 65% dos executivos. Hoje, só para 49%. Já a internet, que era vista como eficiente por apenas 29%, hoje satisfaz 75%. "As mídias modernas subiram em eficiência e as tradicionais perderam", conclui Paula Soria, diretora de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência.

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