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terça-feira, 20 de maio de 2008

O rebelde acidental

Paul Auster, no New York Times

Foi o ano dos anos, o ano da loucura, o ano de fogo, sangue e morte. Eu acabava de completar 21 e estava tão louco quanto todo mundo.

Havia meio milhão de soldados americanos no Vietnã, Martin Luther King tinha sido assassinado, as cidades queimavam em toda a América e o mundo parecia rumar para a derrocada apocalíptica.

Ser louco me parecia uma reação perfeitamente saudável para a mão que me haviam dado: as mesmas cartas que todos os rapazes receberam em 1968. No instante em que me formasse na faculdade, eu seria recrutado para lutar em uma guerra que eu desprezava no mais profundo do meu ser, e como já tinha decidido me recusar a lutar naquela guerra, sabia que meu futuro só apresentava duas opções: a prisão ou o exílio.

Eu não era uma pessoa violenta. Revendo hoje aqueles dias, vejo-me um jovem tranqüilo, amante de livros, lutando para aprender a ser um escritor, mergulhado em meus cursos de literatura e filosofia em Columbia.

Eu havia marchado em manifestações contra a guerra, mas não era um membro ativo de qualquer organização política no campus. Simpatizava com os objetivos do SDS (um dos vários grupos de estudantes radicais, mas de modo algum o mais radical), mas nunca fui a suas reuniões nem jamais distribuí um panfleto ou folheto. Eu queria ler meus livros, escrever meus poemas e beber com meus amigos no bar West End.

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