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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Um monge no Calçadão




















Carlos Eduardo Gonzalez, 32 anos, é uruguaio da capital Montevideo, mas foi criado na histórica cidade de Colônia Suíça. Há seis meses resolveu deixar o seu país - "onde tudo é muito caro" - para percorrer o Brasil ao lado do seu alter ego "Monge Gregoriano".

Desde a fronteira, no Rio Grande do Sul, já visitou diversas cidades de cinco estados brasileiros. A próxima meta é Minas Gerais, provavelmente Ouro Preto, depois que lhe falei das belezas do lugar. Em Resende, chegou depois de uma temporada no alto da serra, mais especificamente, na vila de Maromba.

Com a paciência de um monge, Carlos Eduardo me explica que gasta, em média, uma hora para se maquiar. O dourado do rosto e das mãos é resultado de um produto que ele mesmo prepara, à base de creme hidratante e sombra para os olhos. Depois do expediente - que costuma durar o dia todo -, a maquiagem é retirada com um bom banho e muitas esfregadelas de bucha vegetal.

Seu velho chapéu, colocado aos pés da "estátua", recebe por dia aproximadamente dez reais ("depende do lugar onde estou, do movimento, da boa vontade das pessoas..."). Coloco nele algumas moedas e recebo em troca uma reverência silenciosa de agradecimento. Nesse momento, entendo que o Monge Gregoriano já assumiu o seu posto e me despeço também em silêncio.

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