A arte metafísica do argentino Xul Solar
Por Tereza Novaes, da Folha Online
É expediente comum recorrer à chancela de Jorge Luis Borges para avalizar a obra de seu conterrâneo Xul Solar (1887-1963). Em mais de uma oportunidade, Borges discorreu sobre a pintura de Xul, referindo-se a ele como o "nosso William Blake" e como o criador de "um mundo metafísico onde os deuses tomam as formas da imaginação dos que sonham".
O artifício de citar o mais celebrado autor argentino talvez seja justificável diante do fato de Xul permanecer praticamente desconhecido do grande público. Autor de uma obra autêntica que espelhou suas aspirações e pesquisas em várias áreas do conhecimento, Xul não tem par entre os artistas da vanguarda latino-americana do começo do século passado. Mais do que um artista, foi um visionário e utopista.
Comparado a Klee e Kandinsky, Xul desenvolveu seu trabalho em pequenos formatos, quase sempre com aquarela ou têmpera e com exuberância de cores. Criou uma obra complexa e lírica, explorando sobretudo temas relacionados às suas experiências místicas.
É justamente esse viés que costura as 130 obras da exposição "Xul Solar - Visões e Revelações", que pode ser vista desde o último sábado na Pinacoteca do Estado, em São Paulo.
"A mostra sublinha basicamente a problemática espiritual, que assinala a permanente busca dele por estabelecer um vínculo profundo com a religiosidade como forma de elevação do ser humano", explica Patricia Artundo, curadora da mostra, que já passou pelo Malba, em Buenos Aires, e segue depois para Houston (EUA) e para a Cidade do México.
"Xul Solar - Visões e Revelações" estará aberta à visitação até 30 de dezembro, de terça a domingo, das 10h às 17h30, na Pinacoteca do Estado (praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo, tel.: (11) 3229-9844), com ingresso a R$ 4,00 (aos sábados, entrada franca).
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