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domingo, 19 de agosto de 2007

Rodoviária do Rio será reformada




Projeto de reforma do 1º e 2º pisos

Publicado na Veja Rio

Construída em 1965, a Rodoviária Novo Rio passará, enfim, pela primeira grande reforma. Orçadas em 8 milhões de reais, as obras começarão até o fim do mês e prometem deixá-la irreconhecível. O terminal de ônibus ganhará ar-condicionado, elevador panorâmico e duas praças de alimentação, além de 22 novos quiosques e lojas. Mas a principal mudança será no visual: saem de cena as paredes escurecidas e o piso industrial, substituídos por ambientes claros, com piso de granito branco. "Vai ser tudo muito clean", antecipa Roberto Faria, diretor adjunto da Socicam, empresa que administra a Novo Rio e outros dezessete terminais de ônibus. "Vamos mudar da água para o vinho. E vinho dos bons."

Os trabalhos se iniciam no setor de embarque, que deve ficar pronto até o Natal. Depois, seguirão pelo desembarque e pela passarela que liga os dois setores. A passarela, aliás, é o alvo da maior intervenção. Hoje, ela tem 12 metros de largura. Passará a ter 36. A reforma completa só deve ser concluída em dezembro de 2008.

Com um volume de mais de 50 mil passageiros por dia, 174 linhas de ônibus e uma área de 28 mil metros quadrados, a Novo Rio ainda padece com instalações antigas e desconfortáveis. O objetivo é justamente corrigir esses problemas e tornar o espaço agradável para quem está lá, por definição, de passagem. Sua inspiração vem do Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. Modernizado pela própria Socicam em 2002, ao custo de 14 milhões de reais, o Tietê recebe 90 mil pessoas por dia e é a maior rodoviária da América Latina. "Mas nossa intenção não é aumentar o volume de passageiros", afirma Faria, que viu o movimento crescer 30% no mês passado por causa do caos aéreo, dos Jogos Pan-Americanos e das férias de julho.

Além do embelezamento e da modernização, a rodoviária deve tornar-se mais segura. Atualmente, 33 câmeras registram o movimento no terminal. Com a reforma, elas serão 56. Também receberão cuidados as instalações elétricas. Os custos serão cobertos pelo Consórcio Novo Rio, que inclui a Socicam, empresas de ônibus e lojistas do terminal. Para que a rodoviária se torne mais hospitaleira, porém, ainda faltará coibir a baderna de camelôs e vans irregulares que transformam seus arredores em campo minado tanto para turistas quanto para cariocas.

Pitaco do RA: Nos meus 20 anos vividos na capital, nunca me conformei com o estado sempre lastimável da rodoviária Novo Rio. Principalmente, quando ia recepcionar parentes e amigos que lá chegavam de visita e tinha que ouvir os comentários nada elogiosos sobre aquela que deveria ser , pela lógica, um dos cartões-postais da Cidade Maravilhosa. "Mas como é que o Rio de Janeiro, famoso mundialmente pela sua beleza, tem uma rodoviária horrorosa como esta?" Depois de algum tempo, me acostumei a responder que isso era coisa de carioca, um povo que não se importava muito com as aparências e que convivia bem com ruas esburacadas, calçadas sujas de cocô de cachorro e uma rodoviária que perdia na comparação - em limpeza e conforto - para qualquer terminal de médias cidades do interior de Minas ou de São Paulo. Quando deixei o Rio, a rodoviária já tinha passado por uma pequena reforma que melhorou razoavelmente o seu aspecto, embora ainda continuasse a anos-luz de distância, por exemplo, do Terminal Tietê, em São Paulo. Por isso, é difícil para mim imaginar que até o Natal de 2008, o Rio terá uma nova rodoviária, digna dos terminais europeus, paulistas ou mineiros. Pena que - se isso realmente acontecer - eu não estarei lá para receber, com orgulho, as minhas visitas.

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