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terça-feira, 26 de julho de 2005

Orkut: a máquina de conhecer gente

Escrito por Cora Rónai

Na semana passada, o Orkut ficou mal na fita: a Polícia Federal descobriu uma rede de traficantes vendendo drogas tranqüilamente através de algumas comunidades. Resultado: a essa altura, pais e mães preocupados estão subindo parede de costas ao ver os filhos adolescentes colados na familiar telinha azul clara. Mas, se posso dar um conselho a esses pais, o conselho é: sosseguem. Como o resto da internet, o Orkut é um espelho do mundo real. Há de tudo lá, bom e mau, exatamente como aqui fora. Mas há duas características do Orkut que, bem utilizadas, podem transformá-lo na melhor máquina de conhecer filho jamais inventada, depois da boa e velha atenção cuidadosa.

Estou falando das listas de amigos e de comunidades, a partir das quais se pode chegar a um retrato bastante fiel das companhias e gostos pessoais de cada um. Além de ler os perfis dos amigos, entrem nas comunidades e tentem ficar em dia com o que seus filhos têm escrito naquelas das quais participam. Vale lembrar, porém, que freqüentemente elas funcionam apenas como referência de hábitos e de preferências; nem sempre são, necessariamente, locais de encontro ou de bate-papo.

A idéia geral por trás dessa aparente contradição é compor um mosaico virtual da personalidade, uma colcha de afinidades que sinaliza, para outros orkuteiros, o tipo de pessoa que se é ou, pelo menos, que se gostaria de ser. Eu mesma quase não participo da vida das inúmeras comunidades às quais pertenço, por exemplo, mas uma visita à minha lista revela muito a meu respeito. Através delas, é possível saber que sou jornalista de tecnologia, que mantenho um blog, que tenho insônia, que esqueço tudo, torço pelo touro (nas touradas), acho software livre fundamental, nasci no dia 31 de julho, moro na Lagoa, amo o Rio, os gatos e uma certa capivara, faço foto digital e, até, que adoro o milkshake de Ovomaltine do Bob's.

Sim, pasmem, até sobre isso existe comunidade no Orkut. Aliás, comunidades, no pural, mais especificamente oito, sendo que a mais populosa tinha, até a noite de sexta-feira, exatos 191.608 participantes. Êta milkshake popular, hein?

Quando conheço alguém, uma das minhas primeiras providências é ver se este alguém está no Orkut. Não para saber com quem estou falando, porque isso ainda se descobre mais facilmente em pessoa, mas para cortar uma quantidade de atalhos que, na "vida real", eu levaria meses para cobrir. O que lê o meu novo amigo, do que gosta, quais são seus principais interesses, como se sente em relação a coisa que considero importantes? Em geral, podem apostar: está tudo lá.

Esta quantidade de informações pode ser uma mão na roda para aproximar pais e filhos ou, no mínimo, para deixar os pais mais conscientes do que vai pela cabeça dos filhos. Se antigamente era comum crianças e adolescentes com pouco diálogo com a família escreverem diários na esperança de que os pais os "descobrissem", hoje este papel cabe aos blogs e ao Orkut.

A seleção de comunidades fala por si só; mas, para que dê seu recado, é preciso que seja vista, acompanhada e, discutida. Às vezes as comunidades funcionam como um sinal de alerta; e, quase sempre, dão ótimas dicas aos pais a respeito das atividades que os jovens gostam ou não de exercer, de quem são seus ídolos, do que admiram ou cobiçam.

O Orkut, como a internet, não é má companhia por si mesmo, nem leva ninguém para o mau caminho. Mais uma vez, vale o conselho de sempre: conversem com seus filhos, fiquem tão atentos ao que estão fazendo no computador quanto na rua e eles estarão a salvo, na medida em que é possível se estar a salvo no mundo de hoje.

Publicado no blog InternETC (link nos Favoritos do RA) em 25/07/05.

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