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sexta-feira, 31 de março de 2006

Dancin' Days

Crônica de Nelson Motta (via e-mail)

A brasileiríssima expressão "no fim tudo acaba em samba" é originalmente carioca mas, por influência paulista, acabou se transformando em "acabar em pizza".

Agora, numa síntese interestadual prá lá de dialética, a deputada Guadagnin juntou as duas em uma e a pizza acabou em samba. A impunidade ao quadrado.

E depois ainda veio ofender os idosos, as mulheres, os gordos e os feios que não aceitam nada do que ela comemora, dizendo que sua atitude só teve esta dimensão por sua condição de mulher madura, acima do peso e fora dos padrões de beleza vigentes. Ah, e porque luta pela justiça. Parece que os cidadãos e cidadãs honrados que não lutam pela justiça são todos jovens, magros e bonitos. E burros.

A deputada ofendeu também milhões de machistas honestos, trabalhadores e patriotas, quando sugeriu, em tom indignado e ressentido, que se fosse uma gostosona ou um homem não reclamariam tanto. Podem ser machistas, mas não são burros e nem aguentam mais corrupção, mentiras e cinismo.

Se a Maria Fernanda Cândido fosse deputada e sambasse no plenário seria lindo de ver, mas horroroso se fosse para comemorar a absolvição de colegas pilhados com a mão na massa. Mas Maria Fernanda jamais faria nem uma coisa nem outra: é uma mulher de responsabilidade e compostura.

A defesa da musa da pizza - cada momento de nossa história tem a musa que merece - faz par perfeito com Severino se dizendo vítima de preconceito por ser macho, nordestino, feio e barrigudo. Mas nem Severino se deu à grotesqueria de xaxar em plenário.

A deputada é também uma mulher de sorte, a queda de Palocci ocupou todos os espaços da mídia e tirou-a da linha de tiro. Mas nada que ela fizer ou disser apagará da memória popular as inesquecíveis imagens de uma deputada rindo e sambando pela impunidade e o privilégio.

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