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domingo, 3 de agosto de 2008

Futuro do pretérito

Crônica de Nelson Motta (via e-mail)

Enquanto o STF não decide sobre a obrigatoriedade de diploma para exercer o jornalismo, os blogs e sites explodem livres no Brasil e no mundo, a internet multiplica as informações e opiniões, em absoluta liberdade, onde cada um lê e diz o que quer, com incontáveis opções, que se ampliam a cada dia, a cada minuto.

Será que a exigência do diploma "melhorou" a nossa imprensa? Ou impediu que, como em outras corporações, também surgissem legiões de assessores e incompetentes, de picaretas, fanáticos e ignorantes em geral, na pequena, média e grande empresa? Certo é que nunca as faculdades de jornalismo, muitas são só fábricas de diplomas, ganharam tanto. Já o público...

Na juventude, lia com entusiasmo as teorias anarquistas, sonhando com a plena liberdade e responsabilidade individual, com o fim do Estado como pai, mãe, patrão ou religião. Para Proudhon, ser governado era ser observado, fiscalizado, controlado, numerado, doutrinado, avaliado, punido, autorizado, taxado, explorado, corrigido, licenciado, comandado - sob o pretexto da utilidade pública - por criaturas que não têm o direito, nem a sabedoria e nem a virtude para isto. Grande Proudhon.

Mas, o que é a internet, essa liberdade sem fronteiras, limites e controles, sem Estado, sem possibilidades de monopólios, burocracias e aparelhamento político?

Às vezes deliro um pouco tentando imaginar como Proudhon, Marx ou Freud teriam desenvolvido suas teorias em um mundo com essas liberdades e possibilidades. Se soubessem que o planeta estaria todo interligado e interagindo, sem intermediários. Parece um sonho anarquista realizado, muito melhor do que qualquer delírio libertário futurista do século passado. Enquanto isso, em Brasília...

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