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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Guerra nas favelas


Foto El País

Da Folha Online

Uma reportagem publicada ontem no jornal espanhol El País destaca a violência praticada por policiais nas favelas do Rio de Janeiro. O repórter do periódico, Francho Barón, acompanha uma incursão do Core (Coordenadoria de Operações Especiais) da Polícia Civil na favela do Rebú, na zona oeste do Rio, à procura de traficantes.

No relato, o repórter ressalta a liberdade que os policiais têm para disparar à queima-roupa, invadir residências sem autorização judicial e interrogar qualquer pessoa que possa ter informações que levem aos traficantes. Na incursão, os policiais entram na favela em dois grupos armados levando à frente um "X9" encapuzado - traficante menor que decide denunciar os comparsas para pagar um favor à polícia.

A reportagem descreve os traficantes como adolescentes "deserdados da terra", "sem noção do bem e do mal", "drogados e armados até os dentes". Além disso, cita os números da própria Polícia Militar do Rio de Janeiro, que contabilizou 20 policiais mortos em 2007 e dez neste ano; e, ainda, contrasta as baixas com o número de civis mortos pela polícia.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio citados pela reportagem, foram registradas 472 mortes de civis só no primeiro semestre de 2008; no mesmo período do ano passado foram 509.

O sociólogo espanhol Ignacio Carmo, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em entrevista ao jornal, disse que não há outra polícia no mundo que cause tantas mortes em suas intervenções como a do Rio. "Infelizmente, essa realidade responde a uma concepção política de segurança pública", ressaltou Carmo. "Uma polícia européia que atuasse assim em áreas densamente povoadas, como são as favelas, seria inaceitável", afirmou o sociólogo ao "El País".

O texto termina citando um relatório da ONG humanitária Human Rights Watch, que afirma que os abusos policiais são raramente punidos e que, algumas vezes, são justificados pelas autoridades como uma "conseqüência inevitável de seus esforços para combater as altas taxas de criminalidade no Brasil".

Por fim, a reportagem faz referência ao segundo turno da eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro no próximo domingo (26). "Durante esses dias, os candidatos a prefeito se esforçam para fazer fotos, sorridentes, junto aos moradores das favelas."

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