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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Inaugurando o Acesso Oeste


Entrando em Resende (ao fundo, do lado direito, a Votorantim)


No sentido contrário, em direção à Dutra


Caminhão vindo da Dutra


Trevo de acesso à Votorantim


Asfalto ainda sem sinalização no Jardim Primavera


Fim do asfalto


Trânsito de caminhões e muita poeira

Desde o fim das últimas eleições, quando o assunto morreu na cidade, andava curioso em relação ao andamento das obras no Acesso Oeste. Até então, o antigo prefeito falava nisso todo dia e nós resendenses ansiávamos pela inauguração da obra que se arrastou por diversas administrações. Muito bem. A reeleição foi perdida, a festa não aconteceu e o candidato vencedor, aparentemente, tinha outras prioridades.

Algumas semanas atrás, na apresentação do projeto do novo trânsito de Resende na CDL, o Secretário de Planejamento Ton Kneip tocou no assunto apenas no final do evento, e, mesmo assim, para responder a uma pergunta da platéia. Disse que o Acesso Oeste poderia, sim, ajudar a desafogar o trânsito do centro da cidade, principalmente se os ônibus das fábricas passassem a utilizá-lo. E foi só. Nenhuma previsão de quando a obra será inaugurada ou o que falta para isso acontecer.

Pois bem. Ontem à tarde, aproveitando uma ida a Penedo para visitar um cliente, resolvi tentar voltar para casa através do Acesso Oeste. Fiz o retorno em Itatiaia e, novamente na Dutra, vi as primeiras placas alertando para obras a 1000 metros, a 500 metros, a 300 metros (cuidado: entrada e saída de caminhões), até que, a poucos metros do posto da Polícia Rodoviária, o novo acesso se materializou. Na última placa, o seguinte aviso: Entrada permitida somente a veículos da obra. Segui em frente.

Menos de 200 metros depois, uma blitz da polícia militar interrompia o trânsito quase na entrada da ponte. Pensei em voltar, mas como tinha vários carros parados na pista, constatei que não estava sozinho na infração. Dei sorte. Quando chegou a minha vez de ser abordado, todos os policiais estavam ocupados com outros carros e consegui passar incólume pela barreira. Logo depois, "inaugurava", finalmente, a ponte que cansei de fotografar nos longos anos da construção.

E foi aí que me dei conta de que não há mais obra nenhuma no Acesso Oeste. Ou seja, a tal obra da placa só existe mesmo na placa, já que tanto a ponte quanto o trevo no Jardim Primavera (à direita, a Votorantim; em frente, a cidade) estão prontos, e o trânsito - de carros, de caminhões e de ônibus - é normal nos dois sentidos.

O que falta, na verdade, é asfaltar a avenida que liga o Jardim Primavera à Estrada Resende-Riachuelo (na altura da Casa da Lua), que continua de terra e, agora (devido ao aumento do trânsito de veículos), com bastante poeira. Mesmo assim, existe sempre a opção de passar por dentro da Cidade Alegria, o que, convenhamos, dá muito pouco trabalho ao motorista que conhece a região.

E chegamos, enfim, à tradicional pergunta que não quer calar: se está tudo pronto, por que ainda não foi liberado oficialmente o Acesso Oeste? Tenho cá as minhas considerações.

A primeira delas é de ordem política e acho pouco provável que tenha fundamento: o atual prefeito resiste à idéia de inaugurar a principal obra da administração anterior. Absurdo. Sinceramente, acho que isso não tem nada a ver com o perfil democrático e conciliador do prefeito Rechuan. Além disso, a obra, como disse lá no início, passou por outras administrações até ser concluída, o que lhe confere uma paternidade indefinida.

Poderia ser, então, o asfaltamento - que ainda nem começou - da avenida de terra citada acima? Tenho minhas dúvidas. Isso porque, como já disse, existe a opção do trajeto pela Cidade Alegria e, nesse caso, caberia apenas instalar uma sinalização que orientasse os motoristas e controlasse o tráfego nos cruzamentos. Outra medida paliativa (enquanto não vem o asfalto) seria cobrir a avenida de terra com brita, o que diminuiria a poeira. Nos dois casos, o investimento seria mínimo e resolveria provisoriamente a questão.

A terceira e última consideração é a que, para mim, faz mais sentido: o problema pode estar na localização do posto da Polícia Rodoviária Federal - o mais atuante da Via Dutra - que deixaria de ser um ponto estratégico de repressão ao contrabando de drogas e de tudo o mais que trafega ilegalmente entre as duas maiores capitais do país. Com a possibilidade de escapar da fiscalização passando por dentro de Resende, os bandidos iriam acabar colocando a cidade, literalmente, na rota do tráfico.

A solução - que já vem sendo discutida há muito tempo - seria transferir o posto de Itatiaia para outro local da estrada, mas isso não é coisa que se resolva por aqui e, ao que parece, também não é coisa fácil de resolver. Até lá, seremos obrigados a desobedecer a tal placa fictícia sempre que quisermos usar o acesso que custou tanto a ficar pronto e que agora, mesmo pronto, não pode ser usado.

Solicitação do RA: Esclarecimentos e comentários serão muito bem-vindos.

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2 Comments:

At 15/5/09 19:09, Blogger Norival R. Duarte said...

Excelente reportagem, Otacílio!

Passei a acompanhar o seu blog e tenho o conceito formado de que as suas reportagens são de uma categoria excelente e bem elaboradas, os temas publicados – seus ou de terceiros – interessantes e atuais, e que a sua atividade na net está a pleno vapor. O que é ótimo!

Reportagens como essa do Acesso Oeste - com seus problemas insolúveis até agora, para alguns, quando poderia se tornar disponível a todos os que dela precisam ou precisariam - são deveras importantes para sabermos da sua real situação, de maneira clara e isenta de qualquer paixão ou conotação política, como você o fez. E acrescento que concordo por completo com as suas considerações finais.

Grande abraço.

 
At 16/5/09 00:27, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Grande Norival! Ótimo saber que pelo menos um resendense leu esta matéria que me custou umas boas horas de trabalho, fotografando e escrevendo.

Sim, ultimamente ando mais disposto em relação aos meus blogs, procurando mantê-los sempre atualizados e com postagens interessantes.

Mas como raramente recebo comentários (principalmente aqui no RA), vou publicando só aquilo que eu gosto, sem ter a mínima idéia da reação dos leitores.

Por isso, seu comentário veio na hora certa. É que hoje mesmo eu estava pensando se valeria a pena produzir grandes matérias locais para um público que, aparentemente, não tem interesse nelas.

Obrigado pela força e apareça sempre para um dedo de prosa.

I bibida prus músicus!

 

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