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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Enfim, sós

Crônica de Nelson Motta, no Estadão

Como é bom ter uma presidente que não vive esbravejando nos palanques e dividindo o País entre ricos e pobres, entre as elites e o povo e culpando os adversários políticos por todos os males do Brasil.

Que delícia não ter que ouvir todo dia a presidente dizer que o Brasil começou no dia em que ela tomou o poder e que os que a antecederam só lhe deixaram uma herança maldita.

Que alívio ter uma presidente que não se diz uma metamorfose ambulante nem tem opinião formada sobre tudo, até sobre o que totalmente ignora.

Como é edificante ter uma presidente que não se orgulhe de sua grossura e ignorância nem deboche dos que estudaram mais. Que sensacional é ter uma presidente que lê jornais. E livros!

Como é civilizado ter uma presidente que defende os direitos humanos, tanto em Guantánamo como em Cuba e no Irã. E que declara que o Brasil não deve dar opinião sobre tudo que acontece em outros países.

Como é gostoso não ouvir a presidente acusar todos que não a apoiam de ter preconceito contra pobre, nordestino e operário. Ou contra mulheres de origem búlgara de classe média.

Como é moderno ter uma presidente que não chama todo mundo de companheiro, como na antiga Cuba.

Que prazer é não ter que ouvir uma presidente dizer que o nosso sistema de saúde está próximo da perfeição.

Como é confortador ter uma presidente que não diz que o mensalão é uma farsa da imprensa golpista. E que não faz nomeações partidárias para o Supremo Tribunal Federal.

Como é animador ter uma presidente que não proclama que o Brasil está milionário e estabelece como lema de governo "fazer mais com menos".

Que vai tirar Furnas e a Funasa dos quadrilheiros do PMDB e contratar um alto executivo para a Secretaria de Aeroportos.

Que deleite é não ver todo dia as páginas dos jornais e as telas de televisão ocupadas pela presidente e suas ações, opiniões e omissões.

Como é bom para a democracia ter uma presidente que não joga para a imprensa e obriga os jornalistas a correr atrás de notícias.

Que maravilha será ter uma presidente que assuma as suas responsabilidades e faça o que tem que ser feito.

Pitaco do RA: Confesso que hesitei um pouco antes de publicar esta crônica. Afinal, nós aqui do Resende Afora sempre torcemos abertamente contra a atual presidente da República. Mas, uma coisa é ter motivos para protestar - como as mentiras em relação ao diploma, ao sempre negado encontro com a ex-secretária da Receita Federal e à infame foto da Norma Bengell no site da então candidata. Outra coisa é ter motivos para elogiar. E o grande Nelsinho encontrou as palavras certas para descrever o que eu vinha pensando em relação ao novo governo. Fazer o quê?

Publicado no Resende Afora.

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2 Comments:

At 7/2/11 12:31, Blogger Celso Dutra said...

Quem diria que iríamos elogiar a presidente pelo que ela não fez !!!

É isso aí, quando comparamos com o ex-presidente (ih...qual é o nome dele mesmo?), a Dilma é uma sumidade. Ou seja, sumiu da mídia, só lê discurso pronto, não apareceu em rede nacional e, por isso, muita gente está gostando.

O maior mérito da presidente é...NÃO TER FEITO NADA.

 
At 10/2/11 12:40, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Assim como o Lula também não fez quase nada em oito anos na presidência, além de viajar e falar abobrinhas.

Os dois (Lula e Dilma) devem agradecer todos os dias ao Fernando Henrique por deixar a economia do país tão equilibrada que nem precisa de governo. Basta não desligar o piloto automático.

 

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