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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Associação culpa governo pela tragédia com o bondinho

Foto Agência Estado

Trecho final do comunicado da Associação dos Moradores e Amigos de Santa Tereza (Amast) sobre o acidente ocorrido no último sábado (27), que teve um saldo de cinco mortos e 57 feridos:

"Pelas razões acima, e por todos os outros motivos que até as pedras centenárias das ladeiras de Santa Teresa conhecem, reputamos como principais culpados as autoridades aqui mencionadas, com especial destaque para:

1. O Governador Sérgio Cabral, que com sua habitual desfaçatez, suscitou à época do acidente que vitimou a Profa. Andréa de Jesus Rezende, uma possível municipalização dos bondes, com o único propósito de desviar o foco da imprensa quanto à raiz do problema, haja vista que nenhuma palavra voltou a ser dita sobre o assunto nos últimos 2 (dois) anos.

2. O Secretário Júlio Lopes, pela malversação da verba pública que deveria ter sido aplicada na recuperação dos 14 bondinhos tradicionais, e que foi aplicada na aventura tecnológica fracassada empreendida pela empresa T'TRANS, que resultou na criação de aberrações com aparência de bonde porém repletas de problemas de projeto que até hoje não foram superados.

3. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela omissão em requerer à justiça a execução provisória das decisões que ordenaram a recuperação integral do sistema de bondes de Santa Teresa, mesmo após o esgotamento dos principais recursos em que o Estado saiu-se perdedor.

Convocamos os moradores de Santa Teresa e a população do Rio de Janeiro para se juntarem a nós nessa luta hercúlea e contínua que constitui uma missão histórica da AMAST.

Pedimos que continuem acompanhando e participem dos atos públicos e manifestações, virtuais e presenciais, programados pela associação, com destaque para o dia do aniversário do bonde, 01/09, cuja comemoração já seria substituída por protesto em forma de luto, agora com mais razão de ser em função desse lamentável acontecimento."

Enviado pelo Ex-Blog do Cesar Maia (via email).

Editado e publicado no Resende Afora.

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2 Comments:

At 29/8/11 15:18, Anonymous Weber said...

A associação dos moradores de ST, para mim, está completa de razão.

Este episódio foi uma tragédia anunciada. Cito como exemplo o caso do turista francês que se desequilibrou e caiu do alto dos Arcos da Lapa. Isto se deveu à precariedade do gradil. Aposto que, até hoje, não houve nada foi reparado.

Há que se compreender que tais bondinhos, mais que meios de transporte, são, na verdade, patrimônio cultural da cidade do Rio. Além disso, têm um papel importantíssimo na área de turismo para essa região central.

Infelizmente a tendência é darem um fim nos veículos, pois, aqui no Brasil, sempre é melhor acabar com as roseiras por causa de seus espinhos.

Antes de tudo, temos que pensar agora nas famílias dos mortos e nas vítimas que sobreviveram.

 
At 29/8/11 21:56, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Eu conheço muito bem essa história, grande Weber! Usei o bondinho de Santa Teresa durante quase dois anos, quando trabalhava numa agência de fotografia que ficava na rua Monte Alegre, próximo ao Largo do Guimarães.

Cansei de atravessar os Arcos da Lapa pendurado nos estribos do lado de fora do bonde, por causa da superlotação dos finais de tarde.

Foi nessa época - idos de 1985 - que implantaram uma linha de micro-ônibus no bairro para aliviar um pouco o trabalho dos bondes que viviam parando por falta de peças e/ou manutenção.

Mais de 25 anos depois, nada parece ter mudado em Santa Teresa e, na minha opinião, as causas do descaso são, principalmente, duas:

1) Os bondes servem, prioritariamente, aos moradores do bairro, que pagam a tarifa normal de transporte público, diferente do serviço prestado, por exemplo, no Pão de Açúcar, dirigido a turistas e com tarifa diferenciada.

Assim, as empresas privadas não se animam a explorar uma concessão destinada a dar prejuízo ou, no máximo, render muito pouco, se considerarmos o alto e constante investimento na reforma e manutenção dos bondes tradicionais.

2) O governo estadual - que é o responsável pelo serviço -, nunca considerou a manutenção dos bondinhos de Santa Teresa uma prioridade, seja por se tratar de um bairro sem muita visibilidade (para quem vive e vota ao nível do mar), seja porque é muito mais fácil entregar a concessão do transporte de moradores a empresas de ônibus.

Afinal, os ônibus (mesmo os micro-ônibus) carregam mais passageiros e (dentro da escala de manutenção de uma grande empresa) custam menos, dois argumentos imbatíveis para quem - historicamente - não está lá muito preocupado com a preservação de um passado que não gera lucro, político ou financeiro.

E aí, quando acontece uma tragédia, os responsáveis podem ser todos, menos os verdadeiros culpados.

 

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