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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Trailer de segunda


Para Roma, com amor


Em Los Angeles para promover seu filme anual - batizado a contragosto de "Para Roma, com amor" - Woody Allen falou, em entrevista coletiva, de sua filmografia com o humor e a auto-depreciação que o caracterizam.

"Quando você faz um filme é como um chef que trabalha em um prato. Depois de passar o dia na cozinha cortando, picando e adicionando molhos, você não quer mais comê-lo. Isto é o que sinto em relação a um filme", disse ele aos repórteres.

"Eu trabalho em um filme por ano: escrevo, dirijo os atores, faço a montagem, coloco a música e depois não tenho desejo algum de vê-lo novamente", afirmou.

"Nunca fiquei satisfeito com os meus filmes. Fiz o primeiro em 1968 - Um assaltante bem trapalhão - e nunca o assisti depois", disse.

"É por isso que sou eternamente grato ao público por amar alguns, apesar do meu próprio desapontamento. Para mim, (o resultado) sempre está longe de ser a obra-prima que eu tinha certeza de realizar".

Mas será que o cineasta não nutre pelo menos um pouco de afeição por Annie Hall (1977) ou Hannah e suas Irmãs (1986)?

"Em Annie Hall, a relação com Diane Keaton não era tudo o que me interessava. Era uma pequena parte de um projeto maior. E no final, eu tive que reduzir o filme a esta relação", disse.

Quanto à Hannah e suas irmãs, "foi uma grande decepção porque fui obrigado a fazer concessões significativas em relação à minha intenção original para assegurar a sobrevivência do filme", confessou.

Falando do novo filme, Woody Allen diz que detestou o nome "Para Roma, com amor":

"Meu título original era Bob Decameron, mas ninguém sabia quem era o Decameron, mesmo na Itália. Então eu mudei para Nero Fiddled' (primeiras palavras, em inglês, de uma expressão que descreve o imperador Nero tocando lira enquanto Roma ardia), mas metade dos países do mundo dizia: 'não compreendemos o que isso quer dizer, nós não conhecemos esta expressão'. Então, optei por um título genérico para que todo mundo entendesse", admite, um pouco abatido.

Woody Allen, que não aparecia em um de seus filmes desde Scoop em 2006, também retorna à tela no papel do pai de uma jovem americana a ponto de se casar com um italiano. O filme segue as histórias paralelas - e sentimentais - de vários casais, italianos e americanos, e conta com a presença de Penélope Cruz, Jesse Eisenberg, Ellen Page e Roberto Benigni.

"Quando escrevo um script, se há um papel para mim, eu aceito. Mas à medida que fico mais velho, os papéis estão se tornando mais raros", disse.

"Quando era jovem, podia ter o papel principal e fazer cenas românticas com mulheres. Mas agora estou reduzido a papéis de porteiro ou de tio velho".

"Para Roma, com amor" estreia no Brasil na próxima sexta-feira.

Editado e publicado no Resende Afora.

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