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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Vestibular para vereador

Como já informamos aqui no RA, Resende tem, nessas eleições, 351 candidatos disputando 17 vagas na Câmara dos Vereadores. Isso dá uma relação de 20,6 candidatos por vaga, semelhante aos vestibulares para boas faculdades. A diferença é que, nas câmaras, nem sempre entram os mais bem preparados. Para o vestibulando, é obrigatório ter cursado o segundo grau. Para o candidato, basta ser alfabetizado.

Publicado no Resende Afora.

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7 Comments:

At 11/9/12 08:31, Anonymous Anônimo said...

O fato de ter um vereador com mestrado ou doutorado não é garantia de uma boa gestão, sem corrupção ou roubos.
Pensar que a escolarização dos candidatos é o problema da "baixa qualidade" dos políticos do Brasil,é uma falácia.
Moral e caráter não é algo que se consegue ou se comprova, com um diploma universitário. Prova disto são os vários políticos "doutores" e muito bem formados, envolvidos com casos de corrupção ...

 
At 11/9/12 12:33, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Falácia é acreditar que analfabetismo é sinônimo de honestidade. A corrupção não é privilégio de um segmento da sociedade, de uma classe social.

A educação, por outro lado, é o principal requisito para o desenvolvimento de um povo.

Quanto mais "doutores" tivermos nas escolas, nas fábricas e na política, mais próximos estaremos dos países desenvolvidos, onde, não por acaso, não há lugar para analfabetos.

 
At 12/9/12 13:43, Anonymous Anônimo said...

Eu não disse que analfabetismo é sinal de honestidade! Mas tratar, por definição, que "doutores" são sinônimo de honestidade é uma falácia sim! Ou você acha que nos países "desenvolvidos" não existe corrupção? Haja ingenuidade!

São duas coisas diferentes, que teimam em colocar como únicas: Corrupção tem relação com caráter, moral, etc e não com formação e diplomas! Caráter não se aprende na escola/universidade.

Óbvio que a educação é o caminho para o desenvolvimento de nosso país, mas ela não faz milagre dentro do sistema econômico em que estamos inseridos. Este tipo de argumento me lembra a fala de o problema do desemprego no Brasil é a educação! rsrsrs OK, então vamos imaginar que todos os brasileiros tivessem ótima formação superior, com pós-graduação e falando 2 idiomas. Teríamos emprego para todos??? Claro que não, pois o problema não é somente a educação, mas sim, os limites estruturais do sistema capitalista, que não permite o pleno emprego (sem entrar em crise).

A educação é central, mas ela não determina o caráter das pessoas. Basta observar o caso Cachoeira e o julgamento do mensalão, para vermos quantos "doutores" estão envolvidos. Temos analfabetos corruptos e doutores corruptos.

Desculpe, mas não dá pra comprar uma eleição com um vestibular. Primeiro pq o vestibular não necessariamente seleciona os "melhores", mas sim, em muitos casos os "mais bem adestrados" para responder um dado tipo de prova (e o modelo de cursinhos pré-vest não me deixa mentir). E segundo, pq formação não determina o caráter de ninguém.

 
At 13/9/12 03:44, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Também não disse que doutores são sinônimo de honestidade! Disse que corrupção não é privilégio de um segmento da sociedade. Traduzindo: tanto doutores quanto analfabetos (ou pouco instruídos ou analfabetos funcionais) podem ser igualmente corruptos.

Também não acho (e não disse) que não existe corrupção nos países desenvolvidos. Corrupção existe em todo lugar. A diferença é que nos países desenvolvidos (leia-se organizados, com leis que se aplicam a todos os cidadãos indistintamente), a punição para esse tipo de crime é exemplar e costuma ser aplicada, ao contrário do Brasil, onde, todos sabem, a corrupção é endêmica e quase sempre tolerada.

Negar que uma boa formação facilita o ingresso no mercado de trabalho é ir de encontro a tudo o que se diz hoje - por empresários, economistas, administradores, jornalistas especializados, etc - sobre o problema do desemprego no Brasil. Um prestigiado telejornal mostrou, ontem mesmo, que sobram vagas e falta gente qualificada para trabalhar em um moderno polo tecnológico de Porto Alegre, justamente porque, no Brasil, ainda são raros os candidatos a emprego fluentes em inglês (entre outros requisitos básicos).

Para aprender idiomas e ter um amplo conhecimento sobre qualquer assunto, é preciso estudar, e muito. Basta conferir as ofertas de emprego publicadas diariamente nos jornais e na internet. Nenhuma empresa exige menos que o diploma de segundo grau para qualquer função.

E se nenhuma empresa acredita na capacidade de um candidato a emprego sem formação, os eleitores não deveriam fazer o mesmo na hora de escolher o vereador que irá fiscalizar o destino do seu dinheiro pago em impostos? Será essa uma tarefa tão banal que prescinde do conhecimento, da educação e, por consequência, do diploma (seja ele qual for) de "doutor"?

Quanto ao caráter das pessoas, todos sabemos, ele é adquirido em casa, através dos exemplos e dos ensinamentos dos pais. Mas caráter sem conhecimento, sem educação formal, não leva ninguém a lugar algum. Ou melhor, no Brasil ainda pode levar à Câmara de Vereadores, onde a ignorância e o desconhecimento profundo - porém honesto! - das leis costumam ser muito bem aproveitados por prefeitos sem escrúpulos e sem caráter, "doutores" ou não.

Finalmente, discutir as mazelas do sistema capitalista em pleno século 21, me desculpe caro Anônimo, mas esse é um assunto que, para mim, perdeu completamente a validade depois da queda do Muro de Berlim, da unificação das Alemanhas e da derrocada da União Soviética.

 
At 13/9/12 10:26, Anonymous Anônimo said...

Volto a falar que a educação é essencial para a transformação do país. Não estou negando que uma boa formação facilita a entrada no mercado de trabalho. Mas estou te perguntando, se todos tiverem uma ótima formação todos terão emprego? Se TODOS os brasileiros tivessem ótima formação superior, com pós-graduação e falando fluentemente 2 idiomas. TODOS teriam emprego? Me responda isso com sinceridade. Claro que NÃO!!! Obviamente hoje existem demandas do mercado por pessoas qualificadas. Mas o discurso que é apresentado, principalmente por telejornais "conceituados" é que o problema é educação, mas não é somente isso. Criam a ilusão de que a pessoa deve ser superqualificada para não ficar desempregada. E não é isso! Simplesmente não existem vagas para todos. A superqualificação simplesmente reduz o valor do salário (lei da oferta e da procura). Não é difícil encontrar pessoas com graduação e especialização sendo "subutilizadas" em empresas. Já vi pessoas com 2 especializações trabalhando em uma empresa onde sua função era tirar cópias em uma máquina xerox, por um salário incompatível com sua formação. Isso é fruto do discurso que você reproduziu acima ...

Sobre a questão das eleições, eu particularmente prefiro um honesto alfabetizado do que um pilantra com doutorado. Capacitação técnica pode ser adquirida ao longo de um mandato. Bom caráter não. A atividade pública não é banal. Ao contrário, é tão importante que os requisitos éticos tem que ser mais importantes que os requisitos técnicos. O comprometimento com o ethos republicano e com a coletividade é essencial. E outra coisa: Estado NÃO É EMPRESA!!!! E nós NÃO SOMOS CLIENTES!!! Quando um cliente não quer mais um "fornecedor" ele simplesmente troca de empresa, não é? Mas nós podemos trocar de Estado, ao nosso bel-prazer? Claro que não! A idéia de cliente envolve uma dimensão individual, que não se aplica no contexto público. Nós não somos clientes, somos muito mais que isso, somos CIDADÃOS! Ser cidadão exige cobrança, participação, acompanhamento ... é mais trabalhoso do que ser cliente. Ser cidadão envolve uma dimensão coletiva. Devemos cobrar e exigir serviços públicos de qualidade, na condição de cidadãos que somos e não como clientes. Esta idéia de que tudo que é privado, empresarial é bom e melhor que o público é equivocada. Criam a ilusão de que se o Estado fosse uma empresa nossos problemas seriam todos solucionados ...

E sobre o debate sobre o sistema capitalista no século 21, ele está mais em foco e com validade do que qualquer outro. Acho que é importante que você se atualize um pouco, pois este discurso sobre URSS, etc é que não tem mais validade. O debate sobre as mazelas do sistema capitalista foi retomado simplesmente, pelo país ícone na defesa do sistema capital e do neoliberalismo: os USA. Ou você não acompanhou a crise dos subprimes de 2008, quando o "templo do capitalismo e do livre mercado", usou uma fórmula bem, digamos "intervencionista" para salvar os banqueiros. Indo contra tudo que pregou, Washington tomou uma postura bem socialista para defender seus interesses. Os demais países que seguiam o receituário do Consenso de Washington, vários pesquisadores e também a população se questionavam sobre as mazelas do sistema capitalista. Quando uma família norte americana, perde tudo para o banco (que por ganância criou um bolha especulativa) e vai morar dentro de um trailer em um estacionamento, e ao mesmo tempo o Governo, ao invés de ajudar esta família, injeta mais de 7,7 trilhões de dólares nos bancos em crise, temos sim que falar em mazelas. E você acha que não é mais "válido" discutir as mazelas do sistema capitalista depois da queda do muro de Berlim? Este episódio ocorreu em 2008/9! Ficar parado no tempo ou fazer "vista grossa" por conta de um posicionamento ideológico, não ajuda muito o debate ...

Abraços

 
At 15/9/12 17:02, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Vamos lá, caro Anônimo! Para deixar meus pontos de vista mais claros e tentar, na medida do possível, entender os seus, farei breves considerações (divididas em dois comentários para não exceder o limite de caracteres do Blogger) sobre cada tópico abordado:

1. "Prefiro um honesto alfabetizado do que um pilantra com doutorado". Também prefiro, como amigo, como parente, como cliente, como fornecedor ou como prestador de serviços. Agora, para síndico do meu prédio ou vereador da minha cidade, eu EXIJO que, além da honestidade, o candidato tenha formação escolar mínima, ou seja, o segundo grau (ou Ensino Médio).

2. "Requisitos éticos tem que ser mais importantes que os requisitos técnicos". Concordo, mas uma coisa não exclui a outra. O candidato ideal para mim NECESSITA ter ambos requisitos.

3. "Ser cidadão exige cobrança, participação, acompanhamento..." Acrescento: Para exigir cobrança, participação e acompanhamento é PRECISO conhecimento. Para ter conhecimento é preciso estudo. Para ter estudo...

4. "Estado NÃO É EMPRESA!!!! E nós NÃO SOMOS CLIENTES!!!" Sinceramente, caro Anônimo, não vejo diferença entre exigir bom atendimento em um supermercado ou numa repartição pública. É dever de todos prestar bons serviços, sejam públicos ou privados. E é direito de todo cidadão reclamar da sujeira do açougue ou das enormes filas do INSS. Não existe uma divisão público/privado no cérebro de quem reinvindica um direito.

5. "Quando um cliente não quer mais um "fornecedor" ele simplesmente troca de empresa, não é? Mas nós podemos trocar de Estado, ao nosso bel-prazer? Claro que não!" Não, caro Anônimo, não podemos trocar de Estado, mas podemos trocar de governo! O prefeito ou o presidente que não faz um bom trabalho durante o seu mandato corre o sério risco de não ser reeleito pelos cidadãos, da mesma forma que os acionistas de uma empresa podem, também, não reeleger uma diretoria que não correspondeu às expectativas.

 
At 15/9/12 17:03, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Continuando...

6. "Esta idéia de que tudo que é privado, empresarial é bom e melhor que o público é equivocada. Criam a ilusão de que se o Estado fosse uma empresa nossos problemas seriam todos solucionados..." Uma boa gestão, pública ou privada, caro Anônimo, só depende da capacidade administrativa dos profissionais contratados ou eleitos. Se eles forem eficientes nas suas funções, a empresa, a prefeitura ou o Estado - não importa, os princípios administrativos são os mesmos - estará no rumo certo. Afinal, tanto nas empresas do Eike Batista quanto nos ministérios em Brasília, as contas têm a obrigação de fechar.

7. "Criam a ilusão de que a pessoa deve ser superqualificada para não ficar desempregada. E não é isso! Simplesmente não existem vagas para todos". Em nenhum país do mundo, caro Anônimo, existem vagas para todos. Agora, os melhores, os mais qualificados, não costumam ficar desempregados ou subempregados. Estes se dão ao luxo de escolher em que empresa preferem trabalhar. Em compensação, os que não são "iludidos" pela necessidade de qualificação diferenciada e de estudo constante e sistemático, estes vão acabar mesmo nas seções de xerox de qualquer empresa.

8. "O debate sobre as mazelas do sistema capitalista foi retomado simplesmente, pelo país ícone na defesa do sistema capital e do neoliberalismo: os USA. Ou você não acompanhou a crise dos subprimes de 2008..." Caro Anônimo: as crises no sistema capitalista sempre existiram. Assim como as estações do ano, elas são cíclicas, veem e vão. Muitíssimo mais grave do que esse recente problema dos subprimes foi a Grande Depressão de 1929 ou a Crise do Petróleo, em 1973. Os americanos sobreviveram a todas elas e o sistema capitalista continua cada vez mais sólido, espalhando seus tentáculos por terras nunca dantes navegadas, como China e Cuba (sabia que o governo Castro já permite que os cidadãos tenham os seus próprios negócios?). Por isso, acho pouco provável que um americano hipotecado e sem teto tenha, em algum momento, considerado seriamente a possibilidade de se mudar para a China ou para Cuba em busca de melhores condições de vida. Discutir a viabilidade dos planos de saúde privados ou as formas de financiamento da casa própria é inerente ao capitalismo. Agora, questionar o sistema, teorizar sobre o pleno emprego, confrontar Keynes e Marx, é voltar ao passado, aos tempos em que era possível escolher um lado ou outro do muro.

Abraços pra você também!

 

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