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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O cigarro eletrônico de Sempé


De O Globo

A enorme mesa de trabalho do desenhista francês Jean-Jacques Sempé está colocada de frente para uma invejável tela panorâmica formada por telhados disformes, onde sobressai ao longe, no alto de uma colina, a diminuta e alva imagem da basílica Sacré Cœur.

Sentado diante de seu belvedere privado, o olhar distante na paisagem, Sempé — a solitária assinatura que se tornou mundialmente conhecida — revela, porém, com certa nostalgia:

— Não são os telhados de Paris que eu acho interessantes. Eu gosto muito de ver as pessoas. Os ônibus, os carros, as pessoas, gosto disso. Daqui de cima não vejo nada. Vivo aqui há uns oito, nove anos, e antes morava na praça Saint Sulpice, no primeiro andar. De lá eu enxergava as pessoas.

Aos 80 anos, completados em 17 de agosto, seus movimentos e sua fala desaceleraram devido a um acidente vascular cerebral (AVC) recente. Sua produção criativa, embora mais lenta, não cessou, mas o imprevisto alterou sua relação com o mundo.

— Fiquei furioso com isso. Mudou minha vida. Antes eu era bastante autônomo. Andava todo o tempo de bicicleta, mas desde o acidente não posso mais. Não sou a mesma pessoa. É muito estranho não ser a mesma pessoa — diz.


Em sua mesa de tampo inclinado repleta de imensas folhas brancas, circundada por penas e tintas de todas as cores, repousa um trabalho inacabado, previsto para ilustrar mais uma capa da "New Yorker". A obra retrata uma recepção num jardim, com dezenas de convivas aglomerados, representados nas mais variadas situações corriqueiras de um evento social, com o característico e apurado humor do desenhista.

— Comecei este desenho há quatro ou cinco anos, e de vez em quando voltava a trabalhar nele. Achei-o novamente na semana passada, e vou tentar continuá-lo. Não sei ainda o que estou fazendo. Aos poucos dou um toque aqui e ali. O que você acha? Você gosta? Dá para ver que isso aqui em volta são árvores? — indaga, como se fosse um artista inseguro e iniciante.

O cigarro é onipresente entre os dedos de suas mãos direita ou esquerda, levado à boca em tragadas intermitentes. Mas, apesar da fumaça, nota-se depois de um certo tempo que o tabaco nunca apaga e não emite cheiro. Trata-se, na realidade, de um e-cig, um cigarro eletrônico.

— Foi um médico que me recomendou: "Experimente isso e você verá". É ridículo. Você nunca fumou? Não tem nada a ver com o cigarro normal. Há os mesmos gestos, isto ajuda. Mas é completamente ridículo — diz, rindo.

Para ler a matéria completa, entre aqui.

Editado e publicado no Resende Afora.

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1 Comments:

At 13/11/12 14:41, Blogger cigarro said...

Galera quem se interessar por cigarro eletronico, entre www.cigarroeletronicoonline.com.br

 

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