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quarta-feira, 27 de julho de 2005

Guerra deles, morte nossa

Publicado no Gabeira.com (link nos Favoritos do RA):

"Acabo de sair da Embaixada da Inglaterra. Meu interlocutor é o secretário da embaixada, Hugo Shorter. Na semana passada, estive lá entregando um documento de solidariedade com o povo de Londres e consternação com a morte de inocentes. Desta vez, fui para ouvir as explicações sobre a morte de Jean Charles de Menezes, o brasileiro assassinado pela polícia inglesa.

As autoridades britânicas dizem que sentem muito e que iniciaram uma investigação independente para determinar o que aconteceu. O interessante, e levemente contraditório, é que as autoridades inglesas anunciam uma investigação independente e elogiam a ação da polícia. Era de se esperar que um julgamento da ação da polícia ficasse para o final, quando todos os dados estiverem na mesa.

A discussão se alongou sobre perspectivas na relação dos brasileiros com a comunidade européia. Manifestei minha preocupação com a política de atirar para matar. Como disse ontem, se a vida dos inocentes não é valorizada, isto fortalece a visão da Al Qaeda, para quem não há inocentes.

Grande parte dos brasileiros na Europa pode ser facilmente confundida com árabes. Dentre esses brasileiros, existem alguns que não têm documentos legais de moradia. Isto significa que tanto eles como outros imigrantes estão correndo perigo, pois na tentativa de se esquivarem de uma abordagem que parece ser da imigração, podem estar caindo nas mãos da polícia antiterrorismo.

Comuniquei aos ingleses que iria convidar o chanceler Celso Amorim para discutir o assunto na Câmara, mas desde já concluo que a situação é muito séria e que um país como o Brasil, adversário da guerra no Iraque, tem um longo caminho para convencer outros países que mandam imigrantes para a Europa no sentido de garantirem a preservação dos direitos humanos elementares.

Seria o momento de estimular um debate internacional sobre terrorismo e imigração. As atenções por aqui estão concentradas na corrupção. Mas tentarei levar o caso adiante."

Deputado Federal Fernando Gabeira, em 26/07/05.

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