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quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Como reconstruir Nova Orleans

Trecho de matéria de Peter Applebome, do New York Times

Com ondas se quebrando na Rua Canal, a água fluindo através de diques rompidos e 80% da cidade sob as águas, a sobrevivência, e não a reconstrução, é agora a ordem do dia. Mas no fundo de suas mentes, as pessoas que amam Nova Orleans se perguntam o que restará física e psicologicamente daquela que talvez seja a cidade mais diferenciada dos Estados Unidos quando a água finalmente baixar e --daqui a dias, semanas, meses-- alguma aparência de vida normal se esforçar para ressurgir.

Assim, o ex-prefeito Marc Morial, atualmente diretor da Liga Urbana e morador de Nova York, interrompe a todo momento uma conversa telefônica e respira profundamente, sem poder acreditar nas imagens da inundação mostradas pela TV, para depois fazer o possível para se concentrar na tarefa que há pela frente.

"É claro que vamos reconstruir", afirma. "Mas o que faz de Nova Orleans uma cidade única é a sua natureza poliglota, a tapeçaria, o mosaico o gumbo. Por isso, o French Quarter é alvo da maior parte da atenção, mas o Quarter é alimentado pelas artérias dos bairros vizinhos".

Ele faz uma pausa e, novamente, respira profundamente, quando a tela mostra imagens da inundação do bairro pobre 9th Ward. "Ah, meu Deus. Ah, meu Deus. Estamos presenciando o pior desastre natural na história norte-americana".

Não ficou sem resposta a questão de como reconstruir o French Quarter. Mas não se sabe como reconstruir Stella, Blanche e Stanley, a cidade que, segundo William Faulkner, era "o labirinto maciço de oleandros e jasmins, lantanas e mimosas", um local que, segundo um admirador, "poderia destruir o seu fígado e envenenar o seu sangue", a cidade das mansões italianizadas do Distrito dos Jardins e dos abundantes projetos habitacionais, como aquele onde hoje em dia chega o bonde chamado Desejo.

Uma região que deu aos Estados Unidos a maior parte da sua música, grande parcela de sua literatura, uma visão de espelho quebrado da faceta exótica norte-americana e uma substancial porção da alma do país.

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