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sexta-feira, 24 de março de 2006

Samba da vergonha

Comentário da cientista política Lucia Hippolito na CBN

Escândalo, escárnio, deboche, desrespeito, pasmo.

Nenhum destes substantivos parece suficientemente abrangente para classificar a cena grotesca acontecida na madrugada de ontem na Câmara dos Deputados.

Uma deputada federal foi protagonista de uma das cenas mais inacreditáveis jamais acontecidas dentro do prédio do Congresso Nacional.

Ao final da votação que absolveu mais um deputado mensaleiro do PT, a deputada petista Angela Guadagnin pôs-se a dançar de alegria com a absolvição do companheiro.

Ontem, durante o dia inteiro essas imagens dantescas correram o país pela Internet.

Mas o principal sentimento foi mesmo de vergonha.

As mulheres vêm lutando há décadas para conquistar um lugar ao sol. Trabalhando, dando duro, estudando, prestando concursos rigorosíssimos, submetendo-se a eleições, enfim, batalhando para serem levadas a sério.

E aí aparece uma deputada, ex-prefeita de uma importante cidade paulista, portanto não se trata de uma marinheira de primeira viagem.

E a deputada se põe a sambar, enquanto mais uma absolvição estapafúrdia acontecia no plenário da Câmara dos Deputados.

No Conselho de Ética da Câmara, a deputada petista tem votado sistematicamente pela absolvição de seus companheiros. Votou pela cassação só dos ex-deputados Roberto Jefferson e Pedro Correia. Para todos os outros, pediu absolvição.

OK, faz parte do jogo. A deputada está no seu direito. E é digno de respeito o fato de ela se expor, pronunciar seu voto em voz alta e não ter nenhum problema em apoiar companheiros envolvidos nos escândalo do mensalão.

Mas o plenário da Câmara não é lugar para danças. Talvez numa churrascaria, num pagode ou num salão de baile, a deputada pudesse dar vazão a seus sentimentos de alegria com a absolvição do companheiro.

Mas nunca no plenário da Câmara.

O que vai acontecer no dia em que a deputada estiver muito triste? Vai atear fogo às vestes ou cortar os pulsos dentro do plenário da Câmara?

Francamente, certas pessoas, sobretudo certas autoridades, perderam inteiramente a compostura, perderam inteiramente o pudor.

Aliás, fica aqui a pergunta: este tipo de comportamento não configura quebra do decoro parlamentar?

Por essas e outras, cresce a campanha pelo voto nulo ou pela renovação total da Câmara dos Deputados.

É uma pena.

Publicado no Blog do Noblat (link nos Favoritos do RA).

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