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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Três razões para a violência no Rio


Da BBC Brasil

Uma reportagem publicada na revista britânica The Economist afirma que a violência nos morros do Rio de Janeiro é alimentada por uma competição singular no mercado de drogas, que impõe uma série de dificuldades financeiras às gangues do tráfico e as leva a uma disputa feroz por espaços.

No artigo, a revista que chegou às bancas nesta sexta-feira questiona por que a cidade testemunha episódios de violência similares à briga entre facções que ocorreu no último fim de semana e cujos desdobramentos já deixaram mais de 30 mortos.

"Se as pesquisas sobre o uso de drogas forem confiáveis, o consumo per capita de cocaína, crack e maconha fica perto da média quando comparada com outras capitais de Estado", é o pressuposto inicial da revista. "Então por que a cidade que acabou de levar a indicação para as Olimpíadas de 2016 é tão inclinada a ataques repentinos de violência por causa da droga?"

A primeira razão, diz a reportagem, é que "a cidade é marcada por uma história de governos ruins". "Erros passados incluem acomodar interesses de facções de traficantes na esperança de mantê-los pacificados."

A segunda razão seria a polícia carioca. "Algumas das armas usadas pelos traficantes são vendidas a eles pela polícia, e os policiais ainda praticam demasiadas execuções sumárias em vez de se dar ao trabalho de processar os suspeitos, fazendo com que os moradores das favelas os vejam como uma fonte de injustiça tanto quanto os traficantes."

A terceira razão, que a Economist analisa com mais detalhes, é o fato de existirem na cidade três gangues rivais que disputam o mesmo mercado consumidor, enquanto outras capitais têm apenas um grupo dominante. "Um estudo do governo estadual sugere que, por conta dessa competição, longe de viver como personagens de um vídeo de hip-hop da MTV, os traficantes do Rio estão operando 'perto do zero a zero'."

Sobre um faturamento anual de cerca de R$ 316 milhões, as gangues lucram cerca de R$ 27 milhões, diz a revista, citando o estudo. Grande parte dos recursos é destinada à compra de armas, pagamento de pessoal e vendedores de drogas.

A estrutura de salário é "surpreendentemente linear" – ou "uma exceção ao quadro nacional de distribuição desigual de renda", nas palavras da Economist – e as gangues já embarcaram em atividades paralelas, como o fornecimento ilegal de eletricidade, em busca de outras fontes de renda.

"Antes da violência recente, alguns analistas haviam sugerido que as dificuldades financeiras estavam levando as gangues a cooperar em algumas operações”, diz a revista. “Mas a resposta mais comum a esta situação é invadir o terreno do vizinho."

Matéria editada pelo RA.

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2 Comments:

At 24/10/09 15:06, Blogger Godrius said...

A análise é interessante, mas faltou apontar a parcela de culpa dos governos federal e estadual e do judiciário.

A falta de políticas sociais eficientes, educação de qualidade para a população, leis severas para punir exemplarmente os vagabundos são alguns exemplos que tornam o Estado o principal culpado pela imundície em que o Rio se encontra.

E não adianta dizer que não tem mais jeito. Quando aparecer um Homem (com H maiúsculo mesmo) interessado em mudar esse quadro lastimável, podem ter certeza de que ele vai conseguir. Basta querer!

Agora, enquanto os homens do poder (com h minúsculo mesmo) estiverem no comando, amparados pelos seus carros blindados, hospitais particulares, tropas de segurança privada, etc, etc e etc, o Rio e todo o resto do Brasil continuarão a mesma porcaria.

Por que todos os políticos correm pro Sírio Libanês quando estão doentes ao invés de buscarem atendimento nos hospitais mantidos por eles? E por que a maioria deles se vale apenas da segurança pública em suas casas?

Ano que vem tem eleições...o povo tem que acordar!

 
At 26/10/09 14:18, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Concordo em gênero, número e grau. Você disse tudo, Rodrigo. Enquanto homens de verdade não chegarem ao poder, viveremos sob a mira das armas dos bandidos e dos maus policiais (que, infelizmente, são muitos).

 

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