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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cenas de guerrilha urbana nas favelas do Rio




























Fotos AP, AFP, Reuters e EFE publicadas no UOL Notícias

Duas semanas depois de ter sido escolhida para sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro foi o teatro, no sábado, 17 de outubro, de verdadeiras cenas de guerrilha urbana entre traficantes de drogas e as forças da ordem. Essa batalha deixou ao menos 12 mortos, entre os quais dois policiais militares que estavam em um helicóptero derrubado.

Três das vítimas seriam simples moradores, atingidos por balas perdidas. Pelo menos seis outras pessoas foram feridas, entre as quais um policial, e ao menos oito ônibus foram incendiados. É a primeira vez que um helicóptero da polícia é abatido no Rio pelos tiros de fuzis-metralhadoras de um grupo criminoso.

Tudo começa em plena noite, conforme o cenário clássico de um confronto territorial entre dois bandos no bairro popular de Vila Isabel, zona norte do Rio, não longe do famoso Estádio do Maracanã, onde se realizará a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016.

Traficantes do Comando Vermelho instalados na favela São João invadem a favela vizinha, o Morro dos Macacos, onde reina uma facção rival, os Amigos dos Amigos. O objetivo dos atacantes é tomar o controle dos pontos de venda de droga.

Alertada algumas horas antes pela escuta telefônica do chefe dos agressores, que anunciou claramente suas intenções para os cúmplices que convocou, a polícia não acreditou. Ela garante ter reforçado sua presença ao redor da favela. Isto não bastou para impedir uma "invasão" conduzida por cerca de 150 bandidos vindos de pelo menos oito favelas, em motos ou a bordo de vans e carros roubados.

O tiroteio entre os dois lados nos becos do Morro dos Macacos durou a noite inteira, e os agredidos receberam o reforço de um "bando amigo" que veio da Rocinha, a maior favela do Rio e da América Latina. Os habitantes do bairro, apavorados, contaram mais tarde que viveram "uma noite de caos".

A Polícia Militar, conduzida por uma unidade do Batalhão de Operações Especiais (Bope), só interveio nas duas favelas no início da manhã. Um pouco mais tarde, quando o helicóptero foi atingido, seu copiloto, ferido no joelho, conseguiu pousar o aparelho, que explodiu em seguida.

O piloto, o copiloto e dois policiais conseguiram sair, e dois outros policiais, talvez já feridos, morreram carbonizados. Um dos sobreviventes, um comandante, atirador de elite, conheceu há um mês seu momento de glória ao abater com uma bala um criminoso que detinha uma mulher como refém em Vila Isabel e ameaçava com uma granada se fazer explodir junto com ela.

A polícia temia há vários anos que um de seus helicópteros fosse atingido por tiros. A blindagem dos aparelhos utilizados não é a toda prova, e os fuzis automáticos dos traficantes têm um alcance bem maior que a altitude máxima imposta aos pilotos para não perturbar a aviação civil.

No domingo, uma calma aparente havia voltado às duas favelas envolvidas. Quatro mil e quinhentos policiais suplementares foram mobilizados no Rio para evitar novas tentativas de invasões de favelas. Policiais civis e militares estão em alerta em seus quartéis, depois da convocação dos que estavam de folga. O ministro da Justiça, Tarso Genro, propôs enviar um corpo de elite do Exército, oferta considerada inútil pelo governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral.

Esses incidentes sangrentos podem manchar a imagem do Rio, particularmente aos olhos do Comitê Olímpico Internacional (COI) e, de maneira mais geral, atrair a atenção do mundo para a incapacidade das autoridades federais e locais em extirpar das grandes metrópoles do Brasil o câncer da violência que as corrói.

Para Genro, "ao escolher o Rio, o COI estava consciente de todo o trabalho que fizemos para reduzir e evitar a violência". A criminalidade no Rio não poderá desaparecer "por mágica" da noite para o dia, admitiu Cabral, antes de se comprometer a garantir a segurança dos Jogos Olímpicos: "Nós dissemos ao COI que não será fácil, e eles sabem disso. Mas poderemos colocar nas ruas 40 mil policiais e garantir o sucesso dos Jogos".

Eleito governador em 2007, Cabral lançou uma ofensiva inédita contra o crime organizado, cujo saldo por enquanto é a inegável "pacificação" de quatro favelas ocupadas permanentemente por policiais de proximidade. Quatro favelas das 1.020 que existem hoje na cidade.

Matéria do Le Monde, publicada no UOL Internacional.

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3 Comments:

At 24/10/09 14:46, Blogger Godrius said...

O que você diria se a cidade escolhida para sediar as próximas Olímpiadas ficasse no Iraque, talvez Bagda?

Agora que as lentes do mundo todo estão voltadas pro Rio de Janeiro, por conta das Olimpíadas, é bom os governantes darem um jeito, definitivo, na bagunça carioca.

 
At 26/10/09 14:22, Blogger Otacílio Rodrigues said...

Esta é a hora certa para isso, Rodrigo. Mesmo porque, se nada for feito, tenho certeza que o Rio perderá as Olimpíadas.

 
At 16/12/09 21:22, Blogger Ton said...

tá foda mané queremos paz a cidade maravilhosa o rio das olimpiadas
governantes!!! só papo na ligua queremos paz ao rio de janeiro obg!!!!!!!!!!!!!!!!

 

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