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domingo, 23 de janeiro de 2011

Pintando no iPad


Da Época Online

Quem já teve a sorte de se comover diante de uma pintura de um artista consagrado sabe que certas experiências não podem ser reproduzidas sem a presença física da obra. Não há lembrança, foto ou cópia capaz de imitar o impacto que a presença do original provoca.

Quem não for até o Museu do Louvre, em Paris, nunca saberá como é de fato a Mona Lisa, de Da Vinci. Há milênios, desde que o homem começou a usar tinta para marcar sua presença em paredes e cavernas, tem sido assim.

Agora, ao usar novas tecnologias em seus trabalhos recentes, o inglês David Hockney, um dos mais influentes artistas da atualidade, conseguiu, aos 73 anos, abalar a primazia do original.


A exposição "David Hockney, Fleurs Fraîches", em cartaz até o dia 30 deste mês na Fundação Pierre Bergé-Yves Saint Laurent, em Paris, traz 200 pinturas criadas diretamente em iPhone e iPad, o celular e o tablet da Apple, respectivamente.

Beneficiando-se da tela sensível ao toque desses aparelhos, Hockney criou um arquivo digital usando um software para desenhar. Hockney diz que a obra só pode ser exibida em telas eletrônicas, já que para ele a luz dos aparelhos é fundamental para que essa pintura exista.


Como qualquer outro arquivo digital, as pinturas de Hockney podem facilmente ser reproduzidas e compartilhadas pela internet, com total fidelidade. Isso quer dizer que para apreciar o original de um dos mais influentes artistas em atividade basta ter um monitor conectado à internet.

Quando tudo é um original, a aura do original deixa de existir. O primeiro teórico da reprodução técnica da arte foi o alemão Walter Benjamin, morto em 1940. Para ele, os objetos de arte tinham uma aura, que não poderia ser copiada. Era, segundo Benjamin, "a aparição única de um objeto distante". Agora, essa definição clássica se desmancha nos pixels das novas tecnologias.


Conhecido por sua contribuição à pop art e pelas experiências com fax e outros programas de computador, Hockney andava sumido da cena artística. Ao avistar o nascer do sol de uma janela na Costa Leste da Inglaterra, ele começou a pintar o que via, com o dedo, em seu iPhone. Para ele, lápis e papel não serviriam. "Foi a luminosidade da tela que me provocou", diz no texto de apresentação da nova exposição.

Para saber tudo sobre a exposição "David Hockney, Fleurs Fraîches" (e ver algumas das obras expostas), entre aqui.

Abaixo, confira o vídeo do artista plástico brasileiro Gustavo Rosa experimentando o programa de pintura para o iPad:


Matéria editada e publicada no Resende Afora.

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