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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A cerveja sem álcool de Jaguar


Da Folha de S.Paulo

Pouco depois de completar 80 anos, em fevereiro, Sérgio Jaguaribe, o popular Jaguar, recebeu a notícia: ao fim de seis décadas tendo bebido o equivalente a "uma piscina olímpica" de álcool, seu fígado sucumbira à uma cirrose avançada, acompanhada de câncer.

Ou operava e parava de beber para sempre ou morreria.

"Eu tinha tanto orgulho do meu fígado, me senti hepaticamente corneado", diz o cartunista, tão célebre pelo humor implacável quanto por sua paixão por um boteco e um trago - não por acaso, um de seus livros chama-se "Confesso que Bebi - Memórias de um Amnésico Alcoólico" (Record, R$ 29,90, 160 págs.).

Jaguar recebeu a Folha no apartamento em que vive com sua mulher, a médica Célia Pierantoni, no Leblon, sentado ao redor de uma mesa que comprou para o boteco que nunca abriu. Nas paredes, desenhos feitos por ele e por vários colegas famosos.

Recusando-se a ser chamado de "senhor", falou sobre sua nova rotina sem o álcool, seus planos e suas histórias, sempre com a verve afiada que usa tanto para falar de si mesmo quanto dos outros.

Ao fim das mais de duas horas de conversa abaixo resumidas, fez apenas um pedido: ser fotografado com um copo de cerveja - sem álcool - na mão. "Senão o pessoal não me reconhece."


Fotos de Daniel Marenco/Folhapress

Como vai a vida sem álcool?
Estou fazendo experiências, drinques para abstêmios. Faço um Bloody Mary com o suco de tomate temperado com tabasco, limão, pimenta em pó. E cerveja sem álcool. Porque, ao contrário de muita gente, eu gosto da cerveja pelo sabor. Para ficar de porre, eu tomava coisas mais expressivas.

Foi uma adaptação difícil?
Como dizia Dostoiévski, e o Zé Keti também, o homem se acostuma com tudo. Eu bebia porque gostava de ficar bêbado. O grande problema é que eu posso beber o quanto quiser que não fico bêbado.

Fiz uns cálculos: a quantidade de cerveja que bebi nos últimos 50 anos dá para encher um carro-pipa. Bebi quase uma piscina olímpica. Entre cinco e dez cervejas por dia. Fora Steinhäger, cachaça, tudo que você pode imaginar.

Eu me sinto corneado pelo meu fígado. Eu tinha um orgulho dele, rapaz. Eu não tenho sinais de cirrose, mas a redundância magnética [risos] me entregou. Eu sou o pé na cova com o aspecto mais saudável que eu conheço.

E como é sua rotina de trabalho atualmente?
Eu trabalho no máximo até as 11h, e o mínimo possível. Faço só o estritamente necessário: uma charge às segundas, uma às quintas, uma piada sobre botecos para o "Boteco do Jaguar". Agora que estou proibido de beber, vou fazer um livro sobre coquetéis, com historinhas e uma seleção desses desenhos que eu faço e que saem num suplemento de "O Dia".

Eu estava pensando em escrever uma autobiografia, mas o Ruy Castro me disse: "Não, eu vou escrever, já está tudo na minha cabeça". Minha autobiografia escrita por ele vai ficar muito melhor.

Desenhar é algo que consome muito tempo para você?
Não. Desenho rápido, não faço esboço. E não sei desenhar. Aqui no Brasil, qualquer pessoa que faz alguma coisa por mais de dez anos, mesmo não sabendo, é considerada boa. Quando mostrei meus desenhos pela primeira vez ao Millôr, ele falou: "Pô, o seu desenho é péssimo".

E como um desenhista ruim influenciou tanta gente?
Vendo esses meninos de hoje, sinceramente, não me vejo numa lista de 20 (melhores) cartunistas. Tem o André Dahmer, o Laerte, o Angeli, aquele Adão, que não sei por que cortou o sobrenome. O Sieber. Eles são inteligentíssimos. Eu ainda consigo entender todos eles.

Para ler a matéria completa, entre aqui.

Editado e publicado no Resende Afora.

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