Dados biográficos de um escritor
Em novembro de 1937, o tradutor argentino Raúl Navarro pede ao escritor brasileiro Graciliano Ramos que junte sua biografia a um conto que seria publicado em Buenos Aires. Em carta, Graciliano responde:
"Os dados biográficos é que não posso arranjar, porque não tenho biografia. Nunca fui literato, até pouco tempo vivia na roça e negociava. Por infelicidade, virei prefeito no interior de Alagoas e escrevi uns relatórios que me desgraçaram. Veja o senhor como coisas aparentemente inofensivas inutilizam um cidadão. Depois que redigi esses infames relatórios, os jornais e o governo resolveram não me deixar em paz. Houve uma série de desastres, mudanças, intrigas, cargos públicos, hospital, coisas piores e três romances fabricados em situações horríveis - Caetés, publicado em 1933, S. Bernardo, em 1934, e Angústia, em 1936. Evidentemente, isso não dá uma biografia. Que hei de fazer? Eu devia enfeitar-me com algumas mentiras, mas talvez seja melhor deixá-las para romances."
Fonte: Cartas inéditas de Graciliano Ramos a seus tradutores argentinos Benjamín de Garay e Raúl Navarro, pág. 123, EDUFBA, 2008.
Fonte: Cartas inéditas de Graciliano Ramos a seus tradutores argentinos Benjamín de Garay e Raúl Navarro, pág. 123, EDUFBA, 2008.
3 Comments:
Extraordinário esse tal de Graciliano. Já pensou se seu nome fosse Tristiliano? Enveredaria pelo Pequeno Sertão, "certãomente". rs...rs...rs...
Abraço Amigo.
Nada a ver com o GuiGui Rosa, viu?!?!rs...rs...rs...
Ainda bem, grande Fernando, porque senão, ao invés de Velho Graça, ele seria chamado de Velho Triste, o que não teria a menor graça, né mesmo? Grande Abraço!
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