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sexta-feira, 20 de maio de 2005

A grande arte de Turíbio


Turíbio Santos no auditório da AEDB

Sucesso absoluto a apresentação do violonista Turíbio Santos na AEDB, quarta-feira passada. Auditório lotado, amigos se encontrando, gente alegre e bonita, uma noite como há muito não acontecia na cidade.

Chego mais cedo para conversar com o mestre e fazer umas fotos durante a passagem de som. Sobre o programa do concerto, ele me diz que não costuma planejar nada com antecedência mas, com certeza, deverá tocar obras de João Pernambuco, Dilermando Reis e Chiquinha Gonzaga.

Nenhum clássico? "Olha, posso até encaixar algum Bach no meio dos brasileiros, é bem possível, vamos ver!" Chega uma jovem estudante de violão pedindo conselhos ao ídolo que, pacientemente, orienta sobre os caminhos a seguir. Em seguida, pega o violão e toca trechos de conhecidos chorinhos, enquanto eu fotografo a cena iluminada por refletores coloridos.

Oito horas em ponto e o auditório ainda praticamente vazio. Pouco a pouco, no entanto, as pessoas vão entrando, escolhendo os melhores lugares, colocando o papo em dia. Vinte minutos depois, com a casa cheia, Turíbio dá início aos trabalhos tocando - emendadas - Asa Branca, Assum Preto e Baião, clássicos de Luiz Gonzaga.

A partir daí, tivemos uma verdadeira aula de violão brasileiro, ilustrada com breves comentários sobre as músicas e seus compositores. O próximo foi João Pernambuco, relembrado com Jongo, Graúna e a conhecidíssima Sons de Carrilhões. Depois, uma suíte de Chiquinha Gonzaga, formada por Gaúcho, Atraente e Ô Abre Alas.

Chega a hora de apresentar o grande mestre, Heitor Villa-Lobos, de quem Turíbio gravou toda a obra composta para violão. Ele chama a atenção para algumas semelhanças entre a música de Bach e a de Villa, que vão muito além das célebres Bachianas. Para exemplificar, Turíbio emenda o Prelúdio em Ré Menor, de Bach, com o Estudo Nº 1, de Villa-Lobos. O auditório quase vem abaixo numa demorada ovação.

Encerrando o concerto - breve mas intenso -, uma inesperada e arrebatadora execução de A Ema Gemeu, de Jackson do Pandeiro. O violonista deixa o palco, todos aplaudindo de pé, para voltar logo depois com a belíssima Tempo de Criança, de Dilermando Reis. Um bis perfeito para uma noite que ficará na memória daqueles que quiseram ver (e ouvir) de perto a grande arte de Turíbio Santos.

Parabéns aos Diretórios Acadêmicos da AEDB pela brilhante iniciativa e que venham outros grandes nomes da música brasileira (uma sugestão: Jards Macalé, que está sempre por aqui e é uma lenda viva da MPB). Público, pelo visto, é o que não falta.


Publicado no Resende Afora.

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1 Comments:

At 23/5/05 18:48, Anonymous Paulo said...

Gostaria de obter as fotos do exercício simulado do Corpo de Bombeiros que foi realizado no dia dezenove de maio.
Meu endereço é prpdias@bol.com.br
Obrigado
Paulo Dias

 

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