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sábado, 14 de julho de 2007

Emoções baratas

Crônica de Nelson Motta (via e-mail)

A cada semana me prometo não falar mais de políticos, não gastar tempo e neurônios com essa alta ralé de Brasília, inutilmente. Eles são muitos e cada vez mais poderosos, são invencíveis como o tráfico de drogas. Mas não consigo, estou drogado em escândalos e bandidagens de políticos, já não vivo sem eles, percorro avidamente os sites e os jornais em busca de minha dose diária de lixo moral e emoções baratas.

Estou dependente desse prazer perverso de ver expostos ao público e humilhados esses cínicos que nos roubam e nos mentem, que desmoralizam a democracia e a justiça e riem de nossa indignação. Como não há esperanças de punição pela Justiça, pelo menos temos a execração pública desses figurões vaidosos e poderosos, que tem suas vidas, vícios e vísceras revelados a todos, parentes, amantes, filhos e amigos. Já é alguma coisa, uma espécie de justiça instantânea, uma das poucas que nos restam.

O barato do escândalo nos diverte, inebria e vicia, um depois do outro, em doses cavalares, cada vez mais fortes, fazendo salivar as glândulas da vingança contra os que se apoderaram dos nossos melhores sonhos e esperanças e os transformaram em lixo e lama, que nos ignoram e nos afrontam com seus privilégios e sua impunidade.

Estamos nos viciando nessas vinganças simbólicas, pelo ridículo, pelo deboche das piadas e das charges e pela humilhação pública desses bandidos travestidos de representantes do povo. Já que não se pode apedrejá-los, não deixa de ser um progresso civilizatório rir de suas desgraças.

Paulo Francis não acreditava em reencarnação, mas advertia, "se houver, levarei meu ectoplasma para Brasília para infernizar a vida dessa canaille". O ectoplasma de Francis deve estar às gargalhadas.

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